“Regressei” aos anos 90 com o Twingo Electric. O elétrico que FAZ SENTIDO!

Estive ao volante do “primo” do smart EQ forfour. Acessível, ágil e económico, o que mais se pode pedir de um pequeno citadino elétrico?

Renault
Utilitário
Renault Twingo Electric

O Renault Twingo Electric chega a território nacional como um dos elétricos mais acessíveis do mercado – destronado agora pelo recém-chegado Dacia Spring. Semelhantemente aos objetivos do seu modelo original, o Twingo Electric pretende ser aquilo que é: um automóvel compacto, prático e económico para o dia-a-dia.

Renault Twingo Electric 59

O Twingo Electric é o sétimo modelo elétrico da marca gaulesa, que caminha a passos largos para um futuro mais sustentável, onde a eletrificação é o ponto-chave.

Lançado originalmente no início dos anos 90, o “irreverente” Renault Twingo surge como um automóvel compacto, ágil e económico, estreando um segmento que viria a ganhar bastante popularidade com o aparecimento do Smart. Hoje, volvidos quase 30 anos e 4 milhões de unidades, o pequeno Twingo moldou-se aos requisitos da atualidade.

A mesma aparência, uma nova identidade

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Por fora, o novo Twingo Electric mantém o mesmo formato cinco portas como outro da mesma geração. Até aqui é facilmente confundível, não fossem alguns pormenores estéticos espalhados pelos “quatro cantos”.

Primeiro, nos logótipos “Z.E.” (Zero Emissions), como nas linhas decorativas laterais ou no portão traseiro. Depois, na grelha e contornos dos símbolos das jantes em tons de azul, característicos deste modelo, em combinação com a pintura “azul-céu” (opcional, 320€) desta unidade. E à semelhança do modelo original, também o Twingo Electric pode vir equipado com teto de abrir em lona (950€). Mas ao invés de manual, agora é elétrico, é claro… Venha o Verão!

Já no interior, a “poupança” é evidenciada pela utilização dos plásticos duros, típicos deste segmento. Ainda assim, é possível encontrar alguns pormenores em pele sintética, como nos encostos de braço das portas ou nos bancos em “mix” de pele e tecido. Já as portas apresentam um contraste entre os plásticos pretos e brancos, combinando com os bancos “riscados”.

Da mesma forma, a “economia” faz-se sentir também no painel de instrumentos que, contrariamente ao Smart, dispõe de um ecrã monocromático e um mostrador analógico. No entanto, a leitura mostra-se prática e rapidamente nos acostumamos ao look “retro” deste painel. Também não se pode ter “tudo” quando o preço é mais em conta, claro está!

E para quem não quer deixar de fora a conetividade, ao centro do tablier encontramos um painel de info-entretenimento tátil de 7″ com acesso a Apple Carplay e Android Auto, possibilitado através de duas portas USB.

Prático, como se quer

Dentro do Twingo elétrico não faltam espaços de arrumação. Pequenos esconderijos ou compartimentos onde é possível transportar pequenos objetos do quotidiano, quer seja nas laterais das portas, quer seja por baixo dos bancos traseiros. É pequeno por fora, mas grande por dentro.

Já a bagageira exibe 188 litros de capacidade, com a possibilidade de nivelar os bancos traseiros a 90º, vendo aumentar a capacidade em 31 litros (219 litros). Aumenta a capacidade, mas impossibilita transportar de forma “cómoda” passageiros na fila de bancos traseira. O mesmo acontece normalmente para adultos com mais de 1,70 m, que facilmente encostam a cabeça ao teto. Já os da frente podem ficar descansados, que espaço é coisa que não falta.

Rebatendo os bancos traseiros conseguimos nivelar o piso com a bagageira de forma totalmente plana. Não, não se assemelha ao Twingo original, apelidado por muitos como “o melhor carro para namorar” (e escrito assim até parece estranho), mas não fica longe disso. Bom, mas talvez seja melhor não dar muitas ideias… Ainda assim, torna-se bastante prático e permite ainda “transportar” 980 litros de carga.

