FaSTLAne 2030 é o plano de Antonio Filosa para o futuro da Stellantis

O FaSTLAne 2030 deve ser analisado de diversos ângulos: italianos felizes, franceses nem por isso com os americanos a voltarem ao topo.

Após um ano como CEO do grupo Stellantis no lugar de Carlos Tavares, Antonio Filosa deu a conhecer o seu plano estratégico. O FaSTLAne 2030 tem de ser analisado de diversos ângulos. Por um lado, estão felizes os italianos que vêm reforçadas as ideias do mentor de Filosa, Sergio Marchionne. Em contrapartida, os franceses assistem a uma transferência de poderes para lá dos Alpes e não estão a gostar muito. No campo dos alemães reina a frustração e nos EUA rejubilam com o cada vez maior peso que têm na Stellantis…

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Ler a imprensa internacional permite perceber que o universo automóvel ainda desperta muitas paixões e interesse. Com efeito, o anúncio do novo plano estratégico da nova administração da Stellantis gerou um tsunami de reações. Em primeiro lugar, surgiu um sinal pouco saudável… as ações da Stellantis cairam 6% assim que foi revelado o programa. Em segundo lugar, satisfazer todas as fações do grupo é algo dificílimo. Finalmente, há quem perde e há quem ganhe com o FaSTLAne 2030.

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FaSTLAne 2030 recupera muitas coisas do passado

Com toda a certeza que os 60 mil milhões de euros de investimento, o maior envolvimento da divisão financeira do grupo e a redução da produção no Velho Continente destacam-se. A racionalização industrial também. Mas o que mais se destaca é a racionalização das marcas do portfólio da Stellantis. E aqui temos muitas novidades que lembram o passado da FCA.

De acordo com Antonio Filosa, o CEO do grupo Stallantis desde o dia 28 de maio de 2025 após um longo processo de escolha para o senhor que se seguiria a Carlos Tavares, é preciso voltar à rentabilidade. E para que o grupo franco-italo-americano seja bem sucedido são precisas várias coisas.

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Corte de custos, de produção e de marcas

O grupo Stellantis é uma espécie de polvo… são 14 marcas que operam em mercados muito díspares entre si: Ásia, Estados Unidos da América, América do Sul, Europa. Por outro lado, as alianças estratégicas com os chineses da Leapmotor e da Dongfeng aumentam o portfólio. A primeira tem maioridade do capital da Stellantis, a segunda busca uma ligação antiga com a PSA.

Da mesma forma, o contexto dos dias solares de margens de lucro operacional delirantes logo depois do nascimento da Stellantis mudou. É verdade que os resultados financeiros mostraram uma recuperação, porém, a situação continua muito débil.

Segundo o FaSTLAne 2030, até 2030 terão de ser poupados 6 mil milhões de euros, aumentando o corte de custos para lá da validade temporal do plano estratégico. Por outro lado, Filosa quer reduzir a produção na Europa.

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Fiat, Peugeot, Jeep e RAM passam a ser globais

Apesar de toda a retórica, Antonio Filosa deixou claro que o grupo vai passar por grandes mudanças. A única marca do ramo francês do grupo que fica entre a elite da Stellantis é a Peugeot. As outras marcas são do universo italo-americano: Fiat, Jeep e RAM.

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São estas as marcas que absorvem 70% dos 60 mil milhões a serem investidos. E terão a parte de leão nos 60 novos lançamentos e 50 remodelações previstas até 2030. Quer isto dizer que Filosa deu um “bombom” aos franceses, puxou para o peito a querida Fiat e deu palco aos americanos da Jeep e da RAM que, durante muito tempo, sustentaram a FCA e a Stellantis.

Porquê a Peugeot? Porque a marca francesa continua a dar muito boa conta de si em termos de vendas e rentabilidade. A Fiat vende mais de 1 milhão de unidades durante o ano em todo o mundo e por isso merece, segundo Filosa, estar de volta à ribalta. E para isso vai ter cinco novos modelos e três Smart-Car. Poderá regressar o 600 Multipla.

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Marcas regionais ou de segundo plano

Por causa de todas estas alterações, há marcas que passam a regionais, uma forma simpática de dizer que passaram a estar numa segunda divisão dentro da FaSTLAne 2030.

