Smart EQ fortwo. Adeus gasolina, olá eletricidade!

O novo Smart transitou de forma integral para a mobilidade 100% elétrica. Com autonomias limitadas e elevados tempos de carregamento, terá futuro?

Smart
Citadino
smart EQ fortwo

Numa aposta virada para a mobilidade urbana, a Smart foi a primeira fabricante a abandonar por completo combustíveis fósseis e centrar-se exclusivamente em modelos sustentáveis. Esta semana conhecemos a mesma decisão por parte de outro construtor premium. Numa era em que existem cada vez mais propostas 100% elétricas na “selva urbana”, terá o pequeno Smart elétrico argumentos para vingar?

Smart Fortwo EQ 64

O smart EQ fortwo mantém a mesma silhueta e aparência da geração que lhe empresta a base. Por fora, e graças ao facelift, ostenta agora uma grelha redesenhada de maiores dimensões, onde a assinatura LED reminiscente da anterior geração ganha agora espaço para faróis Full-LED. Ao lado dos faróis de nevoeiro, que funcionam também como luzes direcionais, é possível encontrar umas aberturas que canalizam o ar e auxiliam na aerodinâmica.

Já na traseira, além dos símbolos “EQ” (e possíveis de encontrar nos quatro cantos do smart EQ fortwo), encontramos ainda uns novos farolins LED que se distinguem da anterior geração. Isso, e a ausência de um tubo de escape (por razões óbvias, claro está). A porta de combustível dá agora acesso ao carregador, enquanto tudo o resto se mantém inalterado.

Graças ao pack Exclusive (opcional, 2600€), inclui ainda teto panorâmico, media system com ecrã tátil, espelho retrovisor com anti-encandeamento, faróis LED, radar, câmara de auxílio ao estacionamento, sensor de chuva e luz entre outros pormenores.

O que muda?

Em primeiro lugar, o espaço a bordo do Smart elétrico em nada muda face ao anterior. Aliás, na verdade pouco muda. Isto porque na consola central temos agora uma “cortina” a esconder o porta-copos e, por baixo do travão de mão (manual) um espaço para colocar o telemóvel. Além disso, o antigo conta-rotações dá lugar agora ao nível de carga e potência.

O mesmo acontece na bagageira, onde a capacidade se mantém inalterada, ainda que inclua agora um pequeno porta-cabos para ajudar na organização do espaço. Já para meu infortúnio, e porque tinha grandes esperanças de o poder testar, esta unidade não integra o media system de 8″ com acesso a Apple CarPlay. Ao invés disso, ainda equipa o antigo sistema digital, que ainda que seja bastante completo e inclua navegação, já precisa de um bom “refresh”.

O seu “calcanhar de Aquiles” é a sua melhor qualidade

Mas as maiores mudanças estão reservadas para o grupo propulsor. Acoplado ao eixo traseiro do smart EQ fortwo temos um motor elétrico de 82 cv (60 kW), alimentado por uma bateria de 17,6 kW. Além de bastante “geniquento” e ágil em cidade, facilmente somos catapultados num arranque frenético até à velocidade máxima de… 130 km/h. Mais ainda se o modo “ECO” estiver desativado, desbloqueando a sua total potência e binário.

Tudo isto é bastante divertido se a nossa real preocupação não for a autonomia, algo que pesará muito na hora de comprar (isso e o preço, mas lá chegaremos mais à frente). Em termos de autonomia, a marca anuncia 133 km (WLTP), o que para as voltas do dia-a-dia pode ser suficiente. Será? A verdade é que estes valores são muito sensíveis ao andamento. Entrando numa velocidade cruzeiro em redor dos 80 km/h, ou com alguns arranques mais despachados, podemos ver a autonomia descer dos 100 km ainda com a carga total…

Sendo um automóvel de vocação estritamente citadina, até podíamos aceitar esta limitação, mas infelizmente há mais. De série, o smart EQ fortwo apresenta um carregador de bordo de 4,6 kW, o que torna os tempos de carregamento demorados. Carregar numa tomada doméstica, poderá demorar cerca de 8 h, sendo que com wallbox esses tempos caem para metade. Para poder carregar a 22 kW, e ver os tempos diminuir para cerca de uma hora (80% em 40 min), é preciso dispensar mais 995€ pelo carregador de bordo 22kW. Por outro lado, e em 2021, continuam a não oferecer a possibilidade de carregamento rápido, o que facilitaria em muito a vida para o utilizador. Em contrapartida a bateria tem uma garantia de oito anos, ou 100 mil km. Há que percorrer 100 mil km aos 100 km de “cada vez”…

Sem futuro à vista?

E se a curta autonomia já seria motivo suficiente para afastar alguns compradores, o preço pode ser outro entrave. Isto porque o preço base do smart EQ fortwo é de 22 845€, o que acrescentando todos os extras acima equivale, neste caso, a 27 244€. Um preço realmente elevado tendo em conta que a sua base assenta sobre um modelo já existente e onde a autonomia e tempos de carregamento estão bem longe de uma realidade prática.

Assim, despojado de materiais nobres ou equipamentos que façam valer o elevado preço, o Smart elétrico fica um pouco aquém da espectativa. Talvez o futuro deste tipo de proposta possa passar por outras vertentes como o car sharing, renting ou locação. Já como segundo carro e virado para a cidade, parece-me que o legado do citadino poderá ter fim à vista… a menos que entretanto consigam aumentar autonomias, diminuir tempos de carregamento ou, idealmente, reduzir a fatura final. Parece-me pedir de mais… será?

A questão é: O sentido prático e económico para uma utilização citadina não está em causa. É, sem dúvida alguma, uma excelente solução para as “voltinhas na cidade”… mas por mais de 22 mil euros?

Outras soluções já estão pensadas para o futuro da Smart, através da parceria entre a Mercedes-Benz e os chineses da Geely. Segundo a Autocar, estará previsto já para 2022 um SUV de cinco portas com cerca de quatro metros de comprimento, concorrente do MINI Countryman.

Conclusão

O smart EQ fortwo mantém a mesma agilidade em cidade que os seus antecessores, agora com foco na sustentabilidade. Despojado de tecnologia de ponta ou dos melhores equipamentos, o citadino elétrico ainda está longe da realidade. O preço, autonomia e tempos de carregamento são fatores fundamentais para este tipo de proposta, e precisamente os únicos em que compromete. Ainda assim, mantém a sua jovialidade e desembaraço em cidade como poucos se podem vangloriar de ter.

Ficha Técnica

Cilindrada

160 Nm

Binário Máximo

82 cv

Potência

Cilindrada

11,6 s

0-100 KM/H

130 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

13,5 kWh/100 km

Combinado

14 kWh/100 km

Registado

Cilindrada

22 845€

Base

27 244€

Ensaiado


Thumbs UpAgilidade. Aceleração.

Thumbs DownAutonomia. Tempo de carregamento. Preço.