Nissan Leaf vs Hyundai Ioniq EV. Guerra elétrica!

Ambos recentemente renovados, Nissan Leaf e Hyundai Ioniq são referências quando se fala em carros elétricos. Confrontámo-los neste comparativo.

Hyundai Nissan
Segmento C
Nissan Leaf vs Hyundai Ioniq EV

Em 2011 a Nissan foi pioneira com o Leaf como o primeiro modelo 100% elétrico de produção em série. Agora, na segunda geração, o que não falta no mercado são alternativas, resultado da massiva e imposta eletrificação das gamas dos construtores e das limitações impostas aos níveis de poluição. A concorrência mais apertada vem do grupo Hyundai com modelos como Ioniq, também recentemente renovado. Está dado o mote para uma guerra elétrica, o comparativo entre o novo Nissan Leaf na versão 30kWh e o novo Hyundai Ioniq EV. Carregadas as baterias, e depois de alguns quilómetros em cidade, fomos para a estrada… Destino? Évora!

Os veículos elétricos têm efetuado uma caminhada lenta mas decisiva para adquirirem um peso significativo no parque automóvel europeu e nacional. Um dos segmentos no qual os construtores mais dedicam esforços é o dos familiares compactos, onde se inserem os dois protagonistas deste comparativo. Juntamos aquele que dispensa apresentações, com o recém-renovado Hyundai Ioniq, numa altura em que o esforço de eletrificação no grupo Hyundai/Kia é substancial.

Não nos ficámos pela cidade… Fizemos cerca de 400 km em cada um dos modelos durante este comparativo

O Nissan Leaf tem uma nova geração no mercado desde 2018, e atualmente tem uma versão equipada com bateria de 62 kWh denominada de Leaf e+, no entanto para este comparativo escolhemos a versão equipada com a bateria de 40 kWh. A verdade é que é suficiente para a maioria das deslocações e o seu concorrente está apenas disponível com uma nova bateria de maior capacidade, agora com 38,3 kWh. No que diz respeito a números, nomeadamente aos únicos que parecem interessar quando se fala de carros elétricos, o Nissan anuncia uma autonomia de até 270 km (WLTP), enquanto a Hyundai reclama para o novo Ioniq 311 km de autonomia (WLTP).

No que diz respeito a níveis de equipamento, o Leaf em ensaio chega até nós na versão Tekna, a mais equipada. Já o Ioniq é apresentado em apenas uma versão de equipamento, mas que não fica atrás no rival japonês.

Espaço e versatilidade

Como qualquer familiar que se preze, as cotas de espaço interior são importantes. Neste primeiro ponto o Hyundai sai na frente. O espaço nos lugares traseiros é superior no modelo da Hyundai, enquanto o Leaf sai prejudicado por um piso demasiado elevado devido à colocação das baterias. A altura das pernas dos passageiros é relevante, pois tanto o Leaf como Ioniq possuem uma construção tipo “sandwich” com as baterias no fundo do veículo. Assim, as pernas dos ocupantes no Ioniq têm uma posição bastante mais natural.

No que respeita à versatilidade, o Hyundai volta a marcar diferença com o apoio de braço traseiro e as saídas de climatização atrás, ambas ausentes no Leaf. O modelo da Hyundai ganha ainda vantagem no maior espaço de arrumação para os lugares da frente.

O Hyundai Ioniq revela um interior mais espaçoso e “normal”

Os interiores de Leaf e Ioniq são razoavelmente bem construídos e não encontramos quaisquer ruídos parasitas, algo demasiado importante neste tipo automóvel. Isto é resultado do bom trabalho de insonorização realizado em ambos, crucial em modelos alimentados por baterias, desprovidos de motores a combustão e mecânicas que tendem em fazer mais ruído. No que respeita aos materiais usados, encontramos uma mistura de plásticos moles no tablier ao nível da vista, e mais rígidos em tudo o resto, tal como nas portas. A mistura de pele e Alcantara dos bancos do Leaf ajuda a elevar a sensação de qualidade a bordo.

