Audi A2 está de regresso em modo 100% elétrico

A proposta da Audi foge ao perímetro habitual de ação da marca fazendo regressar o Audi A2 num assomo revivalista pouco comum na casa alemã.

A proposta da Audi foge ao perímetro habitual de ação da marca de Ingolstadt. Em primeiro lugar, faz regressar o Audi A2 num assomo revivalista que não é comum na casa alemã. Em segundo lugar, a inspiração vem dos modelos AUDI chineses, marca criada em colaboração com a SAIC. O resto é “business as usual”, ou seja, plataforma e unidade motriz vem das prateleiras de peças do grupo VW.

Com efeito, a ideia é simples: oferecer o mais acessível dos modelos 100% elétricos da Audi recuperando o modelo mais eficiente da casa alemã que surgiu em 1999 e viveu até 2005. Conhecido como 8Z, era um utilitário com formato de monovolume com quatro lugares e feito em alumínio. Desenhado por Luc Donckerwolke utilizava motores diesel e gasolina e a versão mais eficiente gastava menos de 3 l/100 km. Não foi um sucesso, pois apenas 176.377 unidades foram produzidas. O maior rival da época, o Mercedes-Benz Classe A vendeu mais de um milhão de unidades.

Audi A2 e tron

Audi A2 de regresso… mas posicionado acima do original

Uma vez que a Audi decidiu acabar com o A1 e com o Q2, a gama da casa alemã tinha como modelo de entrada o A3. Ora, a chegada do A2 sugere que este será o modelo de entrada na gama ocupando, de uma vez só, o lugar do A1 e do Q2.

Às vezes o que parece não é… Com efeito, o A2 posiciona-se como um modelo paralelo ao A3 com oferta 100% elétrica.

De acordo com a Audi, o A2 tem menos 3 centímetros que o A3 (4,32 metros de comprimento) exibindo 1,79 metros de largura e 1,55 metros de altura. Ou seja, claramente dentro do envelope dimensional do A3.

Audi A2 e tron

Estilo retro… mas não muito

Por outro lado, o Audi A2 surge com clara ligação ao modelo original. Em primeiro lugar o perfil arredondado do tejadilho. Em segundo lugar o quarto vidro no pilar C. Finalmente, o óculo traseiro dividido em duas partes com o spoiler a fazer a divisão. Tudo contribui para a sensação de “dejá vú”, lembrando o A2 original.

Este revivalismo é pouco habitual na Audi… de tal forma que o resto do carro foi tratado de outra forma. De facto, os farolins traseiros são muito diferentes e a frente lembra os modelos da marca chinesa AUDI. Concretamente, o modelo E7X.

Por outro lado, as jantes vão das 18 às 20 polegadas com um detalhe curioso. Para otimizar os consumos de energia, as jantes recomendadas são as de 19 polegadas. Dessa forma, o formato monovolume do original foi mantido. Como dizem os americanos em linguagem de basebol, questão de cobrir todas as bases…

Audi A2 e tron

Aerodinâmico e elétrico, assim é o Audi A2

Com o fim de oferecer a melhor definição aerodinâmica, o Audi A2 tem um fundo totalmente plano e defletores nas cavas das rodas. Do mesmo modo, a grelha dianteira está fechada e os puxadores das portas estão na base dos vidros com forma de asa.

Curiosidade: para que não fique de fora do carro por falta de corrente da bateria de 12 volts, o sistema piezoelétrico de abertura tem, em cada porta, uma bateria própria. Inteligente! Tudo isto permite que o coeficiente de arrasto seja de, apenas, 0,24. Excelente!

Audi A2 e tron

Interior deixa um amargo na boca

É quase impossível alguém dizer que não gosta dos interiores da Audi. Reconhecemos que ultimamente a marca tem tergiversado do habitual. Com toda a certeza que o A2 mantém essa deriva e o A2 acaba por deixar um amargo na boca.

Audi A2 e tron

Não tivemos o privilégio de estar na apresentação do Audi A2, mas pelos relatos escutados, há alguns materiais menos próprios para um modelo de uma marca premium. Por outro lado, a Audi, em colaboração com a Fidlock criou um fecho magnético seguro, que aceita agarrar vários acessórios ou prender sacos. Inspiração clara nos “YouClip” da Dacia. Aproveitamos para dizer que a bagageira também recebe estes pontos de fixação e que a Audi anuncia 396 litros de capacidade que chega aos 1336 litros com os bancos rebatidos. A versatilidade não é grande, limita-se a uma repartição de rebatimento 40/20/40.

Audi A2 e tron

Mas regressemos ao interior para lhe dizer que o sistema operativo está baseado no Google. Dessa forma, tem um planeador de autonomia que leva em linha de conta vários parâmetros: trânsito em tempo real; disponibilidade dos pontos de carregamento; topografia; velocidade indicada para chegar aos postos de carga ao longo do percurso. Útil!

Audi A2 e tron

Claro que os sistemas ADAS são dos mais completos. Até faz parte um assistente de evasão entre 30 e 150 km/h e a possibilidade de o carro fazer uma paragem de emergência em caso de doença súbita e fazer uma chamada de emergência. Igualmente útil são os carregadores de indução de 25W com íman. O que para os iPhone com MagSafe é uma bênção. Para quem não tem íman incorporado já não é uma boa ideia…

Audi A2 e tron

Habitabilidade razoável

Com toda a certeza que o habitáculo tem uma boa habitabilidade, à luz dos 2,77 metros de distância entre eixos. O problema é que as baterias tornam o piso alto e não custa muito perceber que as pernas de quem viaja atrás ficam dobradas. De acordo com as medidas fornecidas pela Audi, há espaço suficiente para a cabeça e para quatro passageiros.  

Audi A2 e tron

Quatro níveis de potência e três baterias

De facto, a Audi não hesitou em oferecer uma ampla gama de potências com várias baterias. Dessa forma, as potências dos motores vão dos 170 aos 326 cv. O modelo de base tem 170 cv e 350 Nm de binário, alimentados por uma bateria de 51 kWh (LFP) que oferece uma autonomia de 423 km com carregamento até 100 kW.

Segue-se o modelo com 190 cv e 350 Nm, bateria de 59 kWh (LFP) e uma autonomia de 501 km com capacidade carga até 105 kW. O Audi A2 com 231 cv e 350 Nm de binário, recebe uma bateria de 79 kWh (NMC) com 649 km de autonomia e potência de carga até 183 kW. Finalmente, a versão mais potente tem 326 cv e 545 Nm, com uma bateria NMC com 79 kWh que oferece uma autonomia de 630 km e carregamento até 182 kW.

Audi A2 e tron

Por outro lado, sendo a plataforma do Audi A2 a MEB, o modelo tem tração traseira e oferece quatro níveis de travagem regenerativa. Junta-se a função “One Pedal” que permite forte regeneração imobilizando o veículo sem recorrer aos travões. Finalmente, há três configurações para as suspensões: duas com molas e amortecedores passivos , divergindo na afinação (uma mais desportiva com rebaixamento do chassis e maior firmeza, outra mais suave) e uma com amortecedores pilotados para a versão mais potente.

Finalmente, dizer que ainda não há preços para Portugal, mas acreditamos que ficarão entre os 40 e os 45 mil euros.