Com a venda em leilão dos últimos protótipos que ainda jaziam nas entranhas do complexo fabril de Trollhattan, a Saab descansa em paz, finalmente! Passaram-se quinze anos desde que a Saab desapareceu da história da indústria automóvel mundial. Uma marca sui-generis que era do agrado de muita gente e chegou a ilustrar-se na competição automóvel. Uma série de erros acabaram por a dizimar, mas a verdade é que ainda restavam algumas coisas que deixavam no ar a possibilidade de regressar.
Com toda a certeza, o dia 30 de maio ficará na história do automóvel, das marcas automóveis e da Suécia, como o fim de uma lenda. O fim de uma marca sui-generis que foi, outrora, símbolo da Escandinávia e da Suécia.

Um pouco de história
A Svenska Aeroplan Aktiebolaget, mais conhecida como Saab, nasceu em 1937 como construtora de aviões de guerra. Com o fim de estancar a hemorragia financeira ditada pelo fim das encomendas de aviões militares após a Segunda Guerra Mundial, a casa sueca tentou aplicar os seus conhecimentos aeronáuticos ao automóvel em 1947. O Ursaab, protótipo que deu origem ao Saab 92, já tinha preocupações aerodinâmicas e de segurança muito à frente do seu tempo.

Dessa maneira, o crescimento foi interessante nos anos seguintes e promoveu, em 1969, a fusão com a Scania-Vabis, criando a Saab-Scania. A Saab ofereceu à indústria automóvel alguns dos mais interessantes modelos com tecnologias diferenciadas. Com efeito, para além do cuidado aerodinâmico, utilizavam a tecnologia de sobrealimentação (turbo) muito antes desta tecnologia se tornar banal e preocupações com a segurança.

Introduziram as escovas limpa faróis e reforços das portas para absorver impactos. Luzes diurnas e painel de instrumentos com modo conforto (desligavam tudo à noite exceto o velocímetro). E a ignição colocada atrás do travão de mão com bloqueio do carro.

Infelizmente, a Saab foi vendida à General Motors. Começou a usar plataformas da GM, mas foi ficando para trás e com vendas residuais, a empresa faliu em 2011. A Scania foi para os braços do grupo Volkswagen. A Saab AB continuou o seu percurso como empresa aeronáutica e de defesa, e a Saab Automobiles acabou!

Saab descansa em paz… finalmente
Quinze anos depois da falência e da tentativa falhada da National Electric Vehicle Sweden (NEVS) – que comprou tudo o que restou da Saab – em fazer da Saab uma marca 100% elétrica, chega, finalmente, ao fim uma marca icónica.
Todos os protótipos e carros que jaziam nas entranhas do complexo fabril de Throllaten vão ser vendidos em leilão no dia 30 de maio. É, finalmente, o fim de uma marca icónica e da empresa que a tentou salvar, a NEVS.

De acordo com a lista de modelos à venda pela Klaravik, são vários Saab 9-3 de pré-produção datados de 2014 e vários protótipos criados pela NEVS. Encontram-se, entre eles, um modelo de testes de condução autónoma cheio de sensores. Um protótipo de modelo 100% elétrico com um motor por roda. E ainda um Hengchi, SUV 100% elétrico, herança do grupo Evergrande, o único que chegou à Suécia e com apenas 45 quilómetros. Peças que contam a história daquilo que iria ser o futuro da Saab.

Leilão acaba com o restava da Saab…
Convirá dizer que os modelos à venda não são carros de colecionador… são carros que iriam ser sacrificados nos “crash test” ou foram peças de trabalho dos engenheiros. Falam mais do futuro que a Saab nunca alcançou do que da história da casa sueca.

É, mesmo, o fim da Saab depois da NEVS ter vendido vários modelos, entre eles o último 9-3 de produção, em 2019, o stock de peças, arquivos e objetos ligados à fábrica em 2025. Agora, saem os derradeiros modelos que estavam ainda guardados.

Um fim triste que se revela nas condições do leilão… todos os modelos são propostos sem valor de reserva com um valor residual de… zero coroas suecas. Se entende que é interessante ficar com um pouco da história do futuro inacabado da Saab, a Klaravik oferece-lhe todos os pormenores.






