OMODA 9 – Um SUV familiar de… 535cv!

Fomos até ao Autódromo Internacional do Algarve para colocar o OMODA 9 à prova numa série de exercícios de segurança, performance e condução. Venham daí conhecer o resultado.

Há carros que impressionam pela ficha técnica. Outros só começam verdadeiramente a fazer sentido quando nos sentamos ao volante. O OMODA 9 encaixa, de certa forma, nestas duas categorias. Se os números chamam à atenção no papel, depois de um dia ao volante em quatro cenários distintos nos terrenos do Autódromo Internacional do Algarve, começam a fazer sentido.

Foi precisamente esse o objetivo do OMODA 9 Driving Experience, promovido pela OMODA | JAECOO no circuito de Portimão. Ao longo do dia, juntamo-nos a outros jornalistas e convidados para conhecer este SUV de diferentes ângulos, passando por exercícios de segurança ativa em piso de baixa aderência e por uma caravana que colocou toda a gama à prova.

535cv num SUV familiar?

A ficha técnica é, ainda assim, difícil de ignorar. O OMODA 9 recorre ao sistema híbrido plug-in SHS, que combina um motor 1.5 turbo a gasolina com três motores elétricos (dois no eixo dianteiro e um no eixo transeiro) que lhe conferem tração integral. A potência combinada anunciada pela marca chega aos 535cv, com 4,9 segundos dos 0 aos 100 km/h.

A resposta do acelerador é rápida e o binário dos motores elétricos parece torná-lo mais “leve” do que realmente é. O OMODA 9 ganha velocidade com uma facilidade desconcertante para um automóvel destas dimensões e a gestão entre o motor térmico e os motores elétricos é, em geral, muito suave.

Mais ágil do que parece

Um dos momentos mais interessantes do programa foi o exercício de segurança ativa em piso de aderência reduzida. O objetivo não era descobrir até onde conseguíamos levar o OMODA 9, mas perceber como o carro reage quando as condições deixam de ser perfeitas.

Curvas e contracurvas apertadas “apertavam” com o chassis do carro e nas zonas de pouca aderência a primeira coisa que se nota é a importância da tração integral. A combinação dos motores elétricos e da gestão eletrónica permite ao SUV encontrar tração com rapidez. O comportamento é progressivo e transmite uma sensação de controlo, sobretudo quando se deixa a eletrónica fazer o seu trabalho. É também um exercício que ajuda a perceber que a enorme potência do OMODA 9 não é necessariamente sinónimo de condução nervosa. Como um bom familiar, parece preferir manter-se previsível e estável.

O pedal do travão exige algum período de adaptação, mas nada do outro mundo. A resposta é bastante imediata e, sobretudo numa utilização mais intensa, pode parecer mais agressiva do que estamos habituados.

Mais importante do que a sensação inicial é a estabilidade do conjunto. Mesmo perante uma travagem forte, o OMODA 9 não transmite uma sensação de descontrolo. A massa está lá — apesar de a potência combinada dos motores nos fazer esquecer que estamos aos comandos de um SUV grande e pesado — mas o carro mantém uma trajetória segura e previsível.

Familiar, sim. Desportivo, q.b.

É no circuito fechado de Karting do AIA que o OMODA 9 começa a revelar aquilo que é e, talvez ainda mais importante, aquilo que não pretende ser.

Com instrutores profissionais a acompanhar o exercício, tive oportunidade de explorar mais livremente a resposta do chassis. Parece haver mais potência disponível nos motores do que o chassis tem capacidade para manobrar e encontramos aqui o reagente limitante para o elevar a outra categoria mais desportiva.

O OMODA 9 acelera brutalmente em reta. Nas zonas de travagem, a potência dos travões está à altura da tarefa. Mas quando chega a hora de apontar o enorme SUV para uma curva, a carroçaria e a suavidade da suspensão, mesmo em modo “sport”, denuncia a sua vocação mais familiar.

