O novo Ferrari Luce é o primeiro automóvel 100% elétrico da casa de Maranello e chegou para quebrar tradições. O que muitos dizem ser uma contaminação da imagem da marca, a Ferrari chama de “perspetiva não convencional e multidisciplinar”. Dessa maneira, Benedetto Vigna, CEO da Ferrari, lembra que “o Luce é o resultado de mais de 60 novas patentes (…) e estamos convencidos que mostramos a nossa liderança quando temos a coragem de ousar e aceitar o desafio de novas tecnologias.” Mas, fica a pergunta: terá a Ferrari ido longe demais?
Ninguém estava à espera disto… depois de ter mostrado o interior desenhado pela LoveFrom de Jonathan Ive, o antigo diretor de design da Apple, chegou a vez do exterior do Ferrari Luce. E… uau! Alguém consegue identificar um Ferrari neste Luce? A reação de Luca di Montezemolo, ex-CEO da Ferrari é elucidativa… “espero que ao menos retirem o ‘Cavallino’ deste veículo!”

Em primeiro lugar há que dar a mão à palmatória: perante o fracasso de outras marcas em oferecer superdesportivos elétricos com a fórmula motor central-dois lugares, a Ferrari seguiu outro caminho. Em segundo lugar, a “nova” Ferrari decidiu, assim, ousar e pensar fora da caixa. Arriscando muito! Finalmente, jogaram em dois tabuleiros: tecnologia e design.

Novo Ferrari Luce é uma pedrada no charco
Com toda a certeza que apostar na LoveFrom de Jonathan Ive acarretou, desde logo, um enorme risco. Se é verdade que Ive foi o responsável pelo estilo dos iPhone e iPad e tudo o que foi feito pela Apple até há pouco tempo, desenhar um automóvel é diferente. Mesmo que Ive tenha estado envolvido no projeto do Apple Car.

Quando a Ferrari mostrou o interior do Luce, alguns torceram o nariz, outros levantaram o sobrolho e os mais jovens adoraram. Afinal, parecia que desembarcaram no Luce um par de iPad com muitas funções dinâmicas e grafismos sedutores. Já o estilo exterior… é outra coisa.

Com efeito, o Luce é um automóvel que se ama ou se detesta! Porém, temos a certeza de que este é um automóvel que foi longamente ponderado e meticulosamente executado, indo bem mais além que um simples iPhone. Há quem diga que é feio… outro dizem que é diferente… outros adoram-no!
Um estilo… diferente
Do mesmo modo, tem as portas traseiras suicidas como no Purosangue, tem um pilar C que desafia a norma. As jantes são de 24 polegadas atrás e 23 polegadas à frente. Por outro lado, é um carro funcional que é mais baixo que um Purosangue, consegue transportar cinco pessoas e aproxima-se do conceito monovolume. O habitáculo parece um automóvel dentro do automóvel, um casulo, e a forma do carro segue muito a necessidade de ter um coeficiente de arrasto muito baixo.

O para brisas prolonga-se para o capô que tem uma abertura para fazer o ar fluir até ao tejadilho. As escovas limpa para brisas estão colocadas de lado para evitar perturbar esse fluxo. O nariz do carro é flutuante e alberga finas luzes LED. Por baixo está uma grelha que alimenta o sistema de climatização. E Jonathan Ive queria que a frente do carro fosse feita de vidro…

Marc Newson, o outro fundador da LoveFrom, disse que “temos de educar as pessoas” e foi nesse pressuposto que nasceu o Luce. Aliás, Matteo Lanzavecchia, diretor de engenharia da Ferrari, acompanhou a ideia ao referir que exploraram um modelo 100% elétrico à imagem do F80, mas abandonaram a ideia.

Porquê? Porque num carro de motor central, substituir o bloco e o deposito de combustível por uma bateria e um motor elétrico não há ganhos. Seja em termos de centro de gravidade, seja em termos de inércia.
Porém, tendo um carro maior, há espaço para levar mais pessoas e mais carga, oferecendo mais rigidez torsional e reduzindo o centro de gravidade. Que no Luce está mais baixo 95 mm que no Purosangue!

Um automóvel de dimensões… generosas!
De acordo com a ficha técnica, o novo Ferrari Luce é um automóvel de dimensões generosas. Maior que um Purosangue! São 5026 mm de comprimento e 1999 mm de largura, sem espelhos. Também é mais baixo que o SUV da Ferrari: 1544 contra 1589 mm. A distância entre eixos é de 2961 mm.

Novo Ferrari Luce é compêndio tecnológico
Com efeito, o novo Ferrari Luce é espantoso nessa vertente. Cada roda tem um motor elétrico e os quatro juntos debitam 1050 cv e um binário, nas rodas, de 11.150 Nm. Espantoso!
Por outro lado, o Luce tem, pela primeira vez na Ferrar, subchassis que reduzem o ruído e permitem coisas como ter um eixo dianteiro com uma densidade de potência de 3,23 kW/kg (93%) e motores que giram a 30 mil rotações por minuto. Que passam de zero à velocidade máxima em um segundo. Atrás, a densidade de potência é de 4,80 kW/kg e os motores giram a 25.500 rpm.

Da mesma forma, a bateria do Luce tem 210 células (15 módulos de 14 células) com uma capacidade de 122 kWh. A tecnologia é de 800V e carrega a um máximo de 350 kW. O peso final do novo Ferrari Luce é de 2260 kg.
O chassis e a carroçaria são feitos com 75% de alumínio reciclado. O som é autêntico e feito através de um acelerómetro de precisão no centro do carro capta a dinâmica do carro e a vibração dos componentes móveis. Assim sendo, quando o Luce está no modo Performance, o sistema equaliza e amplifica o som de forma perfeita.

Por outro lado, o Luce tem um sistema chamado “Torque Shift Engagement” para gerir o binário e a travagem. Que está entregue a discos de 390 mm à frente e 315 mm na traseira. Desse modo, o novo Ferrari Luce aborda as curvas da mesma maneira que um Ferrari com motor de combustão.

Tecnologia sem limites
Mas há mais! Com efeito, está disponível um e-Manettino que toma conta da potência, crva de binário, tração e as configurações dos modos “Range”; “Tour” e “Performance”. Está disponível, ainda, um diferencial virtual, vectorização de binário nas quatro rodas e suspensão ativa. Por outro lado, o sistema “Side Slip Control” da Ferrari é aqui utilizado na 10ª versão e a travagem regenerativa bebe influência na Fórmula 1. A Ferrari desenvolveu um novo cubo de roda que permite ter ainda menos resistência ao rolamento.

Performances de topo
Junta-se a tudo isto um controlo eletrónico calibrado para controlar o carro nos eixos lateral, longitudinal e vertical. Com a Unidade de Controlo (ECU) a ter uma capacidade de analisar e supervisionar todos os parâmetros 200 vezes por segundo!

Assim como nos seus automóveis com motores de combustão interna, as cifras de desempenho impressionam. A velocidade máxima é de 310 km/h e a aceleração 0-100 km/h é cumprida em 2,5 segundos, chegando aos 200 km/h em 6,8 segundos.
O novo Ferrari Luce tem um preço a condizer com tudo isto… 650 mil euros para começar, embora muito acreditem que se aproxime, com a personalização que sempre acontece, de valores bem superiores.






