Citroën ë-C4. Conforto, em absoluto SILÊNCIO! ?

Este é o Citroën ë-C4, e para além de ser o mais recente modelo do segmento C, é o único automóvel de passageiros elétrico da marca francesa.

Citroën
Segmento C
Citroën ë-C4 Shine

A Citroën decidiu apostar numa versão 100% elétrica do seu mais recente modelo, ao contrário de alguns construtores que optam por modelos específicos para apresentarem propostas elétricas. Assim, desde o seu lançamento que o novo Citroën C4 está disponível no mercado nesta versão elétrica, denominada de ë-C4. Após o nosso contacto, aqui fica tudo o que esperar do único automóvel de passageiros 100% elétrico da marca francesa.

O modelo já é nosso conhecido. O Hugo já tinha tido a oportunidade de o ensaiar na sua versão a combustão com o bloco 1.2 PureTech. Agora, foi a minha vez de lidar uns dias com o modelo, mas nesta versão 100% elétrica. Nascido com foco no conforto, a nova berlina compacta da marca francesa marca pela diferença, quer seja pelas suas linhas aerodinâmicas, quer pela inspiração típica de um crossover, e assumindo-se como tal.

No exterior, pouco muda!

Como já tínhamos referido, a receita é um pouco de SUV, outro tanto de crossover, com uma pitada de berlina e outra de hatchback. Tudo envolvido e servido em torno do melhor conforto que se possa pedir. E, neste caso, nada melhor do que servir todo este conforto, em absoluto silêncio. Afinal, estamos perante a versão 100% elétrica, mas que exteriormente nada muda à exceção de uns logotipos e algumas inserções em azul.

E se por fora a irreverência reina, no interior é de facto o conforto que se destaca, a par do espaço. Isto porque ao nível da qualidade de materiais temos um pouco de tudo. Apesar disso a construção é sólida e robusta. Já a ergonomia do comando da caixa de velocidade, bem como do minúsculo botão que permite aumentar a regeneração da bateria através do modo “B” não é a melhor. Para além disso, o primeiro revela demasiado atraso a engrenar a marcha selecionada, algo que também acontece em outras propostas do grupo.

Tecnologia com margem de progressão

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A tecnologia a bordo do Citroën ë-C4 é apresentada em dois ecrãs, tal como acontece com os restantes C4 a combustão. O que se posiciona na frente do condutor desilude pelas suas reduzidas dimensões, afinal estamos perante um automóvel do segmento C, e não um mero citadino ou utilitário. Quanto ao outro, de generosas dimensões mais focado no info-entretenimento, nada a apontar. O mesmo acontece com os comandos físicos para a climatização que elogiamos. Os espaços de arrumação apresentam-se em grande número, e o suporte para o tablet à frente do lugar do pendura também é uma mais valia.

Contudo, nesta versão 100% elétrica, a Citroën podia ter ido mais além não só nas configurações possíveis, mas também nas informações disponíveis ao condutor. Por exemplo, a percentagem de bateria só nos é dada quando colocamos o carro à carga. Por outro lado, as opções para agendar ou limitar a velocidade de um carregamento são limitadas ou inexistentes. Nem tão pouco nos é dada a informação da velocidade de carregamento. Ou melhor, ela existe mas em quilómetros por hora, e não em kWh como se impõe.

A autonomia real do Citroën ë-C4 é inferior aos 300 km, apesar da marca anunciar 350 km

No que diz respeito à habitabilidade, o Citroën C4 peca por oferecer uma silhueta descendente. Tal reflete-se não só na acessibilidade aos lugares traseiros, mas também na altura para os passageiros dos lugares traseiros. Para além disso, e ainda que estes viajem com o melhor conforto que podem pedir neste segmento, as pernas ficam mal apoiadas já que o piso é alto e o banco é baixo. Contudo, e ao contrário do que acontece com muitas outras propostas elétricas, a capacidade da bagageira mantém-se nos 380 l. Já nos lugares dianteiros, a elevada altura ao solo facilita a entrada e saída.

Ao volante do Citroën ë-C4 a disponibilidade é, sem dúvida alguma, um trunfo para o dia a dia, ainda que este seja, dos modelos 100% elétricos, aquele que apresenta menor potência e binário. Em cidade, o modo Eco é o mais agradável, mas só o Sport permite uma resposta ao nível de alguns concorrentes.

Bateria e potência pede mais

Em termos de bateria, a solução é exatamente a mesma que encontramos em todos os restantes modelos do grupo. Nada contra numa primeira instância. O que acontece é que se no segmento onde se posiciona o Peugeot e-208 ou o Opel Corsa, modelos mais citadinos, a bateria de 50 kWh e os 135 cv de potência são mais do que suficientes, quando saltamos para o segmento acima, pedia-se um pouco mais. Com os consumos registados de 18 kWh/100 km, a autonomia real aponta para cerca de 280 km, um pouco aquém daquela que é anunciada pela marca de 350 km.

Nas manobras do dia a dia a fraca visibilidade traseira, resultado da solução de design encontrada pela marca, sente-se e refugia-se nos sistemas de assistência ao estacionamento. Já no que diz respeito ao inegável conforto, aqui nesta versão elétrica, o peso da bateria faz-se sentir em piso demasiado irregular, beliscando ligeiramente este item, o que não sucede nas versões a combustão. Por outro lado, o comportamento é superior. São consequências que resultam da escolha a fazer. Contudo, e no geral, o compromisso entre conforto e comportamento é bem melhor neste Citroën C4 elétrico.

Como é habitual neste tipo de propostas, a sensibilidade ideal na travagem é algo que é difícil de encontrar e requer habituação e este Citroën ë-C4 não é exceção nesse capítulo. Como referido, o modo “B” ajuda, mas nunca é suficiente para imobilizar o C4 e não existem ajustes na regeneração, algo que a maioria da concorrência já oferece, inclusivamente com modos de regeneração automática. Idiossincrasias das propostas elétricas derivadas das versões a combustão, ou apenas falta de exigência na conceção das mesmas?

Conclusão

Com um preço cerca de 10 mil euros acima de uma versão a gasolina, o que sucede em todas as propostas, o Citroën C4 elétrico apresenta ainda assim uma boa relação custo / benefício, com uma autonomia apenas razoável, um conforto assinalável, e espaço mais do que suficiente para as pretensões familiares. Desejava-se mais ao nível da tecnologia e interação com o condutor no que diz respeito a opções para o carregamento.

Ficha Técnica

Cilindrada

260 Nm

Binário Máximo

136 cv

Potência

Cilindrada

9,7 s

0-100 KM/H

150 km/h

Velocidade Máxima

Cilindrada

16 kWh/100 km

Combinado

18 kWh/100 km

Registado

Cilindrada

36 107€

Base

38 606€

Ensaiado


Thumbs UpConforto. Espaço.

Thumbs DownAlguns materiais. Ecrã do painel de instrumentos. Opções carregamento. Ergonomia e lentidão do comando da caixa de velocidades.