SEAT vs CUPRA Ateca. Mais do que farinha do mesmo saco?

SEAT Ateca e CUPRA Ateca. Será que as diferenças entre eles vão além da imagem, ou serão apenas “farinha do mesmo saco”? Foi o que descobrimos ao volante dos dois modelos.

CUPRA SEAT
C-SUV SUV
SEAT Ateca 2.0 TDI DSG 4WD FR vs CUPRA Ateca 2.0 TSI DSG 4WD

O Ateca não só foi o primeiro SUV da SEAT, como foi também o primeiro modelo a receber o logótipo CUPRA. Para além disso, é também o SUV que representa um maior número de vendas na gama do construtor que inclui também o Arona e o Tarraco. Apesar de estarmos prestes a conhecer uma renovação, o modelo conseguiu em 2019 um marco histórico desde que foi lançado, em 2016, tendo vendido mais de 90 mil unidades na Europa.

Mas no extenso portefólio de marcas do grupo Volkswagen, a SEAT tem assumido o desígnio estratégico de representar uma imagem mais desportiva dentro das gamas onde concorre. Para esse efeito, desde 1996 que lança para o mercado modelos com a designação CUPRA, acrónimo de CUP-RAcing. Tradicionalmente são as versões mais desportivas dentro de cada gama e que já fazem parte da história dos 70 anos do construtor, celebrados este ano.

Contudo, em 2018 a SEAT anunciou a emancipação da CUPRA. Assim, esta passou a ser uma marca independente, com identidade própria, logótipo, e uma área de cliente com desenho diferenciado dentro dos pontos de venda da marca espanhola. Decidida a produzir modelos específicos, como é o caso do Formentor, a CUPRA iniciou-se no entanto com modelos provenientes da casa mãe. O primeiro produto foi precisamente o CUPRA Ateca, baseado no SUV de gama média da SEAT. A poucos dias de conhecermos, “ao vivo e a cores” o novo SEAT Ateca, ainda tivemos oportunidade de juntar o SUV espanhol com as duas identidades. SEAT Ateca e CUPRA Ateca. Mais do que outro logótipo, fomos perceber realmente as diferenças e até que ponto a personalidade própria do CUPRA lhe confere um comportamento distinto.

2.0 TDI vs 2.0 TSI

De um lado o SEAT Ateca FR equipado com o motor 2.0 l TDI de 190 cv, acompanhado da tração integral 4Drive e da caixa automática de sete velocidades DSG. Nesta configuração mantém todos os atributos familiares que o caracterizam, como um espaço nos lugares traseiros de bom nível, e apesar de uma redução de 510 l para os 485 l de bagageira nas versões 4Drive.

Com a caixa DSG a ajudar, com passagens rápidas, o Ateca revela um comportamento suave mas também despachado, com comandos precisos que agradam. A posição de condução é muito boa (regulações amplas), com os bancos desta versão FR a ajudar em grande parte. O motor Diesel de 190 cv garante performances suficientes, sem nunca parecer “um foguete”, e a tração integral não só facilita em percursos fora de estrada, como garante uma segurança acrescida, sobretudo em pisos escorregadios.

Nesta versão FR destaca-se um carácter mais desportivo, com vários apontamentos estéticos que o tornam mais atraente, nomeadamente os pára-choques e as jantes de liga leve. No interior encontramos outros pormenores, como o pesponto de cor e os referidos bancos desportivos com mais apoio lateral.

A versão FR na gama SEAT não só é a mais apelativa em termos estéticos, como é a que tem mais equipamento de série.

Do outro lado, e com um motor 2.0 l TSI a gasolina, temos o CUPRA Ateca a ostentar uma ficha técnica mais interessante, desde logo pelos 300 cv de potência, mas também pelos 400 Nm de binário. Um hot-SUV com especificações idênticas ao VW T-Roc R já ensaiado. Mas haverá mais do que apenas um motor a gasolina mais potente? O CUPRA Ateca conta também com um sistema de tração integral Haldex, e a mesma caixa automática DSG de sete relações. Naturalmente, o motor a gasolina destaca-se pelas suas performances, mas também o trabalhar é naturalmente mais interessante, até porque o 2.0 Diesel do Ateca não prima pelo refinamento. A caixa DSG dá um contributo na hora de explorar a potência do CUPRA, ainda que as patilhas de comando no volante pudessem ser um pouco maiores.

SEAT vs CUPRA

Exteriormente é fácil encontrar algumas diferenças deste CUPRA, face ao SEAT, mesmo nesta versão FR, e que não se ficam pelo logótipo de ambas as marcas. O CUPRA naturalmente conta com apêndices estéticos e aerodinâmicos que sobressaem. As jantes têm uma cor acobreada que o caracterizam e diferenciam desde logo. Na traseira, encontramos quatro generosas saídas de escape que não deixam dúvidas, até porque se fazem ouvir com voz grossa. O SEAT, nesta versão FR, apresenta as guarnições das cavas das rodas à cor da carroçaria com as zonas inferiores dos para-choques e embaladeiras a contrastar.

