Mazda MX-30. O elétrico que faz barulho!

O primeiro modelo elétrico da Mazda destaca-se pela sua filosofia. O habitual silêncio é substituído por um som que cria alguma emotividade.

Mazda
SUV
Mazda MX-30 e-Skyactiv First Edition + Vintage Leatherette

Se chegou aqui pelo título escolhido para este ensaio, devo desde já dizer que, não obstante de ser uma realidade, não é, contudo, um ponto negativo, pelo contrário. Depois de vários dias ao volante deste Mazda MX-30, gostei da sua filosofia. Mas como isto dos automóveis é como tudo… a perfeição não existe. Os defeitos do MX-30 estão lá, mas são outros…

Vamos então por partes. O Mazda MX-30 é o primeiro modelo de produção da Mazda, 100% elétrico. Já aqui tínhamos falado um pouco dele, e até já tínhamos privado com ele aqui, mas agora neste contacto ficamos a conhecê-lo, e a percebê-lo, bem melhor… Comecemos então pelo exterior, como é habitual. Design KODO tipicamente Mazda. Sobressai não só o contraste entre a cor da carroçaria e o pilar A, que se une terminando na secção traseira como uma única peça, como também as guarnições plásticas no fundo da lateral e nas cavas das rodas. A secção traseira é pequena e alberga uma pequena porta dissimulada com abertura contrária. O que vulgarmente conhecemos por portas suicida (suicide doors), mas que a Mazda optou por denominar de “portas freestyle“. A tomada de carregamento está posicionada na habitual posição de abastecimento de um carro a combustão.

Diferenças percetíveis

Antes de arrancarmos para a estrada para ouvir o som deste elétrico, deixem-me avaliar o interior que, na minha opinião, é bastante interessante. Aqui, o contraste entre os vários materiais é o que sobressai. A cortiça, de origem portuguesa, está presente e enquadra-se perfeitamente num automóvel “verde” como este. Aliás, supostamente todo o desenvolvimento do Mazda MX-30 teve em conta uma redução de emissões. A preocupação com este tema chegou à dimensão da bateria, mas já lá vamos… O toque agrada e a montagem não merece qualquer crítica, pelo contrário. A harmonia entre os diversos materiais é nota dominante e, honestamente, gostei muito!

Os painéis das portas utilizam fibras obtidas a partir de garrafas de plástico recicladas, e os revestimentos em couro genuíno foram substituídos por uma alternativa não animal (vegan).

Esclarecidos que estamos quanto aos materiais e respetiva montagem, notáveis, passemos à ergonomia. O sistema de info-entretenimento e a climatização, estão separados em dois ecrãs distintos. Nada a apontar ao primeiro, com 8,8″. Ainda que não seja dos sistemas mais intuitivos e agradáveis de utilizar, o comando está bem posicionado, bem como o ecrã na zona superior do tablier. Já o outro, com um ecrã de generosas dimensões (7″), e posicionado na zona inferior da consola central, para comandar apenas e só a climatização, parece-me exagerado e oferece pouca (ou nenhuma) vantagem face a uns comandos físicos bem mais práticos.

Bons materiais, ergonomia q.b.

Desta forma talvez tivessem conseguido arranjar um “espacinho” adicional para encaixar o telemóvel, a carteira ou os óculos de sol, ainda que o possamos fazer nos “porta-copos” mais próximos do apoio de braço. Por outro lado, existe um espaço inferior para objetos, mas é muito pouco ergonómico e acessível durante a condução. Sob o mesmo ponto de vista este é aliás outro ponto menos positivo na ergonomia. As ligações USB para smartphones estão precisamente nesta zona. É quase impossível, e totalmente desaconselhável, tentar ligar um smartphone por cabo durante a condução. Ainda que no geral o interior do primeiro Mazda elétrico seja apelativo, com o comando da “caixa de velocidades” e do sistema de info-entretenimento em posição mais elevada, é um facto que depois na utilização diária nem tudo convence. Talvez uma questão de hábito.