No que diz respeito a bagageiras, ligeira vantagem para o Leaf com 385 l, enquanto o Ioniq se fica pelos 357 l. No entanto, a altura da bagageira, mais elevada no Leaf, bem como o alçapão e o piso plano após o rebatimento dos bancos, permitem ao modelo coreano empatar esta componente do comparativo. A vantagem no espaço e na versatilidade dão ao Ioniq argumentos suficientes para levar esta categoria de vencida.

Potência e travagem

Em modelos 100% elétricos como estes em comparativo, o comportamento não assume um papel relevante, no entanto, ambos são muito fáceis de levar em qualquer circunstância, com a rápida resposta ao pé direito, cortesia do binário imediatamente disponível a permitir uma condução fácil e relaxada. Se o Leaf dispõe do sistema e-pedal que aumenta o nível de regeneração de tal forma que permite que seja conduzido apenas com o pedal do acelerador. Enquanto isso a solução da Hyundai é igualmente interessante já que são usadas as típicas patilhas da caixa de velocidades, aqui ausente, para aumentar e diminuir o nível de regeneração da bateria. No Nissan o nível é controlado através do seletor de marcha, colocando-o na posição B.

O Nissan Leaf esmaga o seu adversário na hora de “espremer” os eletrões

Em ritmos mais altos, e como seria expectável, nenhum se sente particularmente à vontade, sobretudo se puxarmos pelos baixos limites de aderência dos pneus ecológicos montados em ambos. Com 150 cv, o Nissan Leaf é sempre mais rápido em acelerações e recuperações do que o Hyundai Ioniq, com 136 cv. No que respeita à travagem os dois modelos em comparativo equivalem-se novamente mas a sensibilidade do pedal do Leaf é melhor e mais fácil de dosear. A regeneração do Ioniq é sempre mais brusca na metade final do curso do pedal, com pouco ataque, ainda que seja este o melhor gestor da regeneração. O melhor andamento e a vantagem no capitulo da travagem permitem ao Nissan Leaf liderar esta categoria do comparativo.

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Equipamento para dar e vender

Presentes neste comparativo em versões muito equipadas, Ioniq e Leaf possuem um alargado conjunto de equipamentos de série de onde destacamos os sistemas de navegação com conexão Android Auto e Apple Carplay, a iluminação LED, os sensores de estacionamento e o cruise-control com radar de distância. O Leaf acrescenta as câmaras 360º mas a resolução e nitidez das mesmas tem margem para melhorias. Pormenores como bancos aquecidos são também possíveis de encontrar em ambos e o modelo japonês dispõe ainda de volante com esta mesma função. O travão de mão elétrico faz também parte do equipamento de ambos.

No Ioniq a câmara traseira tem excelente imagem mas não possui sensores de estacionamento na frente. Neste particular nenhum dos modelos tem vantagem até porque os únicos opcionais são as pinturas metalizadas.

No que respeita à tecnologia, alem da já referida conexão para smartphones, registamos que o visual do info-entretenimento do Ioniq é mais moderno, tal como a consola central tátil, mas que mantém botões individuais para a climatização. O Hyundai destaca-se também por possuir Auto-Hold e carregador sem fios de série ao passo que o Nissan contrapõe com uma App que permite gerir os carregamentos e várias outras funções do automóvel à distância.

Comparativo Nissan Leaf vs Hyundai Ioniq 66

Em qualquer um deles é possível utilizar os postos de carregamento rápido. 30 minutos carregam cerca de 80%, depois é preciso outro tanto para carregar os restantes 20%.

Atraiçoados pelas baterias

Em zonas de mau piso o modelo coreano leva vantagem, com uma afinação de suspensão ao qual não é indiferente o menor diâmetro das rodas, mais suave e menos propicia a pancadas. Onde verificamos uma diferença clara é na posição de condução. Com as baterias arrumadas no piso do veículo a posição de condução é mais alta do que seria de esperar, no entanto, no Nissan o banco nunca desce tanto quanto deveria e o volante não possui regulação em profundidade. O resultado desta combinação de fatores é que o volante está demasiado baixo face ao banco ao passo que no Hyundai a amplitude de regulação permitida é maior, permitindo uma melhor posição de condução.