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Falamos de marcas como a Chrysler, Dodge, Citroen, Opel e Alfa Romeo, passam a “regionais”. E outras como a DS Automobile, a Lancia e a Abarth, são ainda mais subalternas. A primeira passa a estar, novamente, debaixo da alçada da Citroen.

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A segunda e a terceira passam a estar integradas na Fiat. Como já sucedeu no passado… funcionando como a admissão da fraqueza da DS e da Lancia. Para a Abarth nem há previsão de novos modelos…

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Aspirarem a ser Premium não basta, há que fazer investimentos e a DS e a Lancia não os têm e, a partir de agora, a espada de Dâmocles está sobre a cabeça das duas. Veremos se a Lancia não regressa ao estatuto de marca com vendas apenas em Itália. A Maserati continua o seu caminho com a promessa de dois novos modelos até 2030.

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Nova plataforma e mais sinergias no FaSTLAne 2030

Da mesma forma, a Stellantis vai reorganizar as suas plataformas para racionalizar a parte industrial do grupo. Com fábricas a trabalhar a 60% da sua capacidade, o cash flow industrial é negativo. Isso vai ter de mudar. Por essa razão, Antonio Filosa quer que que até 2030 cerca de 50% das vendas mundiais da Stellantis venham de apenas 3 plataformas.

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Porém, o destaque vai para a STLA One que vai surgir em 2027. É uma base totalmente nova e, claro, pode admitir muitas silhuetas e tecnologias. Importante ferramenta industrial, oferece tecnologia de 800V para os modelos 100% elétricos de topo, baterias LFP e mecânicas híbridas. Por outro lado, a Stellantis vai acelerar o novo sistema híbrido. Mas ainda não há pormenores.

De acordo com o plano, tecnologias como a STLA Brain, STLA SmartCockpit e direção by wire (sem ligação física) vão, finalmente, avançar.

Por outro lado, a Stellantis vão aprofundar as sinergias e podem regressar os modelos multimarcas, onde apenas o logótipo muda. Algo que Carlos Tavares, apesar da furiosa luta contra os custos, não se atreveu a fazer. Mas que foi a pratica na FCA liderada por Marchionne.

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Estados Unidos lideram na frente da Itália

Enfim, o plano estratégico FaSTLAne 2030 aprofunda aquilo que Antonio Filosa fez durante o último ano, desfazendo algumas das coisas que Tavares fez. Nomeadamente, o regresso do motor V8 HEMI aos EUA, o deixar de lado a imposição dos elétricos na Europa e na terra do Tio Sam e aprofundar as sinergias, deixando de lado o esforço para distinguir as diversas marcas.

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Não foi inocente o facto de Antonio Filosa ter feito o anúncio e a explicação do FaSTLAne 2030 no Michigan, uma das sedes da Stellantis. Com 60% dos fundos dedicados aos investimentos nas marcas (36 mil milhões) norte-americanas, Filosa explora o filão que o seu mentor, Sergio Marchionne, explorou na FCA.

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O Velho Continente perderá 20% da sua produção anual, menos 800 mil unidades, mas com maior ocupação das fábricas. Uma taxa de ocupação em redor dos 80% que será conseguida com os acordos feitos com a Leapmotor e a Dongfeng. Madrid e Saragoça vão receber a Leapmotor, Rennes fica com a Dongfeng e a unida de Poissy vai ser reconvertida.

[nZ]

FaSTLAne 2030: mudança de rumo com muitas mudanças

Em síntese, os Estados Unidos passam a ser o foco da Stellantis, ficando a Europa em segundo plano. Jeep e RAM passam a ser marcas globais e a Itália volta a estar em destaque com a promoção da Fiat que vai receber forte investimento em novos modelos e ficará encarregue dos E-Car do grupo. Os E-Car são modelos de base que vão custar cerca de 15 mil euros. A racionalização das plataformas leva a que o esfoço feito desde 2020 de distinguir automóveis de marcas diferentes em bases técnicas iguais, seja atirado pela janela. Finalmente, é admitido o fracasso da DS, Lancia, Abarth bem como da Chrysler e Dodge.