Geração Digital. Ao volante do SEAT Leon. O melhor de sempre?

O Familiar da SEAT chega à quarta geração e fomos testar a versão 1.5 e-TSI. Todos os detalhes e a análise completa neste artigo.

SEAT
Segmento C
SEAT Leon 1.5 e-TSI FR

Chegado ao momento de lançar a quarta geração do Leon, a SEAT tinha um caderno de encargos importante para cumprir. Não só tinha de substituir um dos seus modelos de maior volume, como pretendia fazer dele uma peça importante na sua linguagem de design, mantendo um pendor desportivo. Ao mesmo tempo era necessário fazer evoluir o Leon para um cliente cada vez mais digital, bem como assegurar o seu futuro relativamente às normas anti-poluição.

¡Hola! ao Seat Leon mais avançado de sempre

A SEAT acaba de lançar a quarta geração de um dos modelos de maior sucesso da marca espanhola, o SEAT Leon.

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Novo estilo assenta em plataforma melhorada

Com uma “lista de trabalhos” tão extensa o grupo Volkswagen decidiu usar como base a plataforma MQB Evo. Utilizada em quatro derivações (Audi A3, SEAT Leon, VW Golf e Skoda Octavia), é uma evolução da plataforma anterior. Tecnologicamente atualizada, mas com igual distancia entre eixos. As versões acima dos 150 cv de potência possuem suspensão independente atrás e as restantes eixo rígido, tal como anteriormente.

O design é uma evolução da linguagem estreada no SEAT Tarraco, com uma dianteira na qual a grelha é preponderante e uma traseira de perfil descendente, marcada pelo friso LED a todo o comprimento. Já tivemos oportunidade de descrever todos os detalhes tecnológicos e de versões noutro artigo.

Vaga de tecnologia no interior

No interior do SEAT Leon, o espaço para os ocupantes mantém-se inalterado, com os passageiros que viajam atrás a terem desafogo suficiente para joelhos e ombros. Nesta versão FR encontramos alguns apontamentos de cariz desportivo, tais como os pespontos vermelhos, os bancos desportivos, e mais alguns detalhes.

O tablier é completamente novo e caracteriza-se pela ausência de botões físicos. Existe um filamento LED que percorre portas e consola, no qual está integrado o opcional assistente de ângulo morto. A saída involuntária da faixa de rodagem é acompanhada do feixe LED em vermelho como forma de alerta.

O volante tem uma excelente pega e encontramos em frente ao condutor um painel digital com várias possibilidades de personalização. Ao centro temos um ecrã de 10″ que centraliza toda o info-entretenimento, modos de condução e climatização. Contudo aqui encontramos o primeiro “senão” deste Leon. Os menus do sistema são complexos e a inexistência de comandos físicos implica desviar os olhos da estrada demasiadas vezes. Algo que se sente particularmente quando queremos aceder à climatização ou até mesmo aos modos de condução. Existe um sensor de toque para a temperatura e para o volume do som, ainda assim tudo requer alguma habituação.

Materiais…

Na zona superior do habitáculo encontramos materiais agradáveis, mas nas zonas inferiores o plástico mais duro reina. As portas traseiras têm uma especificação ligeiramente diferente das dianteiras que apresentam um topo “aborrachado”. Os puxadores são iguais, e podiam apresentar uma aparência mais cuidada e um toque mais agradável.

SEAT Leon FR e TSI 23

Em estradas com piso mais irregular os plásticos dão sinal de vida e os ruídos parasitas são comuns. Os espaços de arrumação nas portas têm boa capacidade, mas não são revestidos e os locais para arrumação na consola central são pequenos. Nem o apoio de braço escapa a esta tendência. Já a bagageira mantém os 380 l de capacidade, e tem luz LED e fixadores para sacos. É possível ter uma roda sobresselente opcional no fundo da mesma (68€).

e-TSI: Mild-Hybrid sente-se

Para este primeiro ensaio em estradas nacionais temos a versão 1.5 e-TSI FR. Equipada com o motor 1.5 l turbo de quatro cilindros, debita 150 cv. O “e” de e-TSI implica um alternador de 48v e uma bateria de lítio, que lhe dá uma função mild-hybrid. Assim, é capaz de recuperar energia na travagem e desaceleração em troca de um boost de binário no arranque e em baixas rotações. A caixa de velocidades é a conhecida DSG de sete relações que recebe apenas um novo comando tipo “joystick“, e a suspensão DCC faz parte dos opcionais da unidade ensaiada (704 €).

Bem sentados nos bancos desportivos, numa posição fácil de encontrar, a condução do Leon é muito suave. O som do motor é contido e a ajuda híbrida sente-se nas desacelerações. Em cidade o SEAT é um carro agradável de conduzir, com direção precisa e um motor disponível, bem acompanhado pela caixa DSG. Claramente focado nos médios regimes, o 1.5 l e-TSI garante performances mais do que suficientes, sabendo que não tem quaisquer ambições desportivas. A utilização do motor em rotações mais altas, não traz considerável vantagem em termos de performance.

