Respondendo a um convite da APVE – Associação Portuguesa do Veículo Elétrico, o Escape Livre enfrentou o Desafio 1300 Electric. E superou todas as metas ao ligar Guimarães a Sagres e regresso à cidade berço em menos de um dia. A dupla formada por José Manuel Costa e Guilherme Morgado conduziram o DS Automobiles Nº8 ao longo de 1313 quilómetros com um consumo médio de 20,4 kWh/100 km.
O desafio era irrecusável: ligar a Cidade Berço de Portugal ao ponto mais a sul do continente e regresso através de auto estrada (mais de 90% do percurso) e estradas nacionais. Quem organizou esta iniciativa foi a APVE – Associação Portuguesa do Veículo Elétrico, que integrou o evento no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade 2026.

À dupla do Escape Livre tocou-nos um DS Automobiles Nº8, o mais recente modelo da casa francesa. A Brisa e a Galp apoiaram a iniciativa, a primeira fornecendo a Via Verde para as portagens e a alimentação nas áreas de serviço Colibri. Já a segunda assegurou os carregamentos dos doze veículos 100% elétricos ao longo do percurso.

Semana da Mobilidade e Guimarães 26 – Capital Verde Europeia
Com efeito, esta iniciativa inseriu-se na Semana Europeia da Mobilidade e a escolha do ponto de partida também não foi inocente. Guimarães é o berça da nação e foi Capital Verde Europeia. Foi a segunda cidade portuguesa a receber esta distinção, reconhecendo décadas de investimento em políticas consistentes de sustentabilidade ambiental, transição ecológica e inovação urbana.
Vânia Silva, vereadora da Mobilidade e Transportes da Câmara Municipal de Guimarães, recebeu a caravana do Desafio 1300 Electric no Laboratório da Paisagem. Durante a conferência de imprensa onde esteve presente a Galp, representada por Tiago Durana Pinto e o presidente da APVE, Paulo Pereirinha.
Para lá de agradecer a escolha de Guimarães para ponto de partida e chegada da iniciativa, a vereadora do executivo vimaranense lembrou que todos temos de dar o passo em frente para “atacar” as alterações climáticas. E, com toda a certeza, a mobilidade elétrica é uma das soluções para reduzir as emissões.

Por outro lado, o representante da Galp destacou o trabalho feito na concretização de uma rede de carregamentos de alta velocidade no eixo A1 – A2 e, lembrou, ter sido a Galp a primeira a colocar um posto de carregamento rápido na A5 em 2010. Um marco histórico pois foi o primeiro deste género em toda a Europa!
O primeiro dia do Desafio 1300 Electric terminou com um jantar oferecido pela edilidade no restaurante Café Oriental antes do exigido descanso antes da maratona. Porém, ainda havia algumas coisas para fazer.

Desafio 1300 Electric começou com… noite curta!
Com toda a certeza que a logística para levar 12 carros até Guimarães não é fácil. Como não foi… Os modelos disponíveis vinham de marcas europeias, a saber: BMW iX3, DS Automobiles Nº8, Alpine A390 GT, Audi A6 Avant, Citroen C5 Aircross, Mini Countryman JCW, Renault Scénic, Skoda Elroq, Toyota C-HR+, Volkswagen ID.Buzz, Jeep Compass, Peugeot 3008.
Com efeito, alguns carros chegaram tarde e com pouca carga. Felizmente que o nosso DS Autombiles Nº8 tinha… 99% de carga na bateria e foi questão de colocar os autocolantes dos apoios da iniciativa e zarpar para o hotel. Outros companheiros de aventura não tiveram a mesma sorte…
Antes de cair nos braços de Morfeu, foi tempo de estudar o percurso, conhecer as características do “nosso” DS Automobiles Nº8 e perceber se fazer o percurso em menos de 24 horas seria ou não possível. Visto que não havia nada mais para cuidar, a almofada foi a melhor conselheira… para uma noite curta.

