Quando tanto se fala de modelos elétricos acessíveis, eis que chega a Portugal o Citroen ë-C3 com um preço abaixo dos 25 mil euros e sem ser chinês! Como é isso possível? Mas há mais! Se quiser um elétrico abaixo dos 20 mil euros, a Citroen também tem… Mas, por agora, explicamos tudo sobre esta versão neste ensaio Escape Livre.
Se estava à espera que chegasse um automóvel 100% elétrico acessível que não seja fabricado na China, ele aqui está: eis o Citroen ë-C3 que por menos de 25.000 euros oferece 300 quilómetros de autonomia e um espaço e conforto elogiáveis.

Tudo começa com o facto do ë-C3 ter menos 30% de peças do que o C3 com motor térmico. Depois, foi definido como um “low cost” elétrico, mas feito para que ninguém sentisse essa conotação. Finalmente, alguém teve a ideia de cortar aquilo que é superficial no equipamento oferecido.

Preço “low cost”, equipamento suficiente
Coisas como estofos em pele, bancos com regulação elétrica, modos de condução, teto panorâmico e muitas outras coisas não existem no ë-C3. E, convenhamos, num automóvel destes não fazem falta nenhuma. Aplauso Citroën!
Voltando ao ë-C3, franqueada a porta sentamo-nos em bancos fofinhos e bem almofadados que não colocam em crise o espaço vertical. Sim, não há comandos elétricos, mas luxos como a regulação em altura não desapareceram.
Onde está o botão para ligar o carro? Pois, não há porque o acesso e arranque mãos livres faz parte das peças supérfluas. O arranque é com uma chave. E não tem mal nenhum, pois já que temos de andar com a chave… usemo-la!

Simplicidade que é uma mais valia no Citroen e-C3
Não há um painel de instrumentos cheio de animações bonitas. Há uma janela situada no tabliê onde está um ecrã (que a Citroen chama de “head up display”…) que oferece as informações necessárias: velocímetro digital, indicador da carta da bateria, e um indicador dos quilómetros percorridos, totais ou parciais. É mais do que suficiente!

Por outro lado, a meio está um ecrã sensível ao toque que só está disponível nas versões mais caras. As de base não têm ecrã nem sequer rádio. Será o seu telemóvel a funcionar como sistema de info entretenimento e até como rádio. O Apple CarPlay e o Android Auto são de série. Não é verdade que já faz tudo no seu smartphone?

Por outro lado, alguém se deve ter andado a divertir a fazer o interior do ë-C3, pois espalhados pelos forros das portas estão pequenas etiquetas com frases como “Divirta-se!” ou “Seja fixe!” Excelente!

Parece-se com um citadino… comporta-se como um citadino
E porque o ë-C3 é um carro sensível, o banco traseiro tem o mesmo tipo de acolchoamento dos dianteiros (é fofinho) e o mesmo estilo, deixando um espaço surpreendentemente abundante para as pernas.

Há 310 litros de capacidade na bagageira que, com as costas do banco a dividir-se 60/40 (na versão base não há partição), a bagageira chega a 992 litros. Excelente.
O Citroen ë-C3 é um automóvel confortável, apesar de ter jantes de 17 polegadas. As suspensões são verdadeiramente suaves, mas a Citroen aqui não cortou custos e equipou o ë-C3 com os batentes hidráulicos progressivos.
E a verdade é que parece que andamos numa almofada… E mesmo quando acertamos em cheio numa banda sonora ou numa lomba, o ë-C3 só precisa de um par de oscilações para estabilizar de novo.

Autonomia à medida da cidade
Com toda a certeza que um dos segredos para o baixo preço do Citroen ë-C3 reside na bateria. Localizada entre os dois eixos, tem 43,7 kWh de capacidade, mas utiliza uma tecnologia diferente. A química é de fosfato de ferro e lítio, muito mais barata que a normalizada iões de lítio. Mesmo assim, a Citroen reclama, através do protocolo WLTP, uma autonomia de 320 km.
Por outro lado, o carregamento em corrente contínua é de 100 kW e por isso dos 20 aos 80% de carga demora 25 minutos. Numa “wallbox” doméstica serão precisas quatro horas. Com o carregador de 11 kW, o tempo de carga é de 2h50m. Com a tomada doméstica de 1,7 kW são 40 horas.

Desempenho do Citroen e-C3 é… suficiente!
O Citroen ë-C3 tem um motor elétrico com 113 cv e 120 Nm de binário que chegam às rodas dianteiras. A aceleração 0-100 km/h é de 10,5 segundos, mas mesmo assim, é bem mais irrequieto que o C3 a gasolina. Por outro lado, a velocidade máxima é de 135 km/h. Mais que suficiente! Em outras palavras, é um citadino que toca todas as notas certas para quem deseja um carro elétrico.
Por outro lado, existe uma versão com menor autonomia (212 km) cujo preço atira a fasquia para baixo dos 20.000 euros. Mais concretamente, 19.990 euros.
Conclusão
O Citroën ë-C3 é um excelente citadino e um ótimo elétrico. É giro, divertido, simples, sem ser simplista, e com a autonomia certa para o ambiente onde melhor se mexe: a cidade. A promessa de preço acessível foi cumprida e, assim, é possível ter um automóvel 100% elétrico por menos de 20.000€. O veredicto final só podia ser muito bom.
Ficha Técnica

43,7 kWh
Bateria
11 kW
Max AC
100 kW
Max DC

120 Nm
Binário Máximo
113 cv
Potência

10,5 s
0-100 KM/H
135 km/h
Velocidade Máxima

16,6 kWh/100 km
Combinado
17,8 kWh/100 km
Registado

23.300€
Base
27.800€
Ensaiado
Estilo, desempenho, simplicidade
Alguns materiais, autonomia (versão de menor bateria)



