Skoda Scala – O “alemão” disfarçado

A Skoda tem vindo a surpreender-nos com as suas propostas cada vez mais bem aprimoradas. Resultado disso, os últimos modelos que em nada ficam atrás de outros concorrentes alemães.

Skoda
Segmento C
Skoda Scala 1.0 TSI 116 cv Style DSG

O Skoda Scala veio posicionar-se como uma aposta forte da marca checa para o segmento C que, além de já ter vencido o prémio Red Dot Award em 2019, é ainda um dos sete finalistas do “Essilor Carro do Ano”. Se dúvidas houvesse que é merecedor de tais galardões, ficaram agora todas esclarecidas.

Skoda Scala 187

Por fora, tem tudo para agradar – linhas fluidas que culminam num grupo ótico em LED com função cornering (opcionais 870€) na dianteira, num estilo arrojado a roçar o desportivo, acompanhados de jantes de liga leve de 18″ (opcionais 815€). Na traseira, encontramos um portão composto em grande parte pelo óculo de vidro e cor escura, que lhe confere um look ainda mais apelativo a dois tons.

Opcionais marcam a diferença

Como opcional, este Skoda Scala vem equipado com teto panorâmico integral (765€), que vai desde os lugares dianteiros aos traseiros, e que pode ser fechado através de uma cortina elétrica que confere ao Scala um ambiente a bordo ainda mais agradável.

Outro opcional montado neste Scala é o pack “Dynamic”, composto por bancos desportivos estilo “backet”, volante desportivo de patilhas e multifunções, pedais em alumínio e forro de tejadilho em preto. Se por fora já convencia, por dentro ainda “soa” melhor. 

Até me sentar ao volante, os números que compõem este Scala não me surpreendiam muito (ainda). Equipado com o motor 1.0 TSI de 116 cv e caixa de sete velocidades DSG (automática), tudo me fazia prever um motor um pouco aquém e possivelmente “esfomeado”. Mas não podia estar mais enganado.

Já chegou o Scala! O Skoda para o segmento C

O Skoda Scala chega a Portugal com dois motores, dois níveis de equipamento, diversos sistemas de segurança e preços a iniciar nos 21 960 €.

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Um motor que, de pequeno, tem pouco!

Foi em auto-estrada que se deu o primeiro contacto, numa viagem de cerca de 120 km até à capital do Alentejo (Évora). Numa primeira instância, achei que o motor não fosse suficiente para alimentar tudo o que o Scala pedia, mas foi depois de pisar o pedal direito que os números que iam aparecendo no quadrante ditavam a verdade. O motor mostrou-se disponível em qualquer regime, tanto em aceleração como nas recuperações, e os consumos registados deitaram abaixo tudo aquilo que tinha previsto…

O “pequeno-grande” 1.0 TSI, além de sempre solícito ao pé direito e com uma sonoridade bastante contida em rotações mais altas, foi capaz de se conter em valores de 6,8 l/100 km em auto-estrada (em regimes mais altos) e de 5,2 l/100 km em estrada nacional. Muito possivelmente poderão até ser mais baixos, conforme a utilização dos modos de condução – Eco, Normal, Sport e Individual (Driving Mode Select – 105€).

Talvez o único ponto menos positivo a registar seja o arranque a frio, um pouco mais “brusco”, dado o “atraso” da resposta do acelerador, mas que conforme a utilização se aprende a dosear.

Um interior que impressiona

O quadrante 100% digital (a fazer lembrar qualquer alemão atual) ilumina-se à nossa frente após carregar no botão “Start Engine”, e demonstra que a qualidade que fora aplicada no restante cockpit passou também para a tecnologia. Num conjunto geral, entende-se bem que nada fora deixada ao acaso.

Skoda Scala 72

Combinado com o sistema de info-entretenimento Amundsen® de 9.2” (opcional 1190€) ao centro do tablier (também ele de excelente qualidade visual e interativa) ambos se tornam os melhores aliados de qualquer viagem – e este é sensível ao movimento, necessitando de um pequeno “aceno” para mudar de música, sem sequer tocar no ecrã.