Contudo, o mesmo já não se pode dizer da solução que a Mazda adotou para as portas traseiras, utilizadas na última geração do Mazda RX-8. São extremamente úteis para aumentar a acessibilidade aos lugares traseiros, que graças a elas se torna mais do que suficiente, mas muito pouco práticas no o dia a dia. Ainda assim, existe um botão nas costas do banco do condutor que, quando parado, permite ao passageiro de trás, regular o banco do condutor para “encontrar” o seu espaço. Aqui, o espaço para joelhos é bom, mas limitado em altura, e um quinto passageiro não é tão bem recebido. Convém recordar que estamos perante um automóvel citadino, até porque a sua autonomia é limitada… Ainda assim temos 366 litros de capacidade de bagageira, que não comprometem.

Automóvel com baterias, e não uma bateria com rodas!

Passemos à condução. O objetivo dos técnicos japoneses para o Mazda MX-30 foi o de conceber um automóvel elétrico, com uma experiência muito similar à de um automóvel de motor térmico. Se conseguiram? Eu diria que sim! Aliás, surpreendentemente a condução foi precisamente o ponto que mais gostei deste Mazda elétrico. Uma coisa posso afirmar. É, com toda a certeza, diferente dos restantes.

O MX-30 introduz na Mazda uma nova tecnologia de propulsão elétrica, adotando a designação e-Skyactiv. Com uma potência máxima de 145 cv, e um binário máximo de 270 Nm aplicado às rodas dianteiras, o Mazda MX-30 não é dos elétricos que mais surpreende pela aceleração instantânea. Os seus atributos são outros. A bateria é de apenas 35,5 kWh, não só devido a uma poupança ambiental, mas também porque a Mazda entende que os 200 km de autonomia anunciados (265 em cidade) são mais do que suficientes para a utilização citadina. De tal forma que, o bom ângulo de viragem é aqui uma enorme mais valia.

A condução surpreende, bem como a dinâmica

O que sucede na prática é que raramente vemos o computador de bordo a marcar mais de 170 km de autonomia com as baterias totalmente carregadas. Depois, há o sistema G-Vectoring Control Plus (e-GVC Plus) que recorre à mecânica para melhorar a performance do chassis, garantindo o controlo do binário, e o sistema de som que a Mazda desenvolveu para imitar o som de um motor de combustão, sincronizando-o com a rotação do motor elétrico.

Se acrescentarmos a isto umas patilhas no volante que permitem ajustar as características do binário e a regeneração de energia em cinco níveis, temos um automóvel que, ao contrário de muitos elétricos, emociona durante a condução. Para além de dinâmico, o som que emite permite uma maior envolvência na condução que se ao princípio se estranha… depois entranha-se! Ainda que estejamos perante um elétrico, o som está bem conseguido tanto em aceleração, como em redução, sem nunca ser exagerado ou incomodativo. Gostei do primeiro elétrico com som do motor!

Muita dinâmica, pouca autonomia

O sistema de condução com um pedal, através da regeneração, também está desenvolvido com o intuito de conseguir uma melhor experiência, sem desacelerações demasiado fortes, e a calibração dos travões, ponto crítico nos modelos elétricos, está também ela bem conseguida.

Por fim, e com todos estes fatores, é de facto difícil conseguir atingir a autonomia anunciada, mas controladamente é possível chegar aos 200 km. Mais do que isso já é preciso “o vento a favor”. Podemos carregar o Mazda MX-30 com recurso a potência AC (doméstica) até aos 6,6 kW, indo dos 20% aos 80% em até três horas. Com potência DC, por exemplo num posto de carregamento rápido, demoramos cerca de 40 minutos. No nosso caso prático, num posto de carregamento rápido, demoramos 46 minutos para carregar dos 7% aos 82%.

Conclusão

O primeiro modelo 100% elétrico da Mazda destaca-se acima de tudo por um interior de qualidade, com materiais que agradam e se adequam ao conceito, e por uma boa dinâmica aprimorada com um bom acerto de chassis, suspensão e travagem, incentivada a explorar pelo som sintetizado, mas bem conseguido do motor. Sai apenas beliscado pela autonomia limitada e pelo sentido pouco prático da solução das portas traseiras.

Ficha Técnica

Cilindrada

270 Nm

Binário Máximo

145 cv

Potência

Cilindrada

9,7 s

0-100 KM/H

140 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

19 kWh/100 km

Combinado

17 kWh/100 km

Registado

Cilindrada

34 540€

Base

34 540€

Ensaiado


Thumbs UpCondução. Materiais. Construção

Thumbs DownAutonomia. Portas traseiras.