Quando a Ford avançou para a eletrificação do Puma temeu-se a descaracterização de um dos melhores SUV compactos. Não foi isso que sucedeu e, apesar de alguns compromissos, o Ford Puma Gen-E é bem melhor do que seria provável. Um elétrico que nasceu como automóvel com motor térmico e que acaba por ser bem melhor que o esperado. Claramente acima das expetativas!
O Puma não nasceu para ser automóvel elétrico. A plataforma nativa da Ford está ligada à sétima e última geração do Fiesta. E nunca foi pensada para receber uma bateria e tudo aquilo que acompanha um modelo 100% elétrico. Aplauso para os engenheiros da casa da oval azul que encaixaram tudo onde podiam e ainda libertaram espaço na bagageira e na frente. Tudo porque a Ford precisava de reduzir as emissões das suas gamas e fazer um modelo totalmente novo seria um pesadelo financeiro.

Ford Puma Gen-E é melhor do que o esperado
Evidentemente que tiveram de ser feitas algumas concessões, tomar alguns atalhos e perder alguma da essência do ADN da Ford. Confesso-vos que quando o modelo foi anunciado temi o pior. Felizmente nada disso aconteceu.
Mas, as primeiras coisas em primeiro lugar! O Ford Puma Gen-E tem apenas uma motorização com 168 cv e 290 Nm de binário. Depois, usando numa calçadeira, enfiaram uma bateria de 46,8 kWh entre os dois eixos e toda a parafernália de cabos e controladores. Primeiro compromisso: não vai haver versão ST porque não cabe um segundo motor e a bateria não pode ser maior.

Compromissos não alteram carácter do Puma
Segundo compromisso: se de forma surpreendente o Puma continua a curvar muito bem como o Puma a gasolina, o peso extra deste Gen-E (250 kg) rouba alguma vivacidade ao carro. Por outro lado, sendo uma potência razoável, as performances do Ford Puma Gen-E não impressionam. Chega dos 0-100 km/h em 8 segundos e alcança os 159 km/h.

Nada de extravagante, mas embrulhado num carro cujo estilo é feliz desde a nascença. E que, como dissemos, possui um comportamento muito acima do esperado para um automóvel 100% elétrico. Vamos a números?

A Ford promete uma autonomia “impossível” entre 386 e 417 km. Diz mesmo que pode ultrapassar os 500 km em cidade. Infelizmente são números que não consegui alcançar. Em primeiro lugar porque apanhei tempo frio. Em segundo lugar, porque o ensaio incluiu muita autoestrada. Os números finais do ensaio ficaram aquém dos 300 km, embora reconheça que poderia ter chegado perto dos 360 km.

O que em termos de eficiência, olhando ao tamanho da bateria, é excelente. Face aos rivais, fica um nadinha aquém. Lá está, mais um compromisso pelo facto de o Puma nunca ter sido pensado para ser um automóvel 100% elétrico.

Interior diferenciado no Ford Puma Gen-E
Debrucemo-nos sobre o interior. O Puma passa a oferecer mais capacidade na bagageira! Passa para 523 litros usando a “Megabox” que, na versão Gen-E passa a ser uma “Gigabox”. E se os 1284 litros de espaço com o banco traseiro rebatido não chegarem, há um “frunk” na frente do carro com 43 litros de capacidade. Embora, siga o meu conselho, deva utilizar este espaço para guardar os cabos de carregamento.



Dessa forma, tudo o resto é muito semelhante ao interior do Puma a gasolina, com o volante – enorme – e os ecrãs de generosas dimensões frente ao condutor. As diferenças encontram-se na alavanca da caixa que passou para a coluna de direção, libertando a consola central onde encontramos um carregador por indução para o smartphone.

Espaço habitável é acanhado devido à bateria
Por outro lado, o espaço à frente é suficiente, atrás sofremos com a posição da bateria que encolhe a distância ao tejadilho e com o tamanho compacto do Puma. Ainda assim, duas pessoas viajam sem problemas.

Depois temos os modos de condução. Começa no Normal, podendo escolher, depois, o Eco ou o Sport. O Eco reduz a resposta do acelerador e aumenta a regeneração (a caixa tem o modo L que aumenta essa regeneração, mas não é um “e-pedal”), o Sport faz exatamente o contrário e acrescenta um ruído de motor absolutamente falso. Quer um conselho? Deixe estar tudo no Normal. Ah! e outra coisa: os muitos sistemas irritantes de ajuda ao condutor podem ser desligados, pois alguns são mesmo incomodativos.
Conclusão
Enfim, percebe-se que o Puma Gen-E não é algo maturado ao longo do tempo. Tinha tudo para correr mal, mas a verdade é que depois deste ensaio tenho de lhe dizer que é um carro muito agradável e com um desempenho melhor que o de alguns rivais. Há compromissos? Há, na condução (menos viva que no Puma a gasolina), no refinamento e na autonomia condicionada pelo espaço para a bateria. Ainda assim, um excelente automóvel.
Ficha Técnica

46,8 kWh
Bateria
11 kW
Max AC
100 kW
Max DC

290 Nm
Binário Máximo
168 cv
Potência

8,0 s
0-100 KM/H
160 km/h
Velocidade Máxima

13 kWh/100 km
Combinado
17,5 kWh/100 km
Registado

30.204€
Base
38.197€
Ensaiado
Comportamento, eficiência, estilo
Autonomia, bagageira




