Peugeot 208 – Uma caixinha de (boas) surpresas

Candidato ao Carro do Ano 2020, o novo Peugeot 208 revela boas surpresas no que toca a dinâmica de condução e consumos.

Peugeot
Utilitário
Peugeot 208 Active 1.2 PureTech 75 cv

A Peugeot surpreendeu tudo e todos com a apresentação do novo Peugeot 208 no Salão de Genebra de 2019. Chegou mesmo a ser enumerado como o lançamento do ano. Com um design arrojado e totalmente renovado, o novo 208 surge com bastantes trunfos que poderão fazer dele o Carro do Ano 2020, incluindo uma versão 100% elétrica. Será que tem tudo o que é necessário para enfrentar a concorrência?

A marca de Sochaux tem vindo a apostar fortemente no design e inovação dos seus modelos, algo que tem vindo a ser uma realidade ao longo dos últimos anos e que se reflete no seu enorme sucesso, não só no nosso país como em toda a Europa.

O novo Peugeot 208 assenta sobre a nova plataforma CMP (Common Modular Platform), usada também por outros modelos do grupo, como o Peugeot 2008, o DS 3 Crossback ou o Opel Corsa, e que irá ser ainda partilhada por outros modelos futuros do grupo. Consigo traz novas motorizações (sendo uma delas 100% elétrica – denominado Peugeot e-208), mais tecnologia, um novo design e razões de sobra para (con)vencer.

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Será este o Carro do Ano?

À primeira vista é difícil encontrar parecenças com a geração anterior do 208, tendo sofrido alterações a todos os níveis. Mas serão suficientes para convencer o júri do Car of the Year? É algo que iremos saber no próximo dia 2 de março, com os resultados da votação.

A versão que foi posta à prova foi a versão Active, com a motorização a gasolina 1.2 PureTech de 75 cv e caixa manual de cinco velocidades. Tudo isto para tentar perceber se esta motorização e versão serão suficientes para convencer quem quer um automóvel acessível do segmento B, com consumos e prestações capazes de enfrentar os desafios do dia-a-dia.

O interior acaba por ser um pouco mais “despido” do que seria de esperar, face à divulgação que tem sido feita do novo 208, tudo isso de forma a torná-lo mais acessível – se bem que, na nossa perspetiva, com um pequeno “investimento” poderá tornar o 208 um pouco mais apetecível – colocando um i-Cockpit 3D, por exemplo (nesta versão o velocímetro é analógico). Ainda assim fomos surpreendidos, mas lá chegaremos…

O percurso escolhido para o nosso ensaio foi entre Évora e Lisboa.O trajeto permitiu testar as valências do Peugeot 208 de forma mais abrangente, num misto de estrada e autoestrada, de forma a conseguir entender o comportamento em ambas e os seus consumos.

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E começam as (4) surpresas

– O Apple CarPlay (também disponível Android Auto), algo que hoje em dia é quase obrigatório e que nesta viagem deu imenso jeito – neste modelo é de série – que facilmente torna o sistema de info-entretenimento do carro como uma janela para o nosso smartphone. Ponho a banda sonora de fundo e é hora de seguir viagem.

– As ajudas à condução. Sistemas como deteção de sinais de trânsito e a correção de trajetória através da leitura da faixa de rodagem tornaram a experiência mais segura, aliando a tecnologia ao bem-estar e segurança dos ocupantes. 

– Os consumos. Para um motor três cilindros com 1.2 l de cilindrada e uns meros 75 cv (bem espremidos e com muita genica), não esperava um comportamento com consumos abaixo dos seis litros por cada 100 km. Na verdade, no final da experiência, acabámos bem abaixo disso, mas já lá vamos…

– O conforto a bordo. Não que seja o supra-sumo do conforto, mas para um modelo de entrada de gama tanto o habitáculo como a suspensão tornam a experiência bastante agradável, não havendo ruídos exteriores que tornem o ambiente a bordo desconfortável. 

E não fica por aí

Para primeira viagem ao volante, as surpresas não poderiam ser melhores, mesmo sendo a versão mais acessível. Na chegada à capital, os consumos médios ditaram o que eu esperava, um consumo de 6.0 l/100km, algo normal face a esta motorização, num percurso feito na sua última metade em autoestrada (dentro dos limites legais) com o cruise-control sempre ligado. 

Nessa tarde a volta foi feita por terras alentejanas para aproveitar o por-do-sol e fazer uns registos fotográficos ao 208, num percurso em estrada nacional, o que baixou o consumo para os 5,4 l/100 km. Já na volta à capital, e em jeito de tentativa de “espremer” o consumo ao máximo com uma condução descontraída, ditou uma última surpresa

Após uma viagem de cerca de 120 km entre Évora e Lisboa, o computador de bordo registava uns surpreendentes 4,7 l/100 (sim, é verdade, e a foto que se segue comprova tal feito). Se isto surpreendia num carro a gasóleo, num carro a gasolina é quase um feito. 

Peugeot 208 consumo registado

Testámos o elétrico e-208

Num curto contacto, conseguimos ainda testar o novo Peugeot e-208, a versão 100% elétrica do Peugeot 208. Em tudo se aparenta com a versão “térmica”, tanto no interior como no exterior. Mas é na ausência do ruído de motor que se nota, naturalmente, a maior diferença.

A versão mais “verde” do Peugeot 208 anuncia uma autonomia 100% elétrica de até 340 km (regime WLTP) graças à bateria de 50 kWh. O motor de 136 cv e 260 Nm dá bastante bem conta do recado e facilmente nos esquecemos que estamos ao volante de um modelo elétrico, comparativamente aos outros modelos de combustão interna.

Com preços a começar nos 35 750 € (para a versão GT, única disponivel para o e-208), tem boas prestações e uma autonomia que já permite fazer viagens mais descontraídas sem preocupações no carregamento. Num contacto mais alargado em breve teremos uma análise mais aprofundada ao modelo.

Viaturas cedidas pelo concessionário Motorex

Conclusão

Depois de um agradável fim‑de‑semana ao volante do novo Peugeot 208, podemos garantir que a expectativa não saiu defraudada. Mesmo desprovido de alguns opcionais (como o i-Cockpit 3D ou faróis full LED, por exemplo) ou até de uma motorização mais potente, acaba por ser um automóvel capaz de fazer frente aos desafios de uma cidade agitada ou de uma viagem mais longa, proporcionando um ambiente descontraído e divertido a bordo com consumos muito comedidos.

Ficha Técnica

Cilindrada

1199 cm3

Cilindrada

118 Nm

Binário Máximo

75 cv

Potência

Cilindrada

14,9 s

0-100 KM/H

170 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

5.4 l/100 km

Combinado

5.4 l/100 km

Registado

122 g/km

Emissões CO2

Cilindrada

16 200€

Base

16 630€

Ensaiado


Thumbs UpImagem, equipamento disponível, consumos.

Thumbs DownEquipamento de série não incluir i-cockpit