Personalização é trunfo do SEAT Leon

Com cinco modos de condução disponíveis (ECO, Comfort, Normal, Sport e Individual), é possível invervir sobre a direção, o motor e a suspensão. Para o uso citadino, a escolha natural é o modo “Comfort”. A suspensão faz um bom trabalho a filtrar as irregularidades, só perturbada por algumas pancadas ocasionais em desníveis transversais. Contudo a resposta do motor fica demasiado macia, pelo que faz sentido usar o modo individual e configurar manualmente o carro.

A suspensão DCC pode ser configurada em 15 níveis (!) Tantos? As diferenças são sensíveis entre o mais confortável “Comfort”, o melhor controlo de movimentos em estrada do modo “Normal” e o rijo “Sport”. Este último para quem gosta de “saltitar”…

Quando fomos investigar as capacidades dinâmicas do SEAT Leon, e com o modo “Sport” selecionado, encontramos um comportamento típico do grupo VW. Neutro, o Leon apresenta uma dianteira ágil e de boa inserção em curva, no qual é ajudada pela direção precisa, mesmo que pouco informativa. A traseira ajuda à rotação inicial mas sempre de um modo controlado, com a estabilidade como nota dominante. A suspensão DCC no sua afinação mais dura fica demasiado saltitante pelo que valerá a pena configurar uma regulação mais suave no modo “Individual”.

Nestes andamentos os consumos ressentem-se, mas em toadas calmas o motor 1.5 l e-TSI é capaz de retornar boas médias, em torno dos 6,5 l/100 km e, no total dos quilómetros que realizamos, com todos os tipos de percursos e de condução a média final ficou pelos 7,6 l/100 km.

Muito equipamento e muitos opcionais

O SEAT Leon conta com uma lista de auxílios à condução vasta, da qual destacamos o cruise-control adaptativo, o avisador de ângulo morto, o assistente de manutenção na faixa (com um funcionamento demasiado hiperativo), o assistente à travagem de emergência, o avisador de fadiga do condutor e as sugestões ecológicas, um aviso dado ao condutor para maximizar a regeneração de energia, retirando o pé do acelerador. Boa parte destes auxílios à condução são opcionais e fazem parte do pacote Segurança & condução, no valor de 617€.

Do equipamento de série fazem parte os espelhos elétricos rebatíveis, as jantes de 17″, os vidros traseiros escurecidos, os sensores de chuva e luz, o apoio de braço dianteiro, o cruise-control e quatro portas USB TypeC, entre outros.

A unidade que ensaiamos contava com uma extensa lista de opcionais que totalizam 6500 €, dos quais destacamos a iluminação Full LED (1055 €), o sistema de navegação com ecrã de 10″ (646 €) e o carregador para smartphone (179 €). Ainda nos opcionais encontramos os sensores de estacionamento traseiros com câmara (580 €), o acesso sem chave (223 €) e, sobretudo, a ligação Apple Carplay e Android Auto (152 €), que tal como no SEAT Arona FR, continua remetida para a lista de opcionais. As jantes de 18″ (589 €), o modos de condução e a suspensão adaptativa DCC surgem também como extra (704 €).

Assim, o SEAT Leon 1.5 e-TSI FR inicia a comercialização com um preço base de 33 227 € e, com os já mencionados opcionais, a unidade que ensaiada tem um preço de 39 712 €. Este é um valor que já pode ser considerado elevado para o segmento, aconselhando uma abordagem cautelosa à lista de opcionais.

Conclusão

Com uma gama que também inclui a versão Sportstourer, o SEAT Leon sofreu melhorias em quase todos os capítulos. Com um sistema mild-hybrid efectivo, a eficiência aumentou, e a condução é mais envolvente. Anunciado pelo construtor como o Leon mais avançado de sempre, falta-lhe apenas um equipamento de série mais rico. Por outro lado, existe um ou outro pormenor ao nível de materiais e robustez que também podia ter evoluído para melhor, ainda que estamos certos não afetem o sucesso desta nova e mais apelativa geração do SEAT Leon.

Ficha Técnica

Cilindrada

1498 cm3

Cilindrada

250 Nm

Binário Máximo

150 cv

Potência

Cilindrada

8,4 s

0-100 KM/H

221 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

6,4 l/100 km

Combinado

7,6 l/100 km

Registado

144 g/km

Emissões CO2

Cilindrada

33 227€

Base

39 712€

Ensaiado


Thumbs UpMotor. Caixa de velocidades. Condução.

Thumbs DownQualidade de alguns materiais. Robustez interior. Equipamento de série.