Testámos o Volvo XC60 T6 Recharge. Melhor que a concorrência premium?

É atualmente o modelo mais vendido do construtor sueco, mas será que o Volvo XC60 nesta versão híbrido plug-in, ainda se bate com os alemães?

Volvo
SUV
Volvo XC60 T6 Recharge Inscription

O elevado número de vendas, e imagem que ainda hoje se mantém moderna e apelativa, são a prova de que a Volvo foi muito ousada e visionária quando lançou esta nova geração de modelos. É um facto que a estética é subjetiva, mas arriscaria dizer que neste caso a opinião é unânime! Estávamos em 2015 quando a Volvo apresentou esta nova linha de desenho no XC90. Depois, em 2017, chegou o XC60, e após estes cinco anos tornou-se o automóvel mais vendido da Volvo. Agora, recebeu uma atualização muito ligeira. Estará ainda ao nível dos concorrentes? Fomos comprová-lo ao volante do Volvo XC60 T6 Recharge.

No exterior a atualização do Volvo XC60 de 2022 concentrou-se na secção frontal. Uma nova imagem ainda não é, de todo, aquilo que o SUV da Volvo precisa, já que esta continua muito apelativa e a cativar clientes. Uma grelha frontal e um para-choques redesenhados foram os únicos retoques e que chegam a ser impercetíveis para os menos conhecedores. Contudo, existem também novas jantes de liga leve. Assim, a imagem premium que carrega mantém-se inalterável.

Mais diferenças no interior

Foi no interior do SUV que foram feitas mais alterações, mas uma vez mais não é espreitando pela janela que chegamos lá. A Volvo aplicou agora ao XC60 a nova versão do seu sistema de info-entretenimento, estreado no “nosso” Volvo XC40 Recharge. Trata-se de um sistema Android desenvolvido com a Google. Desta forma, temos vários serviços da gigante tecnológica sem necessidade de recorrer a um smartphone. Falo do Google Maps, Google Assistant, Spotify, entre outros. É de facto prático podermos colocar o nome do local para onde pretendemos ir, ao invés da morada como acontece com a maioria dos sistemas. Por outro lado, existe sincronização entre o telemóvel e o carro, o que é também uma mais-valia.

A navegação pode ser feita tanto no ecrã vertical central, com 9″, como no ecrã do painel de instrumentos com 12,3″. Porém, este apenas de dispõe de dois tipos de vista. Com mapa, ou sem mapa. Ainda que seja totalmente digital, já gostava de ver possibilidade de algum tipo de configuração.

O sistema android com serviços Google integrados apresenta mais valias, mas perderam-se atalhos úteis para algumas funções

Depois, na anterior geração tínhamos um funcionamento tipo tablet, em que uma das “páginas” continha diversos “atalhos” práticos para ativar/desativar sistemas de segurança ou ajuda à condução, entre outros. Agora, ficou tudo num menu bem mais confuso e não tão fácil de operar em andamento. Também o botão de seleção dos modos de condução desapareceu da consola central, e tem de se recorrer ao mesmo menu. Mais uma vez menos prático. Por outro lado, o computador de bordo evoluiu, já sendo possível ter no mesmo ecrã toda a informação da viagem. De qualquer forma neste capítulo ainda há margem para melhorar face ao que encontramos nos alemães.

Ainda no interior deste Volvo XC60, mas no que diz respeito ao espaço e à qualidade, durante o nosso ensaio apenas nos deparámos com um túnel central ainda demasiado intrusivo, o que não favorece a habitabilidade. Tirando isso, o espaço é correto e a qualidade de materiais também, tendo havido aqui algumas alterações nesta atualização. Os bancos da frente oferecem também excelente apoio, para além de serem totalmente elétricos e contarem com memórias, ainda que tal faça parte do pack Power Seats no valor de 492 €.

Na bagageira contamos com 468 litros de capacidade, um valor superior a alguns concorrentes que são mais prejudicados pela colocação das baterias, e mais do que aceitável para as aptidões familiares deste SUV. Neste caso, em vez de um fundo completamente plano, dispomos apenas de um pequeno alçapão para tentar albergar os cabos de carregamento.

