Amble One é português e desenhado pelo homem que fez o Audi R8 e o Apple Watch

Chama-se Amble One e foi criado por uma start-up portuguesa que quer reinventar a classe dos microcarros/quadriciclos.

Chama-se Amble One e foi criado por uma start-up portuguesa que quer reinventar a classe dos microcarros/quadriciclos. Com efeito, José António Uva, o antigo banqueiro de investimento e o visionário por trás do hotel São Lourenço do Barrocal, quis algo diferente. Insatisfeito com os carrinhos de golfe e com os “buggies”, decidiu mudar. O resultado é a Amble e o One, a meio caminho entre um carrinho de golfe e o “Rover” lunar.

Com efeito, a ideia surgiu porque “não sou o tipo de pessoa que se contenta com o que existe” declarou José António Uva ao site Monocle. E assim quando de uma forma inesperada abriu um espetacular resort em Reguengos de Monsarraz, o São Lourenço do Barrocal, Hotel & Monte Alentejano, percebeu o problema.

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“Os carrinhos de transporte são o primeiro ponto de contacto com os hóspedes, mas nunca estão à altura da beleza dos espaços e das paisagens que encontramos nos melhores hotéis.” Mas há mais… “Não são fiáveis, não têm suspensão adequada, sendo desconfortáveis.” Mas José António Uva vai mais longe e diz que “a sua imagem dificilmente melhoraria pela associação a um certo líder mundial.”

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José António Uva, Michael Trooper, Julien Honig, Adrien Roose

Amber One fruto de várias coincidências

Com toda a certeza que Lisboa foi o catalisador desta aventura. Porquê? Na capital portuguesa viviam membros-chave da Amble. Falamos de Julian Honig, designer que trabalhou na Audi, na Lamborghini e na Apple. Com efeito, foi ele que desenhou o primeiro Audi R8, supervisionando o estilo de automóveis como o A4, Q3 e RSQ3, entre muitos outros.

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Após ter completado o seu tirocínio na Apple, na Califórnia, onde foi um dos responsáveis do Apple Watch e participado no projeto do Apple Car, decidiu viver em Lisboa. E. coincidência das coincidências, o filho de José Uva era colega de escola do filho de Honig. De acordo com José António Uva, em declarações à Monocle, “não sou espiritual nesse sentido, mas acho que acabamos por cruzar o caminho das pessoas certas quando estamos à procura de algo.” E assim os dois encontraram-se à porta da escola.

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Ideia do Amble One cresceu rapidamente

Com efeito, a ideia inicial era fazer um produto para os hotéis. Porem, José António Uva percebeu que se fizesse um modelo homologado para andar na via pública, poderia passar de um mercado fechado para uma maior divulgação. De condóminos fechados à mobilidade urbana.

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Ao projeto, já com quatro anos, juntaram-se dois outros elementos-chave: Adrien Roose, empreendedor belga que fez a conhecida marca de bicicletas elétricas Cowboy. E Michael Trooper (que vive em Lisboa), fundador da agência criativa ForPeople ajudou a desenhar o Amble One.

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Rescrever o segmento é o propósito do Amble One

Em primeiro lugar, o estilo. Querendo algo diferente dos carrinhos de golf, Honig arregaçou aa mangas e desenhou algo realmente interessante. Em segundo lugar, a inspiração. De acordo com o designer austríaco, bebeu inspiração no Nasa Lunar Rover dos anos 60, citando Honig, ainda, o Land Rover Serie I e o Ford Bronco, modelo que o designer tem na garagem. Finalmente, criar um modelo que encaixasse no ambiente urbano.

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De acordo com Julien Honig, seria necessário um veículo bem proporcionado, que não tivesse demasiada assinatura de estilo. Por outro lado, há valência dos carrinhos de golfe que são essenciais. Com efeito, as laterais sem obstáculos são essenciais para o transporte de hóspedes, por exemplo.

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Porém, porque este é um quadriciclo pensado, também, para zonas menos fáceis e com climas mais agrestes, há proteção. O Amble One tem total proteção nas laterais e até um tejadilho específico para ser usado em resorts de esqui. Porém, Adrien Roose, o belga que assume o cargo de CEO da Amble (e que também vive em Lisboa), já disse que a empresa está a pensar no próximo modelo.

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Que terá melhor proteção contra os elementos, a pensar nos países do norte da Europa. Apesar disso, o Amble One permanecerá um veículo que se une à natureza deixando a experiência imersiva que é remover a bolha protetora do automóvel comum.

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Velocidade limitada do One, mas com capacidade fora de estrada

Evidentemente que o Amble One é um veículo 100% elétrico e está dentro da categoria L7e, quadriciclo pesado, pelo que exige carta de condução. Poderia circular a 90 km/h, mas a Amble limita a velocidade a 65 km/h. Por outro lado, está a ser estudada uma versão L6e, ou seja, quadriciclo sem carta de condução.

Impressionante é a capacidade de subir inclinações de 25% a 15 km/h. Quanto à autonomia é de 100 km. O carregamento demora 5h30 numa ficha comum. De acordo com a Amble, o One será comercializado em três configurações base: quatro lugares, “pick-up” que troca o banco traseiro por uma caixa de carga, e Cargo que tem uma zona maior de carga fechada. E ao contrário de outros construtores de quadriciclos, a Amble planeia ter versões com volante à direita.

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Um projeto de futuro para Portugal

Com toda a certeza que a ambição é grande e a Amble vai começar por “atacar” o segmento de luxo da hotelaria. Onde existe muita procura de acordo com estudos já feitos. Depois será a vez daquilo que a empresa denomina “Amble Zones”.

Aqui falamos de destinos de férias como as ilhas gregas, o sul de França, Sudeste Asiático, Caraíbas e Espanha. Portugal também está na lista, tal como a Flórida. Depois, a ideia é entrar no segmento dos veículos de baixa velocidade dos EUA.

Da mesma forma, para Portugal, este é um projeto muito importante. “Esta é uma nova fase para Portugal. Costumávamos fabricar coisas para outras pessoas, para outras marcas; agora estamos a acrescentar valor ao que fazemos com os nossos produtos e marcas. É isso que estramos a fazer com a Amble: criar uma marca que tenha autenticidade, um sentido de comunidade e de pertença, mas que seja apelativa para o mundo.” Palavras de José António Uva.

Com efeito, a Amble está a tentar que os veículos sejam montados em Portugal e utilizando o maior número possível de componentes e materiais portugueses. Detalhe delicioso: o volante é forrado a cortiça, um material muito português. Os primeiros Amble One serão entregues em 2028 e o preço rondará os 30 mil euros.