Dentro do CUPRA Ateca somos recebidos por uns bancos tipo baquet de excelente apoio lateral, revestidos a Alcântara. Já o volante é exatamente igual ao do SEAT Ateca FR, excetuando o logótipo. Ambos se tentam adaptar às condições do piso e da vontade do condutor com vários modos de condução, onde se inclui em ambos o modo Off-Road. Aqui, poucas diferenças saltam à vista, ou mesmo nenhumas… Não sendo nenhum deles um SUV apto para grandes aventuras fora de estrada, ambos permitem sair de situações mais delicadas sempre que uma das rodas perde o contacto com o chão.

O sistema 4Drive, recorrendo a um diferencial Haldex ao invés de um sistema de tração integral permanente , permite ainda assim várias aventuras.

No que diz respeito à suspensão, também ambos revelam o mesmo pisar com um amortecimento firme, por vezes demasiado “seco” mas que não compromete o conforto, ainda que aqui contemos com generosas jantes de 19″ também em ambos. Apesar da preferência do CUPRA por estradas de asfalto, a diferença de 10 mm na altura ao solo entre os dois modelos não é percetível, até porque o SEAT já revela também uma redução de 10 mm face às versões despidas da sigla FR.

CUPRA, desde 1996

O Ateca prima por um comportamento dinâmico de referência sem esquecer uma boa agilidade em cidade e um conforto de rolamento imprescindível em viagens para uma utilização familiar, onde a boa habitabilidade também sobressai.

Em condução desportiva o CUPRA Ateca tem, obviamente, atributos distintos do seu “irmão”. Estes não se ficam apenas pelos ritmos que permite, mas também pela forma como é possível reduzir o andamento, devido aos travões Brembo majorados com pinças de quatro êmbolos. O modo CUPRA tenta elevar a experiência com um amortecimento ainda mais firme e uma resposta mais célere, mas os génes do Ateca acabam por vir ao de cima, ainda que a direção precisa e os movimentos controlados da carroçaria permitam algum entusiasmo.

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A suspensão adaptativa DCC faz um trabalho meritório quando os pisos são mais degradados, mas sofre para controlar a massa do CUPRA Ateca em estradas mais retorcidas. Ter uma afinação radical e, consequentemente, mais penalizadora do conforto não foi uma prioridade para os técnicos da marca. Por fim, os pneus Bridgestone Turanza T005 que equipavam a unidade testada são demasiado estradistas para o que podíamos pedir do CUPRA, ainda que não comprometam de todo a segurança.

Comum aos dois modelos é a tendência significativa para um aumento de consumos ao imprimir andamentos mais céleres. Se no caso do CUPRA, eram esperados os valores registados de 12 l/100 km para tirar partido dos 300 cv de potência, no caso do SEAT com o bloco Diesel é mais difícil de entender valores na ordem dos 9 l/100 km…

O veredito

Com um bom comportamento dinâmico, um aspeto moderno e apelativo e uma qualidade assinalável a par de um preço competitivo, o Ateca revela-se um bom produto em qualquer uma das suas versões. O CUPRA inegavelmente assume atributos de um SUV rápido, dinâmico q.b, e com boa habitabilidade e conforto para a família. Um bom compromisso com uma exclusividade acrescida. No entanto, e neste primeiro exercício da nova marca desportiva, não encontramos um carácter próprio para a divisão desportiva da SEAT. Se a componente estética é distinta, a verdade é que as alterações feitas pela CUPRA no modelo Ateca não lhe conferem uma atitude significativamente diferente ou melhor, à parte naturalmente da imagem e potência.

Assim, temos mesmo de esperar pelo CUPRA Formentor, o primeiro modelo nascido no “mundo CUPRA”, para perceber aquilo que a CUPRA será capaz de fazer, aqui não apenas com uma identidade própria mas, esperamos nós, com um carácter distinto, uma afinação mais expressiva, quiçá extrema para vir a fazer parte da história do construtor, marcando o virar de página do nome CUPRA.

Conclusão

Independentemente da marca, o Ateca é um produto maduro que revela qualidades em todas as vertentes. O CUPRA, com uma imagem mais distinta e um carácter mais desportivo, não é no entanto capaz de revelar uma identidade própria afastando-se das suas origens. É um hot-SUV com um bloco bem mais refinado face ao 2.0 Diesel, e um trabalhar que dá gosto ouvir.

Ficha Técnica

Cilindrada

1968 vs 1984 cm3

Cilindrada

400 vs 400 Nm

Binário Máximo

190 vs 300 cv

Potência

Cilindrada

7,6 vs 5,2 s

0-100 KM/H

212 vs 247 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

6,8 vs 8,5 l/100 km

Combinado

8,4 vs 12,3 l/100 km

Registado

177 vs 192 g/km

Emissões CO2

Cilindrada

55 483 vs 56 990€

Base