MINI Cooper SE – Elétrico e divertido!

Recorda-se da diversão aos comandos dos carrinhos telecomandados? Assim é este MINI Cooper SE. Diversão garantida, pelo menos enquanto houver bateria…

MINI
100% Elétrico
MINI Cooper SE 3P BEV 184cv

Há muito prometido, o primeiro MINI 100 % elétrico tardou em chegar ao mercado. A primeira versão foi apresentada no Salão de Los Angeles de 2008, ainda sobre a carroçaria R56, mas que nunca chegou a ter luz verde para produção em série. Em 2017, e já sob a nova versão F56, a MINI revela então no Salão de Frankfurt o MINI Electric Concept. É deste concept que ainda conseguimos encontrar alguns pormenores nesta versão final de produção em série do MINI Cooper SE, também conhecido como MINI Electric, e que teve a sua apresentação mundial na nossa cidade de Lisboa. Ainda assim, alguns anos depois…

Do referido concept reconhecemos-lhe de imediato a grelha frontal fechada com o logo “E”, e a cor amarela para alguns pormenores. Existem ainda umas jantes especiais denominadas de Electric Power Spoke , só disponíveis para esta versão, mas não presentes na unidade ensaiada. Para esta versão “Electric” do MINI, existem “packs” com as denominações S, M, L e XL, na mesma lógica de uma peça de roupa. Quanto maior for, mais recheado é o nível de equipamento. Depois, mais um pormenor “aqui e ali” e o resto é um MINI, onde a possibilidade de personalização dá asas à imaginação.

É o caso da unidade que tivemos oportunidade de ensaiar. Bem parecida até com o MINI Cooper S 60 years que já tínhamos ensaiado, ambos na cor British Racing Green, comemorativa dos 60 anos do MINI.

Equipamento do S ao XL

A “nossa” versão M contava com sistema Connected Navigation 6,5″, volante desportivo em pele com multifunções, performance control, bancos dianteiros desportivos, MINI Driving Modes, sensor de chuva e de luz, Ar condicionado automático, cruise control com função de travagem, computador de bordo, luzes de nevoeiro em LED, faróis full LED + farolins Union Jack LED, Serviços eDrive, visor multifuncional para instrumentos, kit de espelhos exteriores, sistema de acesso Comfort, pacote de arrumação, bancos dianteiros aquecidos, câmara traseira, apoio de braços frontal, MINI Excitement Package, sensores estacionamento traseiros, pack de luzes, assistente de condução, jantes de liga leve de 17” e forro do tejadilho Antracite, entre outros.

Ainda que não convertida a 100% para uma marca elétrica, como aconteceu com a Smart, a MINI teve que se render às novas formas de mobilidade. O objetivo de redução das emissões na sua gama assim o obriga. Assim, e depois do MINI Cooper SE Countryman ALL4 , o primeiro híbrido da marca, surge então o inevitável MINI elétrico.

Nascido para a cidade…

Ainda que apresentado em ambiente urbano, onde a MINI iluminou a cidade de Lisboa com um feixe de luz amarela em cada um dos postos de carregamento público, recordando que estes já existem em número considerável dentro dos grandes centros urbanos, o que é facto é que o MINI Electric é muito mais do que apenas um citadino.

Mas ainda antes de sairmos da cidade... O MINI Electric surpreende em vários pontos, e nem todos são os mais óbvios. Se é previsível um bom comportamento, este é claramente diferente daquilo a que estamos habituados num MINI. O superior peso do conjunto e a distribuição do peso das baterias conferem-lhe uma dinâmica diferente. Sempre eficaz, mas menos divertida. Os controlos de tração e estabilidade, que normalmente intervêm em situações mais limite dando alguma margem de manobra, aqui tornam-se castradores, intervindo de imediato.

Ainda assim, é de referir e até enaltecer, o bom trabalho da MINI de não prejudicar o espaço interior, seja para os ocupantes, seja para a bagagem, em prole da colocação das baterias, posicionadas por debaixo do piso e que ajudam também ao baixo centro de gravidade. Ainda assim, contamos com uma superior altura ao solo (18 mm), o que também acaba por influenciar ligeiramente no comportamento, mas já lá vamos porque ainda estamos na cidade…

Qualidades inegáveis…

É ainda aqui que reconhecemos outro dos pontos fortes deste MINI Electric. Não apenas o bom amortecimento da suspensão, como a ausência de ruídos no habitáculo, ainda que o contrário fosse mais expectável devido à elevada rigidez torcional aliada à ausência de ruído do motor. O que é certo é que o silêncio a bordo reina, deixando “à vista” a qualidade de construção. Claro está que a qualidade da maioria dos materiais não fica nada atrás afinal, o MINI não é apenas um “carro da moda”, é também ele um premium.

O restante, com alguns pormenores específicos desta versão como a cor que envolve o botão de ignição, ou a adição do botão que controla o nível de regeneração, o interior é o que conhecemos da restante gama MINI. Um completo sistema de info-entretenimento, possível de ser comandado de várias formas, luzes e muita tecnologia que não merece a mínima crítica, pelo contrário. A aplicação MINI Connected, disponível para todos os modelos, ganha aqui uma elevada importância já que nos permite saber o estado do carregamento bem como a hora previsível para fim do carregamento.

Para além disso, o MINI Electric foi o primeiro a receber o novo painel de instrumentos totalmente digital, já aplicado também ao MINI GP3 e que fará parte dos novos modelos a partir de agora, ainda que provavelmente como opção, enquanto que aqui é de série.