O sistema de climatização é “misto”, o que significa que parte do sistema “vive” um pouco mais abaixo na consola, onde podemos controlar a temperatura (bi-zona) e outros controlos físicos. Os restantes comandos são virtuais e encontram-se num menu próprio para controlar a velocidade e zonas de climatização no sistema de info-entretenimento – o que não é tão prático em viagem. 

Ao nível dos materiais, o Skoda Scala apresenta-se razoavelmente composto. Ainda que o interior seja na sua maioria composto por plásticos duros e sem revestimento, com alguns apontamentos cromados, o conjunto não destoa e, acima de tudo, não comprometem de forma alguma a vida a bordo. Alguns podem ser acompanhados por plásticos texturados (opcionais) no tablier. Já os estofos são compostos por tecido e apontamentos em camurça pretos e estilo “baquet”.

Simply Clever by Skoda

Algo que já começa a ser uma prática comum em outros Skoda’s, como o Skoda Kamiq que conhecemos esta semana, é a presença de uma série de items sobre a insígnia de “Simply Clever”. É o caso do guarda-chuva na porta do condutor (a fazer lembrar um carro de luxo inglês), que pode vir a dar jeito em dias mais cinzentos.

Tanto nos bancos dianteiros como traseiros é possível viajar com bastante conforto, havendo altura suficiente para a cabeça ou comprimento para as pernas. Já na bagageira, encontramos uma capacidade de 467 litros, uma das maiores do segmento. Para além disso, ainda é possível encontrar uma roda suplente – ao contrário de outras marcas que já apostam no kit anti-furo.

Tecnologia

O Skoda Scala vem equipado com os mais variados sistemas de segurança atuais. Desde o Cruise Control Adaptativo, Assistente de Manutenção na Faixa de Rodagem e Front Assist com travagem de emergência – para mencionar apenas alguns. Os faróis de máximos são automáticos e está equipado ainda com uma câmara de marcha-atrás traseira. 

Ainda assim é o Virtual Cockpit que mais impressiona no conjunto. A panóplia de opções e visuais customizados pelo utilizador são tantos, que fica difícil voltar ao mesmo. Sendo aqui onde passa toda a informação relativa ao Scala, é importante termos uma visão geral da informação, que reflete-se neste quadrante digital e que já é comum noutros modelos do grupo VW.

Ao todo, é possível encontrar quatro portas USB-C, duas à frente e duas para os bancos traseiros, uma tendência cada vez mais recorrente e que deixa as “velhinhas” entradas USB-A de parte.

Depois deste nosso teste ao Skoda Scala, as conclusões são óbvias. É um justo finalista do carro do ano em Portugal, e sério candidato à vitória pelo “Value for Money” que oferece em Portugal. Basta para isso ver o preço desta unidade na ficha técnica em baixo, onde se inclui ainda quatro anos de manutenção ou 80 mil quilómetros.

Conclusão

Convence tanto por fora, como por dentro. O Skoda Scala trouxe consigo um bom balanço entre boas prestações e bons materiais, num acabamento que não deixa nada aquém face aos concorrentes. A marca checa aproxima-se cada vez mais dos modelos "irmãos" do grupo VW, acrescido de um melhor "value for money" e das habituais soluções "Simply Clever", razões suficientes para ser uma boa escolha.

Ficha Técnica

Cilindrada

999 cm3

Cilindrada

200 Nm

Binário Máximo

116 cv

Potência

Cilindrada

9,9 s

0-100 KM/H

199 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

5,9 l/100 km

Combinado

5,2 l/100 km

Registado

135 g/km

Emissões CO2

Cilindrada

21 960€

Base

27 290€

Ensaiado


Thumbs UpEquipamento. Preço. Consumos. Soluções "simply clever"

Thumbs DownArranque a frio. Alguns plásticos interiores.