Boticas. Onde o barroso guarda os seus segredos.

Boticas é daqueles lugares que não pedem licença para nos conquistar. Aventurámo-nos por lá ao volante do novo Dacia Bigster, e fomos descobrir tudo o que Boticas tem para contar.

Portugal tem recantos que não pedem licença para nos conquistar e Boticas é um deles, sedutora com a sobriedade granítica das suas casas, a beleza impressionante da sua paisagem e um silêncio que não é vazio, mas cheio de história. E que melhor ponto de partida para este roteiro, ao volante do novo Dacia Bigster, do que a Câmara Municipal, o coração cívico da vila, de onde se irradia tudo o que Boticas tem para contar?

As origens de Boticas perdem-se na bruma dos tempos. Os abundantes castros pré-históricos e os variadíssimos monumentos romanos espalhados pelo concelho atestam uma presença humana milenar neste território. Sob D. João I, as Terras de Barroso passaram para as mãos de Nuno Álvares Pereira, permanecendo depois na posse dos Duques de Bragança. Assim, só em 1836, através do Decreto de 6 de novembro, Boticas se tornou concelho autónomo, com freguesias desanexadas das vizinhas Chaves e Montalegre. Uma emancipação tardia no papel, mas a maturidade desta terra era já antiga.

Dacia Bigster ajudou a desenhar este roteiro 360º

Decidimos conquistar Boticas ao volante do Carro do Ano 2026 em Portugal. Estamos a falar, dessa forma, do Dacia Bigster, aqui na sua versão híbrida com 155 cv e tração às rodas dianteiras. O que significa que este roteiro não exibe dificuldades intransponíveis para o sistema eletrónico que ajuda na gestão do binário em situações mais escorregadias. Nem para veículos de tração a apenas duas rodas.

Graças ao motor de 1.8 litros, a suavidade do Bigster é imensa e a parte elétrica é tão bem gerida que nem conseguimos perceber se rolamos com ajuda do motor térmico ou elétrico. Certo é o conforto e bem estar a bordo, bem como a muito boa posição de condução. A escolha do carro para fazer este roteiro foi totalmente acertada!

Por outro lado, porque Boticas fica no coração de Trás-os-Montes sugerimos que faça a viagem de véspera e se instale no Boticas Hotel Art & Spa. Desfrute do Spa e das piscinas, relaxe e, depois, parta para a aventura. Ohh! verá que temos razão…

Para lá do Marão…

Diz-se que “para lá do Marão, mandam os que lá estão” numa alusão clara ao isolamento promovido pela Serra do Marão, hoje muito mitigado pelo rasgar de túneis e estradas que nos aproximam mais de Trás-os-Montes. E permitem desfrutar do verde hipnotizante da paisagem e da delícia da gastronomia.

Para além disso, há muito a descobrir no concelho de Boticas. As Termas de Carvalhelhos, com as suas águas com propriedades curativas e indicadas para o tratamento de problemas de pele e do aparelho digestivo, são ponto de visita obrigatório.

Cultura viva no coração da pedra

Por outro lado, o património de Boticas está muito ligado à identidade da região do Barroso, marcada por tradições rurais, arquitetura granítica e uma forte ligação à terra. O Museu Rural integra o Ecomuseu de Barroso e preserva a memória das práticas agrícolas, dos costumes e do modo de vida das comunidades locais.

Dessa forma, um dos espaços culturais mais emblemáticos do concelho é o Centro de Artes Nadir Afonso, dedicado ao pintor e arquiteto natural da região, que se destaca pela sua arquitetura contemporânea e pelas exposições de arte moderna. Tradição e vanguarda a coexistir, como só acontece nos lugares com verdadeira identidade. Com igual gabarito, o CEDIEC, Centro Europeu de Documentação e Interpretação da Escultura Castreja, reclama uma visita o mesmo acontecendo com a lista de todos os monumentos religiosos de Boticas.

O Senhor do Monte: fé no alto dos ventos

Assim, como já referimos, o centro deste roteiro é a Câmara Municipal de Boticas. Saímos da vila em direção a Valdegas, onde nos espera o Santuário do Senhor do Monte. A sua origem remonta a 1817, quando Domingos Pereira ergueu um cruzeiro no sítio dos Seixos da Pena, junto ao caminho dos almocreves que faziam a permuta de produtos entre a Ribeira de Oura e o Barroso. Dessa forma, a fé cresceu com a frequência dos caminhantes e, em 1821, começou a construção da Igreja do Senhor do Monte, tornando-se a romaria do último domingo de julho a maior festa religiosa do município. Lá em cima, entre o vento e a pedra, percebe-se por que razão tantas gerações subiram e continuam a subir este monte à procura de proteção.

Baloiço de Rebordondo permite observar o Tâmega

Seguimos, assim, para um dos pontos mais fotogénicos e inesperados da região: o Baloiço de Rebordondo. Também conhecido como o balanço do Tâmega, pertence à comunidade local dos Baldios de Rebordondo e oferece uma vista panorâmica deslumbrante sobre a montanha e a paisagem envolvente. Dessa forma, o acesso faz-se por estrada de terra batida, o que só aumenta a sensação de descoberta, ampliada por estarmos ao volante do Dacia Bigster. Quem se atreve a se sentar e balançar sobre o vale, com a imensidão barrosã à frente, percebe que há recompensas que só chegam a quem se aventura. Dessa maneira, chegou a hora de pegar no Dacia Bigster e cumprir o caminho de regresso a Boticas.

Sente-se à mesa com o Barroso

Porém, nenhuma viagem a Boticas se completa sem render homenagem à sua gastronomia. Destaque para a vitela barrosã, o famoso Cozido à moda do Barroso, os enchidos, o presunto e o Mel de Barroso. As trutas recheadas com presunto são também um ex-líbris da cozinha local, a par do pão de centeio, da bola de carne e do folar.

E depois há o vinho. O “Vinho dos Mortos” nasceu em 1808, quando o povo escondeu as suas garrafas enterradas nas adegas para as proteger das invasões francesas. Ao desenterrá-las, descobriram que o vinho estava mais saboroso, com propriedades novas e uma leve gaseificação natural. Uma história de resistência com final feliz — e muito bom gosto.

Este roteiro fecha como começou, de volta à Câmara Municipal de Boticas, com a certeza de que este recanto do Barroso merecia muito mais tempo do que lhe demos. É assim com os lugares verdadeiros: seguem connosco quando partimos e deixam o desejo de voltar. Rapidamente!

Onde Comer?