…outras nem por isso!

Mas para que tenhamos alguns quilómetros de autonomia, que durante o nosso ensaio variaram sempre entre os 145 e os 170 km, há que carregar a bateria de 28,9 kWh. (A marca anuncia 234 km, mas impossíveis de alcançar). São precisas cerca de 12 horas numa tomada doméstica para carregar a totalidade, que naturalmente podem ser reduzidos com um incremento da potência contratada para a instalação de uma wall-box, se a rede o permitir. Para qualquer um dos casos, os cabos necessários estão incluídos. Num posto de carregamento rápido a 50 kWh, é possível carregar 80% da bateria em pouco mais de 30 minutos. Felizmente os consumos não são demasiado elevados, e na maior parte dos casos, acabam por permitir uma autonomia até superior à inicial.

De forma a melhor otimizar a bateria e tentar alcançar a marca dos 200 km de autonomia, é preciso usar os dois modos de condução mais ecológicos, Eco e Eco+, sendo que este último chega mesmo a limitar o uso do ar condicionado ou de outros items de conforto. Para além destes existe o modo Normal e… Sport, que deixamos para o fim!

A mecânica presente no MINI Cooper SE é idêntica à utilizada no BMW i3S, mas a autonomia já deveria ser superior

Tal como na maioria dos veículos elétricos, também os níveis de regeneração permitem alguns ajustes, infelizmente poucos. O MINI Cooper SE arranca sempre no modo que permite uma maior regeneração, mas que é demasiado intrusivo, exagerando no efeito de motor. A condução neste modo é desagradável, e infelizmente só nos resta outro que é aquele que acaba por ser utilizado em 90% da utilização. Para além disso a MINI colocou o botão de comutação destes modos no friso de botões da consola central. A localização é demasiado baixa e nada prática para uso durante a condução, obrigando inclusivamente a desviar os olhos da estrada. Este é, sem dúvida, e na nossa opinião, o ponto a rever. Mais um modo de regeneração, e uma forma mais simples de os utilizar.

Algumas soluções em outros construtores têm passado por colocar os níveis de regeneração nas patilhas do volante. A inexistência de uma caixa de velocidades neste tipo de propostas 100% elétricas assim o permite, sendo a melhor forma de tirar partido dos mesmos.

Esqueçamos a cidade, e a autonomia…

É de facto um elétrico mas ainda que em outra cor, o MINI Electric ostenta a sigla Cooper S na traseira, o mesmo é dizer que permite emoções fortes com uma dinâmica de excelência e uma agilidade ímpar. Será?

Carregamos as baterias a 100% e fomos diretos a uma estrada de serra, tentando esquecer items como a regeneração da cidade, a autonomia ou o superior peso. Em modo Sport, e sem grandes expectativas, algumas curvas depois não estávamos apenas convencidos, como quase enjoados. Sim! A aceleração e desaceleração é muita e a ausência de som do motor tem efeitos. As descargas de binário são controladas e nem sempre intempestivas como forma de poupar a mecânica e a bateria. Em acelerações fortes e sucessivas, são necessários alguns segundos para reposição do binário máximo.

É nestes andamentos que damos conta também do excelente apoio dos bancos e da importância da MINI ter equipado este MINI Cooper SE com uns pneus à altura como os GoodYear Eagle F1 Asymmetric 3, ao invés de uma inútil borracha de “baixo atrito”, muito comum em carros elétricos. Com a ausência de caixa de velocidades, resta-nos os pneus e os travões, que infelizmente são os primeiros a ceder, tendo chegado a ficar incandescentes após não mais do que meia dúzia de travagens fortes em ritmos… entusiasmantes! Por este motivo entendemos a opção da MINI em abdicar de um modo sem regeneração. Ainda assim, o feedback de travagem é dos melhores em carros elétricos, não prejudicando o comportamento, sem aquele pisar demasiado “esponjoso”.

“Depois de 15 minutos com o MINI Cooper SE em modo “full-attack” numa estrada de serra, recordo-me dos meus carros telecomandados. Carregavam horas para alguns minutos de diversão!”

Com os 184 cv e 270 Nm de binário, o MINI elétrico despacha os primeiros metros num ápice, quase tão rápido como atinge a velocidade máxima de 150 km/h , limitada eletronicamente.

Depois de uma primeira impressão em cidade, prejudicada pela eletrónica intrusiva e pelo superior peso e altura ao solo, quando verdadeiramente solicitado para umas curvas o MINI Cooper SE faz jus à imagem da sigla Cooper S e surpreende com um comportamento eficaz e muito divertido.

Conclusão

Com uma autonomia algo limitada, o MINI Cooper SE faz-se valer de uma dinâmica apurada, pouco comum nas propostas elétricas, e de uma qualidade inegável com a habitual personalização dos modelos da MINI. Tardou em chegar ao mercado, o que o coloca numa posição frágil face ás propostas que entretanto chegaram. Ainda assim, imbatível na diversão e eficácia ao volante. Conte com 180 km de autonomia.

Ficha Técnica

Cilindrada

270 Nm

Binário Máximo

184 cv

Potência

Cilindrada

7,3 s

0-100 KM/H

150 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

16,6 kWh/100 km

Combinado

17.1 kWh/100 km

Registado

Cilindrada

34 400€

Base

37 184€

Ensaiado


Thumbs UpQualidade. Robustez. Tecnologia. Dinâmica.

Thumbs DownAutonomia real, Espaço nos lugares traseiros. Resistência da travagem à fadiga.