Combustíveis caros? E carregar um elétrico na rede pública? Em quanto fica?

Não é “ser do contra” nem querer “remar contra a maré”, é apenas alertar para o facto de que carregar um elétrico na rede pública, pode sair caro!

Poucas coisas já me surpreendem na vida e tendo a consciência que, apesar do meu amor profundo pelas mecânicas inventada por Nicholaus Otto e Rudolf Diesel, teremos mesmo de fazer algo pelo ambiente, uma fatura de eletricidade atirou-me ao chão. Mas claro, a culpa está longe de ser minha, ou sequer dos automóveis que, no total, consumiram 66,6 kWh. A culpa é sempre dos mesmos…

Andar com automóveis híbridos Plug-In ou 100% elétricos passou a ser uma constante nesta profissão que abracei há mais de 30 anos. Por via disso, solicitei um cartão de carregamento a uma empresa de prestação desses serviços que, para este caso, pouco importa qual é. Usando algumas vezes as facilidades e descontos oferecidos por uma empresa de distribuição, fui forçado a carregar os elétricos na rede pública e privada com o dito cartão.

Agradado com a facilidade com que ligamos os cabos, passamos o cartão pelo leitor e o carro acaba com a bateria carregada, estive sempre à espera de uma pancadita no dia em que chegasse a fatura.

Pois bem, ela chegou e asseguro-vos que fiquei sem gota de sangue quando os dígitos saltaram à vista e riram-se de forma provocatória na minha face: 51,25€ era o valor da fatura. E para que o cliente não sinta uma mão marota a mexer-lhe nos bolsos, a dita empresa coloca lado a lado com a faca que nos apunhala o descritivo da fatura com o valor que cobra a empresa, mais as taxas e o IVA.

Contas feitas…

Torci o nariz e avancei para a segunda página onde encontrei a justificação para tão gorda fatura. Com um preço de 0,163€ por kWh (em vazio) os 30,081 kWh abastecidos custaram-me 4,01€ porque a empresa fez-me um simpático desconto de 0,89€. Já os 33,519 kWh abastecidos fora do Vazio custaram, cada um, 0,213€, um total de 5,86€ graças a mais um generoso desconto de 1,28€ feito pela empresa.

Contas feitas, fiz 11 carregamentos que foram onerados, depois, com a Tarifa EGME (entidade gestora de mobilidade elétrica) de 0,17€ por carregamento. Ou seja, 1,82€ sem direito, claro, a desconto. Apurada a soma, os 66,6 kWh que utilizei custaram 12,04€ que com o desconto de 2,17€ ditaram um valor final de 9,87€ mais 1,82€ da Tarifa EGME.

Quer isto dizer que a minha fatura seria de 11,69€, mais IVA, num total de 14,38€. Isto para 66,6 kWh o que me permitiria fazer quase 400 km com um carro 100% elétrico e um consumo médio a rondar os 17 kWh/100 km. Mais barato que utilizar um carro a gasolina que com um consumo de 5 l/100 km me levaria a gastar 28,5€ para a mesma autonomia.

À mesma conclusão chegou o meu colega Júlio Santos, de acordo com a reportagem emitida ontem pela SIC.

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Só que…

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Mas… o demónio está nos detalhes que, neste caso se chama, OPC, que significa operadores de postos de carregamento. E para os 11 carregamentos que efetuei, esses operadores cobraram 29,92€! Sim, leu bem, paguei 29,92 € pela utilização dos postos de carregamento!

Contas feitas, antes do IVA, a fatura de 66,6 kWh ficou em 41,61€, sendo que esta taxa de utilização dos postos representa, grosso modo, 70% da fatura. Com efeito, a eletricidade que realmente utilizei ficou, antes de impostos, por meros 9,87€!

Queixa-se do preço da gasolina e do gasóleo? A fatura referente a carregar um elétrico na rede pública pode também não ser nada agradável…

Portanto, ficaria mais barato se para fazer 400 km tivesse utilizado o meu carro a gasolina. Nesse caso, já com IVA, gastaria pouco mais de 30€, contra os 51,25€ da eletricidade nos postos públicos.

Obviamente que a transição energética terá custos e que a energia será cada vez mais cara, sofrendo nos bolsos de todos. Porém, fica claro que a ganância e a desfaçatez já estão em campo. Se não houver regulamentação nos valores que as entidades responsáveis pela operação e manutenção dos postos de carregamento podem cobrar pela utilização, vai ser um fartar vilanagem.

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Para carregar em casa pode utilizar o carregador “standard” do construtor, mas provavelmente não aproveitará a potência máxima do local. A maior parte encontra-se limitado 10A, que corresponde a 2,4 kW de velocidade. O ideal será utilizar uma solução que permita ter uma maior velocidade de carregamento, a partir de 3,7 kW, até ao limite permitido pelo carro em corrente AC.

A falta de vergonha é um estatuto e a mão marota que nos entra no bolso já nem se esconde. Querem nos vender a mobilidade elétrica como a solução mágica para todos os problemas do meio ambiente, uma mentira que está aos olhos de todos e que se prolongará no tempo enquanto for tema que ofereça votos.

Por fim apenas destacar que estes valores correspondem a carregar o elétrico na rede pública de carregamento, cujos valores variam consoante o local, a hora, o carro e o carregador. As contas seriam bem diferentes se os referidos 66,6 kWh tivessem sido consumidos na minha habitação, é certo. Não tenho dúvida nenhuma que se assim fosse compensaria o elétrico, por enquanto…

Mas a verdade é que afinal, nem todos temos condições para o carregamento do automóvel em casa, e para esses… é preciso fazer bem as contas!

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