Terá a BYD bebido inspiração nos golfinhos amestrados chineses para cumprir ataques kamikaze quando fez o Dolphin G DM-i? Não faço a mínima ideia, mas a verdade é que por trás do aspeto cândido e simpático do novo BYD Dolphin G está uma verdadeira arma que tem como objetivo combater a concorrência num segmento importante do Velho Continente. Com efeito, todas as características do novo modelo assinalam superioridade, embora um PHEV no segmento B faça pouco sentido e já explicamos porquê. Dessa forma, fomos experimentar o novo modelo da casa chinesa.

Antes de mais nada temos de dizer que este é o primeiro BYD pensado e concebido para a Europa. Mercados como o chinês ou na América do Sul não vão receber este novo BYD Dolphin G. Porém, por falta de local no Velho Continente, vai continuar a ser fabricado na China.

Além disso, não há equívocos ou hesitações… o novo modelo é rival direto do Renault Clio e de mais um alargado leque de rivais como o Peugeot 208, Opel Corsa e Toyota Yaris.

Finalmente, dizer que por ser pensado para o mercado europeu, o Dolphin G não tem ligação aos modelos 100% elétricos como o Dolphin Surf ou o Dolphin. Confusos? Naa… é simples! Os dois últimos são elétricos, o modelo que fomos experimentar é um híbrido Plug In e, como disse acima, é um automóvel exclusivo para a Europa.

Novo BYD Dolphin G DM-i é único no mercado
De acordo com a estratégia da marca, os híbridos Plug In (PHEV) passam a estar no foco da BYD. Dessa forma, depois dos modelos de topo, a tecnologia “Super Hybrid” nativa chegou ao segmento B, depois do Atto 2 também estar disponível com versão PHEV.

Por outro lado, o Dolphin G DM-i junta o facto de ser o primeiro BYD pensado, exclusivamente, para a Europa, ao título de único modelo do segmento B com este tipo de propulsão. Confessamos que à primeira vista não parece útil ter um automóvel deste segmento com um oneroso PHEV. Mas uma autonomia em modo 100% elétrico até aos 105 km, parece-nos bem mais interessante. Ainda por cima, este novo BYD Dolphin G seja um automóvel muito interessante.

Linguagem de estilo “Ocean” marca o Dolphin
De facto, tudo começa com o estilo. Ainda não é um ganhador de Pebble Beach, mas é agradável e longe daquilo que marcou o arranque da BYD. Por outro lado, começamos a ver uma harmonização que será bem vinda e que identifica o Dolphin como um BYD.

Olhando ao pormenor, identificamos uma entrada de ar ativa na grelha dianteira que permite o arrefecimento do motor e a eficiência aerodinâmica.
De acordo com a ficha técnica do modelo, os 4160 mm de comprimento tornam-no maior que um Renault Clio, sendo que nas restantes medidas acaba por ser mais largo e alto e com uma maior distância entre eixos. O que é que isto significa?



Em primeiro lugar, uma habitabilidade generosa. Em segundo lugar, uma bagageira que aceita 425 litros (são mais 34 litros que o Clio) e ainda tem um compartimento sob o piso. A qualidade de todas as folgas e dos materiais deixa-nos agradavelmente surpreendidos.

Novo BYD Dolphin G tem um interior bem equipado
O defeito não é novo e se no exterior as medidas que foram tomadas, surtiram efeito, no interior o discurso é diferente. A qualidade é má? Não! O estilo é algo insonso? É! Mas… temos algo de que nos queixar? Não!

Com efeito, do ecrã central sensível ao toque com 12,8 polegadas, aos revestimentos, passando pelos bancos e pelos revestimentos, pouco temos a criticar. No ecrã tudo é nítido e bem arrumado como é timbre da BYD. Os materiais não são Premium, nem isso era esperado. Mas a simplicidade e dureza de alguns deles não choca absolutamente nada.

O sistema multimédia e info entretenimento do novo BYD Dolphin G funciona satisfatoriamente – tem Google Maps integrado – e há botões físicos. A lista de funcionalidades de segurança e assistência à condução é longa… e sim, aqueles sinais sonoros irritantes são uma constante até que os desligue. E não, não há um botão único que faça isso.