As condições do desafio
Com o sol ainda tímido, mas com um calor infernal, saltamos da cama e encaminhamo-nos para a Rua Conde Dom Henrique. Onde, frente ao Paço dos Duques de Bragança e sob o olhar vigilante de D. Afonso Henriques, se reuniram os doze automóveis que iriam iniciar a epopeia.
Com a presença da RTP, lá foram alinhadas as 12 viaturas, fizeram-se as fotos da praxe e as entrevistas necessárias, com a presença da vereadora Vânia Silva. O horário assemelhou-se a uma pastilha elástica, mas às 09h30 arrancou o Desafio 1300 Electric. Que tinha algumas condições, a mais premente e ligada a questões de segurança, a ser a paragem a cada 200 km ou duas horas de condução.
Estas com o propósito de fazer descansar os condutores, injetar eletrões nos automóveis nos postos rápidos da Galp (até 400W) e alguma energia no chassis dos condutores através dos petiscos nas áreas de serviço Colibri da Brisa.

Primeiros quilómetros com muitas peripécias
A saída de Guimarães atrasou-se um pouco e o tráfego da cidade berço apanhou-nos em cheio. Dessa forma, os enganos seriam inevitáveis e logo na primeira saída para a autoestrada rumo a sul… erro! Segunda saída… meio erro. Meio erro? Convirá dizer que saímos de Guimarães em dois grupos – um grupo com os automóveis com mais autonomia, outro com de menor autonomia. Ora o nosso líder distraiu-se com o tráfego e seguiu para norte. Não quisemos ser ovelhas e saímos para sul…
Dessa forma, o grupo desmembrou-se e somente quatro carros, onde estava o DS Automobiles Nº8 do Escape Livre, apanharam a autoestrada rumo a Sagres. A paragem inicial acabou por ser em Pombal, onde uma pausa para descansar foi bem acolhida depois de 227 km de percurso.
Com toda a certeza foi aproveitada para recuperar alguma da autonomia que um consumo de 18,9 kWh/100 km gastou. Convirá lembrar que fizemos o percurso, sempre, dentro dos limites de velocidade. Dessa maneira, desde que saímos de Guimarães que o ritmo foi de 120 km/h.
Reabastecidos, carros e condutores – a organização entregou a cada condutor um pacote constituído de água, barra energética, um salgado e um doce que foi decisivo para a segunda parte do trajeto.

Desafio 1300 Electric rumo ao Algarve com mais… peripécias
Com efeito, evitámos o trânsito da capital ao sair para Santarém e “saltar” o rio sem passar pelas pontes mais a sul. Mantivemo-nos em autoestrada e a paragem seguinte seria em Alcácer do Sal. Ou seja, mais 215 km pela frente desde Pombal.
Os grupos voltaram a juntar-se antes da sairmos da A1 e, espantados, percebemos que todos seguiam a 100 km/h! Querem ver que estávamos a estragar a média? Afinal… não, pois estávamos a gastar menos que os outros. Mistérios… que não impediram a ultrapassagem. Com efeito, estávamos a seguir as regras da iniciativa e não havia necessidade de reduzir o andamento.
Alguns camiões e mais uma distração do líder da caravana (que, entretanto, tínhamos recuperado) anulou a paragem em Alcácer do Sal e em Grândola! Ainda saímos da A2 em direção a Ourique para reagrupar e perceber onde tínhamos errado. Com toda a certeza que esta foi uma daquelas paragens que faz lembrar o chavão “Deus escreve direito por linhas tortas”.
Em primeiro lugar, se continuássemos até Aljustrel, faríamos cerca de 315 km sem paragem – eu sei, vocês todos fazem isso… mas não deviam! Em segundo lugar, tínhamos de perceber qual a área de serviço onde deveríamos parar. É que a hora de almoço já tinha passado há muito e o pacote de “emergência” já tinha sido devorado há muito.
Cumprimos os cerca de 78 km até Aljustrel para, finalmente parar e reabastecer o DS Automobiles Nº8 e o nosso depósito com uma bela refeição cortesia da Colibri.

Caminho até Sagres para ver o Pôr do Sol
Depois da conversa em dia e das experiências ao longo do dia, chegava a hora de demandar a fortaleza de Sagres, o ponto mais a sul de Portugal. Os cerca de 165 km foram cumpridos a bom ritmo, sem paragens e, felizmente, com pouco trânsito em Vila do Bispo e na chegada a Sagres. Estavam cumpridos 653 km… metade do desafio quando eram 17.30 horas. Ou seja, necessitamos de mais de sete horas para chegar a meio do percurso. Cortesia dos percalços que tivemos, claro.

