A Fiat continua em busca da sua identidade perdida algures quando passou a fazer que nunca fez. Liberta dessas amarras ideológicas, parece ter encontrado o seu mote e carros como o Fiat 600 Hybrid La Prima fazem-nos viver a vida. Como acontecia nos tempos do Uno e do Punto!
Porque tenho amor à verdade, confesso que a Fiat é uma marca que me diz muito. O meu saudoso pai trabalhava na marca e o meu primeiro carro foi um Fiat. Foi um 127… Depois muitos Fiat passaram pela minha garagem, alguns foram desilusões, outros deixaram saudades. Muitas!

Fiat 600 Hybrid arrasta certa nostalgia
Quando peguei no 600 Hybrid, reconheço, fiquei nostálgico. Há muito tempo que não andava com um carro de Turim… É verdade que este 600 pouco ou nada tem a ver com os “meus” Fiat.

E apesar de ser uma amalgama de peças usadas em muitos outros modelos da Stellantis… tem alma! Em primeiro lugar é giro! A forma musculada q.b. do desenho do 600 seduz-me e acredito que será capaz de o fazer mesmo até a quem não tenha uma ligação tão forte com a marca.

Estilo divertido e sedutor
Os faróis são uma paródia e o 600 está sempre a piscar-nos o olho, enquanto atrás os farolins são estruturados. Por outro lado, a frente tem o 600 bem evidente, como sucede na lateral do carro. As jantes de 18 polegadas têm um desenho intricado que rima com o carro. Dizer que o 600 é bem maior que o 500 (mais comprido e largo) e com espaço interior bem diferente.

Interior é minimalista e bem decorado
E por falar em interior, é tudo menos ostensivo e mais minimalista. Por um lado, há botões para quase tudo, por outro percebe-se uma mistura do 500 com o Jeep Avanger no interior do 600. Por outro, o ecrã central é conhecido, mas a tampa da consola central semelhante à capa de um iPad é, simplesmente, deliciosa. Lá dentro há bastante espaço.

Cá fora, uma pequena prateleira por cima dos botões que controlam a caixa, está um carregador do telemóvel por indução. Por outro lado, há espaço atrás, bem mais que no 500. E como esta é a versão híbrida e não há bateria debaixo do piso, quem viaja atrás pode colocar os pés debaixo do banco.

Mais atrás, na bagageira, por ser o modelo híbrido oferece 385 litros que podem chegar aos 1256 litros com o rebatimento dos bancos traseiros. Nada mau para o tipo de automóvel que é o 600: não é um citadino puro, mas também não é um SUV… está ali a meio e funciona muito bem.

Um automóvel bem equipado
Esta versão La Prima oferece um nível de equipamento refinado e destaco algumas coisas: bancos com regulação elétrica e massagem com seis configurações. Os bancos também são aquecidos, mas são precisos três passos e toques no ecrã sensível ao toque que quando o conseguimos ligar… já o rabo estará gelado…

Para as crianças será um nadinha claustrofóbico, pois a superfície vidrada é estreita com uma linha elevada. Como não há tejadilho panorâmico, a Fiat oferece uns bancos muito claros com o símbolo da marca que dão outra cor e luz ao interior.

Emoções (pouco) fortes ao volante do Fiat 600 Hybrid
À frente do condutor está um painel de instrumentos simples que não é igual ao do 500, é ainda mais simples. O que até fica bem num ambiente de muito bom gosto como só os italianos conseguem. Bem sentado e com o volante de dimensão e grossura perfeitas, chegou a hora de levar o 600 para a estrada.

E aqui tenho de dizer que se procura um automóvel que lhe faça titilar as emoções, terá de procurar noutro lado. E desejo-lhe a maior sorte… O Fiat 600 é um automóvel que teria como banda sonora a canção Viva la Vida dos Coldplay, pois tem como prioridade restaurar a imagem da Fiat em termos de carros práticos e sensíveis e não feras nos semáforos.

A condução do 600 é simples e despretensiosa levando-nos do local A para o local B de forma eficaz, eficiente e segura. Poderá haver modelos mais desportivos, mas não são tão giros. A direção é levezinha (talvez demais) e a travagem não tem uma sensação agradável no pedal. Ainda assim, tudo o resto é simples e muito agradável.
Conclusão
Claramente este é um automóvel que preenche todas os requisitos racionais, com o adicional da parte elétrica oferecer consumos baixos (inferior a 5,5 l/100 km). E, já agora, a bateria do tamanho de uma calculadora, tem 0.9 kWh e permite andar 900 metros em modo elétrico. O preço desta edição La Prima fica abaixo dos 30 mil euros com um equipamento muito completo.
Ficha Técnica

1199 cm3
Cilindrada
205 Nm
Binário Máximo
110 cv
Potência

10,5 s
0-100 KM/H
184 km/h
Velocidade Máxima

4,8 l/100 km
Combinado
5,3 l/100 km
Registado
109 g/km
Emissões CO2

29.264€
Base
29.350€
Ensaiado
Consumos, Estilo, Interior
Direção, Alguns materiais,