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Volvo XC60 sempre eletrificado

A eletrificação já está bem enraizada nos modelos do construtor sueco que já não comercializa qualquer automóvel que não tenha algum tipo de eletrificação. No caso do Volvo XC60 temos duas propostas mild-hybrid que recorrem a um motor Diesel (B4 e B5 com tração frontal e integral respetivamente), e duas Recharge (híbridas plug-in) que recorrem ao motor 2.0 l a gasolina no eixo da frente, com outra unidade elétrica de 107 kW (145 cv) ligada ao eixo traseiro, alimentado por uma bateria de 18,8 kWh (T6 e T8). O resultado para este Volvo XC60 T6 Recharge é uma potência combinada de 350 cv.

Naturalmente que com estes valores de potências, e ainda que condicionados ao nível de carga na bateria, não faltam bons andamentos a este Volvo XC60 T6. A posição de condução, tipicamente alta, é correta e temos excelente visibilidade. Contudo, durante o nosso teste achei que a direção é pouco comunicativa e a suspensão está pensada para privilegiar o conforto. Ou seja, sendo um extraordinário SUV, ao nível dos seus concorrentes premium é um modelo menos empolgante na condução, até porque fazem falta as patilhas de comando da caixa automática de oito velocidades no volante. Nota-se, no entanto, que a segurança é também ela uma das imagens da marca e que, neste aspeto, nunca vacila.

Houve também melhorias na sensibilidade do pedal de travão que agora é quase capaz de nos fazer esquecer que estamos ao volante de um Volvo híbrido plug-in. Uma nota sempre positiva vai para o conforto e estabilidade em autoestrada, revelando ser um SUV apto mesmo para as maiores viagens com a família.

Os modos de condução permitem adaptar o Volvo XC60 à utilização que se pretende

Ao serviço estão cinco modos de condução. Hybrid, Power, Pure, Off Road e Constant AWD, este último favorecendo a tração integral, ao passo que o Pure privilegia a condução 100% elétrica. O Hybrid faz a melhor gestão dos sistemas e o Power disponibiliza toda a potência e binário disponíveis. O Off Road otimiza o sistema de controlo de tração e altera a sensibilidade do acelerador para uma melhor progressão em fora de estrada.

Híbrido plug-in com consumos condicionados

No que diz respeito a consumos o nosso teste revelou bons valores quando dispomos de carga na bateria (ainda que longe do anunciado), mas consideravelmente altos quando a carga da bateria se gosta. Ou seja, os consumos estão demasiado condicionados à carga da bateria. Carregando diariamente, e para trajetos diários inferiores a 50 km, este híbrido plug-in consegue poupar combustível. De outra forma, ou para quem faz muitos quilómetros em autoestrada, uma das versões Diesel poderá ser a melhor opção. Isto também porque os 79 km em modo 100% elétrico anunciados com uma carga da bateria são demasiado otimistas. O valor mais real ronda os 50 km de autonomia elétrica.

A bateria de 18,8 kWh pode ser carregada em cerca de cinco horas com um carregador ou uma wall-box a 3,7 kW, ou em pouco mais de oito horas numa tomada doméstica a 2,3 kW.

Por fim, certo é que os únicos capazes de se bater com este Volvo XC60 T6 são os SUV premium alemães. Se ao condutor não oferece tanta emoção na condução, aos restantes ocupantes oferece mais conforto num interior mais acolhedor e de qualidade.

Conclusão

O Volvo XC60 brinda-nos com conforto, segurança, serenidade, e um interior de qualidade e até algum requinte. Tem potência para bons andamentos, mas uma vez esgotada a carga da bateria, rapidamente os consumos se ressentem. A imagem exterior continua a ser exuberante e a dar que falar. Um bom SUV premium com um posicionamento distinto dos rivais alemães.

Ficha Técnica

Cilindrada

1969 cm3

Cilindrada

350 Nm

Binário Máximo

350 cv

Potência

Cilindrada

5,7 s

0-100 KM/H

180 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

1.1 l/100 km

Combinado

8 l/100 km

Registado

24 g/km

Emissões CO2

Cilindrada

66 357€

Base

73 657€

Ensaiado


Thumbs UpConforto. Qualidade. Imagem

Thumbs DownConsumos sem carga na bateria.