Fomos recebidos, em primeiro lugar, pelo vento fresco que habitualmente assola a fortaleza. Em segundo lugar pelas muitas caravanas que trazem turistas para ver o magnífico Forte de Sagres, renovado, e o espetacular pôr do sol. Finamente formos muito bem recebidos por Ana Cláudia Silveira, responsável pela Fortaleza de Sagres e, mais tarde, pela presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Paula Freitas.
A chegada da dúzia de automóveis que integrava a comitiva da iniciativa “Desafio 1300 Electric” levou quase uma hora. A viagem de regresso a Guimarães ameaçava tornar-se um desafio noturno. Ameaça concretizada quando a presidente da edilidade esteve a “escolher” o seu próximo automóvel 100% elétrico com a ajuda de Paulo Pereirinha, Filipe Machado e Miguel Carvalho e Branco, os membros da APVE. E quando estávamos a caminho da hora do pôr do sol, a decisão de observar esse espetacular evento, “roubou” horas ao desafio.

Regresso a Guimarães sem companhia
Com efeito, porque tínhamos autonomia mais que suficiente para cumprir os 165 km até à área de serviço de Aljustrel e porque a barriga começava a dar horas, decidimos arrancar deixando a caravana a desfrutar do pôr do sol. A sedução do fenómeno não se compaginava com o objetivo da missão.
Jantámos na área de serviço Colibri de Carregal do Sal e carregámos em menos de uma hora 100% da bateria ficando prontos para “atacar” os cerca de 210 km até Pombal. Com um espírito alegre, a equipa do Escape Livre fez a tirada de uma só vez e com um consumo ligeiramente superior de 19 kWh/100 km.
Mantendo a velocidade dentro dos limites legais, os derradeiros 200 km até Guimarães decorreram sem sobressaltos e chegámos ao destino com uma autonomia de 102 km depois de um consumo mais elevado. Contas feitas, a média feita foi de 20,4 kWh/100 km, um valor justificado pelo facto da maior parte do percurso de regresso ser feito em subida. Recordamos que à chegada a Sagres, o consumo era de 18,7 kWh/100 km. Os 1313 quilómetros foram efetuados em menos de 19 horas a uma média de 82 km/h.

Os quatro carregamentos feitos não eram necessários, pois o nosso DS Automobiles Nº8 exibiu, pelo consumo feito entre Guimarães e Sagres, uma autonomia ligeiramente superior a 500 km. Já no percurso inverso, a autonomia é de 476 km.
Com toda a certeza que esta viagem, cumprindo paragens a cada duas horas de condução, seria feita em menos de 12 horas (com pausas de 15 minutos) ou menos de 14 horas (com pausas de 30 minutos.)

Conclusões do Desafio 1300 Electric
Obviamente que os atrasos devido às peripécias ocorridas ao longo do percurso atrasaram o evento. As fotos, o deslumbramento que o pôr do sol em Sagres oferece, mais a divertida e excelente receção feita pela presidente da edilidade de Vila do Bispo, tudo contribuiu. Com efeito, alguns dos automóveis envolvidos no Desafio 1300 Electric afloraram as 22 horas para fazer os 1313 quilómetros do percurso. Que para alguns teve mais alguns largos metros devido a alguns equívocos à saída de Sagres e à necessidade de carregar a bateria de alguns veículos.
Porém, no caso do Escape Livre que tentou fazer tudo o mais científico possível, ficaram provadas várias coisas. Em primeiro lugar, a autonomia já não é um papão. Como digo acima, o DS Automobiles Nº8 tem uma autonomia média superior a 500 km o que permitiria fazer os 1313 quilómetros com apenas duas paragens.
Com capacidade de carregamento até 160 kW, permite recuperar 200 km de autonomia em 10 minutos e levar a bateria dos 20 aos 80% em 27 minutos. Portanto, fazer uma viagem com mais de um milhar de quilómetros é possível com apenas duas paragens ou, cumprindo as regras de segurança com cinco pausas de 15 minutos. Por outro lado, o modelo da marca francesa do grupo Stellantis provou ser um automóvel confortável, espaçoso e um dos que mais elogios recebeu pelo estilo vanguardista. Definitivamente, um grande estradista que foi excelente companhia neste Desafio 1300 Electric da APVE.






