Agilidade, interior sedutor, e motorização 100% elétrica, são predicados deste Mini Aceman JCW que nesta versão John Cooper Works é o elétrico topo da gama. Não fosse a suspensão demasiado dura e o preço final, estava aqui um caso sério no reino dos modelos 100% elétricos. Ainda assim… é um belo automóvel!
Não sei se é uma moda – ou “trend” como se diz hoje – oferecer SUV compactos com potência elevada. Porém, eles andam a saltar como pipocas ao lume e o Aceman da Mini nesta versão John Cooper Works (JCW) é uma delas.

A curiosidade reside na mecânica que é assegurada por um motor elétrico. Por outro lado, temos de refletir: será que o Aceman JCW justifica os quase 50 mil euros que custa?

Mini Aceman JCW apenas com tração à frente
Em primeiro lugar tenho de lhe dizer que o Aceman tem uma plataforma que não autoriza motores no eixo traseiro, pelo que será sempre um tração às rodas da frente. Por outro lado, a Mini introduziu algumas alterações ao chassis, exatamente como fez com o Mini JCW elétrico.

Não há diferencial autoblocante e o motor é o mesmo. Quer isto dizer que debita 258 cv e 350 Nm de binário. O que não é nada mau! A aceleração dos 0-100 km/h é de 6,4 segundos estando a velocidade máxima limitada aos 200 km/h.

Botão “Boost” oferece mais 30 cv
Sendo o binário instantâneo, convirá não abusar do acelerador nem passar o tempo a carregar na patilha do “Boost” colocada no braço esquerdo do volante. Em primeiro lugar, porque o efeito do binário na direção é tremendo e, depois, porque a autonomia desaparece enquanto o diabo esfrega o olho. Lembrar, também, que a potência máxima é obtida com a função Boost. São mais 30 cv que perfazem os 258 cv anunciados. Uma ligeira diferença que não é percetível numa utilização quotidiana.



Olhando para as fotos, este Mini Aceman JCW não tem o tejadilho e as capas dos espelhos pintadas de vermelho, mas sim de preto. Beneficia o aspeto geral, pois o carro fica mais discreto. O “tratamento” JCW inclui, como já referimos, as jantes de 19 polegadas e vários emblemas “John Coper Works” (nas portas dianteiras, na grelha e na traseira). O estilo já era musculado, agora mais ainda, mas o resultado é agradável.

Interior… diferente, mas em bom
Por outro lado, o interior também exibe, orgulhosamente, o símbolo John Cooper Works no volante – que tem um raio feito em tecido – bancos desportivos e inserções de tecido no tabliê.






O espaço é à justa para quatro pessoas, a altura interior do Aceman não é fantástica e a bagageira oferece 300 litros. Suficiente! A qualidade da montagem é muito boa, e os materiais acompanham. No meio lá está o grande instrumento circular que é igual no Mini, no Aceman e no Countryman.

Suspensão dura… mas comportamento é excelente!
A maior dificuldade deste Mini Aceman JCW reside na dureza da suspensão. Claramente, o Aceman é dos carros mais rígidos que conheço e que isso reflete-se no excelente comportamento. Porém, pergunto, não sendo, de base, tão duro como o Mini de três portas, havia a necessidade do Aceman ser assim nesta versão JCW?

Em estrada e autoestrada, não há problemas e um saltitar aqui e acolá não incomoda, especialmente porque nos permitir curvar depressa. Mas em cidade e em estradas secundárias mais degradadas, o constante saltitar não é simpático. Lá está, o reverso da medalha está quando encontramos uma estrada lisa e sinuosa… o comportamento é brilhante.

Mini Aceman JCW tem autonomia sensível à diversão
O Mini Aceman tem uma autonomia de 355 km, mas quando nos metemos a mexer nos modos de condução e a puxar pelo “Boost” facilmente ficamos abaixo dos 300 km e em algumas situações é difícil ficar acima dos 250 km de autonomia. Com uma condução cuidadosa, os 300 km são facilmente alcançáveis. Carregando a um máximo de 95 Kw, pode esperar 30 minutos para carregar dos 10 aos 80%, necessitando de 5h30m num carregador de 11 kW.
Conclusão
Enfim, o Mini Aceman JCW acrescenta algumas coisas ao Aceman E, reconheço. O Aceman é um carro divertido, com um interior diferente, mas acolhedor e, por isso, talvez seja mais aconselhável optar pela versão E ou pela SE. Perde em potência e nas performances, mas pouco face ao que ganha em eficiência e, sobretudo, em conforto. O JCW não deixa de ser uma proposta agradável para quem gosta de elétricos desportivos, mas custa quase 50 mil euros… Lá está, escolha o Aceman E, que faz quase tudo igual, mas sendo muito mais suave… e poupa mais de 10 mil euros.
Ficha Técnica

54,2 kWh
Bateria
11 kW
Max AC
95 kW
Max DC

350 Nm
Binário Máximo
258 cv
Potência

6,4 s
0-100 KM/H
200 km/h
Velocidade Máxima

16,4 kWh/100 km
Combinado
17,8 kWh/100 km
Registado

47.380€
Base
49.570€
Ensaiado
Comportamento, Dimensões, Interior premium
Dureza da suspensão, velocidade carregamento, espaço interior