Nota para a posição de condução, alta, que é forçada pela colocação das baterias por baixo do habitáculo. Não é defeito… é feitio. E não provoca nenhuma dificuldade, pois os bancos são confortáveis e têm ampla afinação. Afinal é como se estivéssemos sentados num automóvel elétrico.

Sistema “Super Hybrid” original da BYD
Simplificando, o sistema híbrido do novo BYD Dolphin G DM-i é o “Super Hybrid” que já é utilizado, por exemplo, no Atto 2 DM-i. É a quinta geração e conta com um motor a gasolina de quatro cilindros com 1.5 litros de cilindrada e dois motores elétricos. Contas feitas, são 176 ou 212 cv, dependendo da versão. Em contraste com muitos outros sistemas PHEV, o motor a gasolina é um gerador para ajudar a manter a bateria carregada.

Da mesma forma, o condutor pode escolher entre o modo híbrido ou 100% elétrico. Lembrar que os modelos Active têm uma potência de 176 cv e os Comfort chegam aos 212 cv, e a bateria pode ser de 7,2 kWh para os Active e de 18,3 kWh para o Comfort. Significa isso que há grandes diferenças entre as autonomias oferecidas.

O novo BYD Dolphin G DM-i Active tem, apenas, 40 quilómetros em modo 100% elétrico, ao passo que o Comfort chega aos 104 km. A autonomia total ultrapassa os mil quilómetros devido aos consumos do motor térmico se ficarem pelos 4,3 l/100 km.
A mecânica do novo BYD Dolphin G DM-i nunca foi pensada para destacar números ferozes em termos de performances. A aceleração 0-100 km/h em 8,4 segundos não é brilhante, mas para o segmento e para aquilo que os consumidores exigem, é mais que suficiente.

Silencioso e suave
Por outro lado, é um automóvel silencioso e o motor térmico aparece como ruído de fundo, nunca como ator principal. O que oferece uma sensação refinada e silenciosa. Do mesmo modo, quando viajamos em modo 100% elétrico, serenidade é, mesmo, a palavra certa. A cereja no topo do bolo são os mais de 1000 km de autonomia reclamados pela BYD.

Em Portugal são oferecidas duas versões: Boost e Comfort, ambas com o motor mais potente de 212 cv. Os preços arrancam nos 29.990 euros do Boost e 31.990 euros para o Comfort, valores excelentes para um PHEV ainda por cima bem recheados de equipamento.

Suspensão convencional no novo BYD Dolphin G
Com toda a certeza que olhando ao historial da marca chinesa, dificilmente poderíamos encontrar um carro que despertasse emoções. Ao volante sentimo-nos uma peça do conjunto e não aquele que veio dominar a máquina. Por outro lado, não há nada que o novo BYD Dolphin faça errado: a direção responde de forma satisfatória, apesar da falta de sensibilidade e os travões respondem às nossas solicitações.

As suspensões McPherson à frente e de braço de torção atrás são mais que suficientes para um automóvel do segmento B. As jantes podem ser de 16 ou de 18 polegadas. E não se assuste que o conforto não é prejudicado de forma incisiva pelas jantes maiores. Já agora dizer que o raio de viragem é de 5,5 metros, o que é essencial num citadino. Em suma, estamos perante um automóvel absolutamente racional que não é desportivo, versátil e descontraído.

Nunca se esqueça de carregar a bateria!
Todas as vezes que se esquecer de carregar a bateria, está a enfraquecer a vertente do consumo. Verdade que mais de uma centena de quilómetros de autonomia em modo 100% elétrico é excelente. Mas se confiar apenas no motor de combustão, o novo BYD Dolphin G DM-i não é mais eficaz que os concorrentes.

Aliás, um Toyota Yaris Hybrid consegue os mesmos níveis de consumo. Porém, não é capaz de igualar o Dolphin G que dá a sensação de estarmos ao volante de um carro elétrico. E isso, é, claramente, uma mais-valia!

Ser um modelo PHEV num segmento onde os condutores não fazem quilómetros suficientes para tirar todo o partido da tecnologia, acaba por ser a sua maior virtude. Capaz de oferecer uma excelente autonomia e uma experiência de condução de carro elétrico sem ansiedade pela autonomia, o novo BYD Dolphin G DM-i não é o mais emotivo dos automóveis, mas é o mais racional e um automóvel altamente recomendável! Em breve poderá ler o ensaio completo nas plataformas do Escape Livre.