E preparado para a “selva urbana”

Tal como o original, o Twingo elétrico pode-se vangloriar de ser um “despachado” na cidade. Não só nas reduzidas dimensões que facilitam no estacionamento, e bom ângulo de viragem em manobras, mas também nas funcionalidades e autonomia elétrica.

Ainda que longe do Renault Zoe, o Twingo Electric permite autonomias de até 270 km em cidade ou 190 km em ciclo completo (WLTP). Para tal, além de depender muito do circuito urbano, é aconselhável recorrer ao modo ECO na maior parte do tempo. Facto que para além de limitar a velocidade máxima a 110 km/h, resulta numa resposta menos pronta do acelerador.

Por outro lado, com o modo ECO desligado, além de ver a velocidade máxima ascender a valores acima do permitido em auto-estrada, permite uma resposta bem mais assertiva do pedal do acelerador, desbloqueando todo o binário disponível. O que significa também que verá a carga descer drasticamente.

Bateria pequena, carregamento rápido

A alimentar o motor elétrico de 82 cv (60 kW) do Twingo Electric está uma bateria de 22 kWh refrigerada a líquido. Graças ao carregador versátil, permite cargas até 22 kWh em corrente alternada (AC), o que acaba por ser a sua grande mais valia. Por outro lado, não suporta carregamentos rápidos através de corrente contínua (DC).

O que talvez nem seja preciso, pois numa “ida às compras” é possível carregar a bateria do Twingo (por exemplo, dos 40 aos 100%) sem ter de “fazer tempo”. Já se a preferência for para carregar em tomada doméstica, aí temos tempos de carregamento mais longos. A saber, os tempos de carga poderão variar entre 15 horas para cargas a 2,3 kWh (doméstico), 8 horas a 3,7 kWh, 4 horas a 7,4 kWh e 1,5 horas a 22 kWh, tal é possível ou com o cabo Flexicharger disponível como opcional (600€), ou com um carregador como aquele que nós aqui utilizamos para carregar todos os carros elétricos e híbridos plug-in, uma solução da empresa ADN Energy.

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Contudo, é possível sempre aproveitar os três níveis de intensidade regeneração do modo “B” e conseguir recuperar alguma da energia em descidas ou travagens.

O carregamento em corrente alterna de até 22 kWh é a grande mais valia do Renault Twingo Electric

No decorrer do nosso ensaio conseguimos um consumo médio de 12 kWh em circuito misto (urbano e auto-estrada), valores que poucos elétricos conseguem alcançar. Na verdade ainda nenhum por aqui passou tão económico. Para além disso, com estes valores é possível alcançar a autonomia anunciada. Ainda que os 200 km de autonomia pareçam “curtos”, a verdade é que o Renault Twingo elétrico continua a fazer sentido nos dias que decorrem, como citadino. Até porque como carrega até 22kWh em corrente alterna (AC), a autonomia pode ser reposta com facilidade.

O preço base é de 22 200€, e que faziam dele “o elétrico mais acessível” até à chegada do Dacia Spring. Ainda assim, torna-se uma excelente opção para quem procura um citadino elétrico com uma boa relação autonomia/preço. Não tem a qualidade nem autonomia de um Renault Zoe, mas ainda assim posiciona-se acima do seu parente smart EQ.

Conclusão

O Renault Twingo Electric faz-nos recordar os anos 90, altura em que a primeira geração do citadino francês chegou para revolucionar a mobilidade urbana. Agora numa vertente 100% elétrica, o Twingo Electric permite uma entrada mais acessível no mercado dos elétricos, onde a sua agilidade, autonomias e tempos de carregamento fazem dele uma opção que revoluciona novamente a mobilidade urbana.

Ficha Técnica

Cilindrada

160 Nm

Binário Máximo

82 cv

Potência

Cilindrada

12,9 s

0-100 KM/H

135 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

12 kWh/100 km

Combinado

12 kWh/100 km

Registado

Cilindrada

22 200€

Base

24 850€

Ensaiado


Thumbs UpAgilidade. Preço. Consumos. Tempos de carga.

Thumbs DownPlásticos duros. Espaço nos bancos traseiros.