CUPRA Born. Mais RADICAL, ou apenas extrovertido? ⚡

É o primeiro elétrico da marca desportiva espanhola e apesar das parecenças com o modelo da VW, o CUPRA Born garante ser mais emotivo. Será?

CUPRA
Segmento C
CUPRA Born 58 kWh

Desde que se tornou uma marca independente que a CUPRA tem demonstrado uma gama de modelos que assentam em uma de três estratégias. Se por um lado temos exatamente os mesmos modelos da SEAT numa vertente mais desportiva, por outro temos modelos 100% CUPRA como o Formentor. Contudo, existe ainda uma outra estratégia onde este CUPRA Born se insere.

Trata-se de aproveitar plataforma, baterias e outros componentes do grupo Volkswagen utilizados em modelos desta para dar origem a modelos CUPRA. É o que acontece com este Born. Se por um lado a imagem é caracterizada por um carácter mais desportivo típico da marca espanhola, onde se destacam cores exclusivas e muitos detalhes em tons de cobre, por outro as parecenças com o irmão VW ID.3 são mais do que óbvias, principalmente na lateral.

ADN CUPRA!

Sendo que o modelo da Volkswagen não me impressionou durante os dias que passei com ele, em que é que este CUPRA Born se poderá diferenciar para oferecer uma experiência pelo menos, diferente? Bom, no exterior as diferenças agradam-me. O look mais desportivo assenta-lhe bem e o conjunto de todos os detalhes da carroçaria, nomeadamente as jantes de liga leve, os logótipos e o difusor traseiro, conferem-lhe até uma imagem mais… “premium”. Se fosse só por aqui, esta seria a minha escolha, mas convém referir que a cor desta unidade, o Azul Aurora com um valor de 982€ juntamente com as jantes Blizzard de 20″ que acrescem 1474€, em muito contribuem para tal.

O que muda no Born, face ao primo ID.3?

Pub ADN energy MRec

Contudo, não basta uma imagem distinta, é preciso que também ao volante sintamos que estamos perante outro automóvel. Mais ainda para uma marca como a CUPRA que se associa a uma imagem mais desportiva e de emoção. Para o conseguir a CUPRA aplicou poucas, mas significativas alterações. Em primeiro lugar rebaixou a suspensão tanto na frente (15 mm) como na traseira (10 mm). Desta forma o centro de gravidade desceu, mas já lá vamos… Em segundo lugar aplicou uma direção mais progressiva e travões com discos maiores. Para além disto, fez ainda alguns ajustes de software, algo que é cada vez mais uma realidade.

Antes de avançarmos para a dinâmica, há que falar do interior. Mais uma vez as semelhanças com o primo VW ID.3 são óbvias, nomeadamente no pequeno ecrã na frente do condutor muito limitado nas informações que transmite. Onde o CUPRA Born se diferencia é na aplicação de alguns materiais mais agradáveis, na consola central com muita arrumação e ainda nos bancos com uma aparência mais desportiva. À primeira vista os materiais agradam, mas depois de uma análise mais pormenorizada, constatamos que mesmo no topo das portas da frente existem também materiais duros e menos agradáveis ao toque. Contudo, a montagem revela solidez.

Digitalização em excesso

O que não nos agrada é alguma da digitalização no interior. Se por um lado encontramos um interior acolhedor e muito clean, por outro há pormenores no dia a dia que falham. Não existem comandos físicos para a climatização, e os que existem, integrados no sistema de info-entretenimento sofrem do mesmo mal de muitos outros, a falta de iluminação. Por outro lado, os botões do volante misturam a tecnologia háptica com tátil, o que não resulta numa experiência de utilização muito simples nem intuitiva.

Até nos comandos para os vidros elétricos a marca optou por usar um botão “Rear” para comutar entre os vidros da frente e de trás, sendo que os botões que efetivamente abrem e fecham o vidro são os mesmos dois. Pouparam-se dois botões, é um facto(!) mas para além de ser muito pouco prático, leva a vários acionamentos indevidos.

Contudo, é de destacar os muitos e bons espaços para objetos bem como a colocação do carregador sem fios para smartphones como que por baixo do apoio de braço, mas sem prejudicar a colocação de outros objetos no generoso compartimento ali existente.