Mas, numa condução dita “normal” estas características ajudam a tornar o carro fácil e muito agradável de conduzir. E não se pode pedir mais de um SUV familiar. É um SUV vocacionado para o conforto, para tornar cada viagem o mais agradável possível para os seus ocupantes. Uma missão que cumpre sem qualquer falha.

Do papel para o asfalto, o erro seria esperar que um SUV familiar de grandes dimensões, com suspensão orientada para o conforto, se comportasse como um coupé desportivo apenas porque tem 535cv.

O modo Sport permite mais atrevimento, mas…

É tentador selecionar o modo Sport quando temos 535cv à disposição. A resposta do sistema híbrido torna-se mais imediata e a aceleração ganha ainda mais protagonismo. E há, de facto, “mais motor”, mas não há uma transformação radical do comportamento. Ao volante, isso significa que é possível sair mais depressa de uma curva, mas não necessariamente entrar nela mais depressa.

Um papa-léguas

Depois da pista, uma caravana composta por OMODA 5, OMODA 7 e OMODA 9 permitiu fazer aquilo que nenhum circuito consegue reproduzir: conduzir os carros como seriam utilizados no dia a dia. E é precisamente aqui que o OMODA 9 se destaca.

Em estrada aberta, a potência deixa de ser uma provocação e passa a ser uma reserva disponível para ultrapassagens. O sistema híbrido trabalha de forma suave e o isolamento do habitáculo ajuda a criar uma experiência relaxada.

É também neste contexto que a suspensão adaptativa consegue mostrar melhor as suas vantagens. O OMODA 9 prefere claramente uma condução tranquila, absorvendo irregularidades e funcionando como um grande SUV de viagem.

E fora de estrada? Afinal é um SUV…

A caravana também deixou o asfalto para trás e colocou o OMODA 9 perante piso de todo-o-terreno. Aqui, a tração integral volta a assumir importância. Os diferentes modos de condução permitem adaptar a resposta do carro a diferentes superfícies e a eletrónica consegue gerir a entrega de potência de forma bastante eficaz.

Não é um todo-o-terreno tradicional, nem pretende ser. Mas, para estradões de terra, pisos de baixa aderência e situações em que a tração é mais importante do que a capacidade de transpor obstáculos extremos, o OMODA 9 cumpre.

Tecnologia que se sente

Outro dos elementos que marca a experiência é a quantidade de tecnologia disponível. O OMODA 9 reúne 19 sistemas avançados de assistência à condução e apresenta um Head-Up Display com realidade aumentada, projetando informação diretamente no campo de visão do condutor.

Depois de passar pelos exercícios de segurança ativa, esta tecnologia deixa de parecer apenas uma lista de equipamento. Torna-se parte integrante da experiência de condução.

Noah Monteiro fecha o dia em pista

O encerramento do evento trouxe uma perspetiva diferente. Noah Monteiro, piloto profissional português de Fórmula 4, juntou-se ao grupo para experimentar o OMODA 9 no Autódromo Internacional do Algarve.

Ver um piloto habituado a máquinas de competição ao volante de um SUV desta dimensão ajuda, inevitavelmente, a colocar as coisas em perspetiva.

O OMODA 9 consegue ser muito rápido em aceleração e tem capacidade de travagem e motricidade suficientes para lidar com um ritmo elevado. Mas o seu ADN permanece evidente: é um SUV familiar, confortável e tecnológico, que por acaso tem potência suficiente para deixar muitos automóveis desportivos para trás.

O sistema híbrido é a principal estrela: entrega potência com enorme facilidade, oferece boa capacidade de tração e permite circular em modo elétrico durante uma distância significativa. A combinação de conforto, espaço, equipamento e desempenho em linha reta cria um conjunto particularmente orientado para viagens longas.

O OMODA 9 é um híbrido plug-in extremamente potente que prefere levar cinco pessoas depressa, em silêncio e com conforto até ao seu destino. E não há melhor predicado para um excelente SUV familiar do que este.