Num automóvel elétrico o sistema propulsor não emite qualquer ruído, nem calor, o que atribui uma importância reforçada aos sistemas de climatização, particularmente à bomba de calor e à insonorização realizada pelos fabricantes. Se quanto à climatização o resultado é positivo em ambos, na insonorização o modelo coreano revelou-se mais isento de ruídos aerodinâmicos. O conforto e a melhor posição de condução dão a vitória ao Hyundai Ioniq neste capitulo.

Elétrico = Economia

Numa utilização urbana e em estrada registamos sempre consumos mais baixos no Hyundai Ioniq face ao Nissan Leaf. O modelo japonês revela médias sempre próximas dos 17 kWh, enquanto o coreano consegue-se ficar entre os 13 e os 14 kWh. Em cidade, mas sabendo tirar partido da utilização de um carro elétrico, é possível reduzir cerca de 3 kWh em qualquer um deles.

Se o Nissan tem o modo Eco, o modelo coreano tem vários modos disponíveis que vão do Sport ao Eco+. Adicionalmente, e como já referimos, o Ioniq permite regular a intensidade da regeneração em três níveis através das patilhas no volante. Esta preocupação com a gestão da energia permite ao Hyundai obter uma maior autonomia que a do seu rival de ocasião. Os dois oferecem garantias extensas, cinco anos no caso do Nissan e sete anos para o Hyundai.

Preço não é tudo

Por fim, no que respeita ao preço, o Nissan Leaf Tekna está disponível por 36 000 €, já incluindo um incentivo de 3000 € e uma wallbox de 3,7 kW, um valor mais competitivo face aos 40 043 € do Hyundai Ioniq EV.

Nenhum dos valores pode ser considerado baixo face a um modelo a combustão equivalente, mas as empresas têm vantagens fiscais na aquisição. A Nissan disponibiliza duas versões de equipamento inferiores para o Leaf, Acenta e N-Connecta. Isto possibilita a compra do modelo nipónico por um valor abaixo dos 30 000 €, uma importante vantagem.

E o vencedor é…

Com melhores consumos e um período de garantia maior, nem o preço mais baixo do Leaf é suficiente para vencer o Hyundai Ioniq na categoria referente à economia. Os melhores consumos do Ioniq desequilibram a balança a seu favor, pois o preço inferior do Leaf é contrabalançado pela garantia superior do seu oponente.

Por fim, a votação efetuada no Instagram junto dos nossos seguidores deu a preferência ao Nissan Leaf na componente estética, atribuindo-lhe um ponto extra no comparativo. Não foi no entanto suficiente para destronar o Hyundai Ioniq EV que vence assim este comparativo com uma pequena margem e confirmando o título que lhe foi entretanto atribuído de “elétrico do ano”.

Nissan LEAFHyundai Ioniq EV
7,8 / 12,5INTERIOR8 / 12,5
5,1 / 10DINÂMICA4,8 / 10
7,9 / 10CONFORTO8,5 / 10
9,8 / 15ECONOMIA10,8 / 15
1ESTÉTICA0
31,5 / 50TOTAL32,6 / 50

Conclusão

Apesar de ter sido o pioneiro e ter contribuído decisivamente para a democratização dos veículos elétricos, a renovação que a Nissan deu ao seu Leaf não foi suficiente para ganhar este duelo. Vindo da Coreia, o Hyundai Ioniq sofreu uma remodelação cirúrgica em termos estéticos mas não só. A nova bateria de maior capacidade e a melhor eficiência que demonstrou, permitem-lhe desequilibrar este comparativo, com vitórias no interior, no conforto e na economia, categorias com maior ponderação. O Nissan Leaf venceu apenas na dinâmica o que, na nossa opinião, é menos relevante neste tipo de proposta.

Ficha Técnica

Cilindrada

320 vs 295 Nm

Binário Máximo

150 vs 136 cv

Potência

Cilindrada

7,9 vs 9,9 s

0-100 KM/H

144 vs 165 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

20,6 vs 11,5 kWh/100 km

Combinado

16,6 vs 11 kWh/100 km

Registado

Cilindrada

31 000€ vs 40 043€

Base

36 200€ vs 40 563€

Ensaiado