Para terminar o capítulo do interior, é preciso ainda referir que o espaço nos lugares traseiros é correto, mesmo em altura, e beneficia-se da ausência de um túnel central. Para além disso existem fichas USB-C para os passageiros. Mais atrás, na bagageira, contamos com 385 litros de capacidade, a mesma do VW ID.3 já que aqui não é possível inventar.

Vamos para a estrada

Ao volante do CUPRA Born há vários aspetos que agradam. Para além da insonorização evidenciada pelo silêncio de funcionamento, e de um habitáculo recheado de locais para objetos, já que o comando para fazer arrancar o Born está situado junto ao pequeno painel de instrumentos digital, encontramos uma boa disponibilidade de binário.

Temos uma bateria de 58 kWh colocada por baixo do piso que, juntamente com o rebaixamento já referido, conferem-lhe um centro de gravidade muito baixo. Para além disso, temos uma distribuição de peso muito equilibrada. O motor elétrico de 150 kW (204 cv) está colocado nas rodas traseiras, e permite boas performances, mas o controlo de tração e estabilidade está sempre a intervir sem nos deixar explorar um pouco mais o chassis.

Já a suspensão não desilude, nem no conforto, nem no comportamento. Quanto a consumos, os 16,5 kWh/100 km alcançados permitem prever uma autonomia real e garantida de pouco mais de 350 km, sendo preciso muita disciplina para conseguir fazer mais de 400 km como a marca anuncia.

Isto também porque os modos de regeneração não reinam. Dispomos do moto “B” da “caixa de velocidades” e do habitual modo de regeneração automático presente nos modelos do grupo Volkswagen. Este, ainda que se revele a solução mais agradável no quotidiano, não é naturalmente a mais eficaz.

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Bateria & Carregamentos

O CUPRA Born tem uma bateria de 58 kWh. A autonomia anunciada é de cerca de 400 km. Em DC, corrente contínua, o CUPRA Born suporta 100 kW de velocidade, o que permitirá carregar até 80% em cerca de 35 minutos. Em corrente alterna (AC) são precisas mais de 24 horas para carregar a totalidade da bateria numa tomada doméstica a 2,3 kW. Esse tempo pode ser reduzido para cerca de 9 ou 6 horas em 7,4 ou 11 kW (máximo) respetivamente. Para estes dois casos não é possível utilizar o carregador/cabo fornecido, sendo necessário utilizar um outro carregador como aquele que nós utilizamos, uma solução da ADN Energy.

É suficientemente diferente?

Não podemos afirmar que não existem alterações aplicadas ao CUPRA Born para além das estéticas, de facto elas estão presentes. Contudo, para que possamos tirar partido delas, é necessário aplicar ao CUPRA Born o que a marca chama de pack de performance e-Boost. Para além de acrescentar o volante que já conhecemos do CUPRA Formentor com os botões satélite, adiciona discos de travão dianteiros de maiores dimensões (340mm), e mais 27 cv de potência através de software em função overboost. Com este aumento de potência para os 231 cv vêm ainda o modo de condução CUPRA e a possibilidade de se desligar por completo o ESP, algo que como referimos é muito castrador na hora de tentar explorar as mais valias dinâmicas do CUPRA Born, e ainda uma suspensão adaptativa com vários níveis.

Com bons níveis de espaço e uma imagem diferenciadora, o CUPRA Born revela um carácter mais desportivo e uma personalidade mais vincada que no geral agrada.

Conclusão

Inegavelmente o CUPRA Born consegue um carácter mais desportivo e um comportamento mais eficaz, embora assente exatamente na mesma receita do VW ID.3. Contudo, para que a diferença dinâmica seja verdadeiramente distinta, é necessário aplicar o pack e-boost que faz toda a diferença. Para além disso, é um elétrico com uma imagem distinta, com espaço e conforto q.b. mesmo para as aptidões familiares e com boas prestações e razoáveis consumos.

Ficha Técnica

Cilindrada

310 Nm

Binário Máximo

204 cv

Potência

Cilindrada

7,3 s

0-100 KM/H

160 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

15,6 kWh/100 km

Combinado

16 kWh/100 km

Registado

Cilindrada

40 988€

Base

50 681€

Ensaiado


Thumbs UpImagem. Habitabilidade. Prestações.

Thumbs DownSistema info-entretenimento. Ausência de comandos físicos. Travão de tambor atrás.