Há viagens que, com toda a certeza, se fazem para descansar e, depois, há aquelas que nos aceleram o coração desde o primeiro minuto. Esta “escapadinha” à Emilia-Romagna, organizada pelo Clube Escape Livre, entra na segunda categoria. A Spedizione Auto Sportiva do Clube Escape Livre é uma imersão total na cultura automóvel italiana, onde cada quilómetro percorrido nos aproximava de nomes lendários como Ferrari, Lamborghini e Pagani.
Com base em Bolonha, a viagem revelou-se uma combinação perfeita entre história, gastronomia e motores. Mas, acima de tudo, foi uma experiência vivida em grupo, com partilha, entusiasmo e aquela cumplicidade que só nasce entre apaixonados pelos automóveis.

Sexta-feira: chegada, história e… “pasta”!
A chegada a Bolonha trazia aquele entusiasmo típico de início de viagem, mas também abriu imediatamente o apetite. Sem perder tempo, o grupo seguiu diretamente para a Trattoria dal Biassanot, junto à curiosa Finestrella di Via Piella.

Uma pequena janela que abre para um dos canais escondidos de Bolonha e cuja fotografia não pode faltar em qualquer conta de rede social que se preze! Com toda a certeza que melhor forma de começar a viagem do que com um almoço tipicamente bolonhês?

Entre pratos de massa fresca — tagliatelle al ragù, tortellini e outras especialidades locais — rapidamente percebemos porque é que Bolonha é conhecida como “La Grassa”, ou “A Gorda”, graças à sua tradição culinária extremamente rica e generosa. E recomendação desta “trattoria” vinha de um jovem piloto: Kimi Antonelli, natural da região, e depois daquela refeição ninguém teve dúvidas de que ele sabe bem onde comer!

De estômago satisfeito, partimos então à descoberta da cidade. Bolonha revelou-se aos poucos, com o seu charme discreto e uma história rica que se sente em cada rua. Conhecida como “La Dotta”, pela sua universidade, a mais antiga do mundo ocidental, fundada em 1088, e “La Rossa”, pelos tons quentes avermelhados dos seus edifícios, a cidade surpreende pela autenticidade.

Passeámos pela emblemática Piazza Maggiore, o verdadeiro coração da cidade, e visitámos a imponente Basílica de São Petrónio. Pelo caminho, as torres medievais — como a Asinelli — lembram a importância histórica de Bolonha, enquanto os intermináveis pórticos convidam a longas caminhadas sem pressa.

Ao final do dia, com o grupo mais entrosado e completamente rendido à cidade, ficou claro que a viagem desta Spedizione Auto Sportiva prometia, e muito.

Motores, história e precisão na Spedizione Auto Sportiva
Dessa maneira, o segundo dia começou com uma sensação clara: estávamos prestes a entrar num território sagrado para qualquer apaixonado por automóveis. O Museu Lamborghini foi a primeira paragem. E que entrada em grande.

Com efeito, a história é a de Ferruccio Lamborghini, um industrial que decidiu desafiar Enzo Ferrari e acabou por criar uma das marcas mais icónicas do mundo.

No museu, percorremos essa história através de modelos lendários como o Miura, frequentemente apontado como o primeiro supercarro moderno, o Countach com o seu design revolucionário e portas em tesoura, e o Diablo, que marcou uma geração.

Mais recentes, o Aventador, o híbrido Revuelto e o futurista Temerario mostram como a marca continua a reinventar-se. Algumas unidades extremamente raras como o Elemento ou o Sian não deixam ninguém indiferente.

Ristorante Pasticcino “obrigou” a delicioso desvio
O almoço no Ristorante da Pasticcino trouxe-nos uma pausa deliciosa. Sob a liderança de Luigi Montanini, antigo chef da Scuderia Ferrari, ouvimos uma daquelas histórias que só enriquecem a experiência: diz-se que Ayrton Senna escapava discretamente até às boxes da Ferrari para comer as suas massas. Depois de almoçar ali, ninguém duvida que valia a pena o “desvio”.

A tarde levou-nos ao universo quase mítico da Pagani, com visita ao museu e à fábrica da marca. Fundada por Horacio Pagani, a marca representa o auge da exclusividade. Modelos como o Zonda, com as suas múltiplas versões raríssimas, e o Huayra, com portas em asa de gaivota e engenharia de ponta, são verdadeiras obras de arte.

Mas é na fábrica que tudo ganha outra dimensão. Assistir ao processo de construção — manual, minucioso, quase obsessivo — foi um dos momentos mais impactantes da viagem. Cada carro é tratado como uma peça única, com um nível de detalhe que impressiona até os mais exigentes criadores de joias.

O dia terminou em Castelvetro di Modena, na quinta da família de Mattia Montanari. Entre vinhas e tradição, provámos Lambrusco e Aceto Balsâmico, antes de um jantar que celebrou o melhor da gastronomia local.

Uma paixão chamada Ferrari
O terceiro dia começou com uma certeza: seria inesquecível. E quando se começa ao volante de um Ferrari… não há como enganar.

Em Maranello, conduzimos modelos como o Portofino e o Roma Spider, sentindo na pele aquilo que torna a Ferrari tão especial. Mas a experiência continuou no Museu Ferrari Maranello, onde nos cruzámos com lendas como o F40, o Enzo e vários monolugares de Fórmula 1 pilotados por nomes como Michael Schumacher e Nikki Lauda.

A Ferrari é muito mais do que supercarros — é emoção, história e uma ligação única à história dos automóveis e da competição em todo o mundo.

Cavallino era o restaurante de eleição de Enzo Ferrari
O almoço no Ristorante Cavallino, entre o museu e a fábrica da Ferrari, foi outra cereja no topo do bolo. Sob a orientação de Massimo Bottura, um dos maiores nomes da gastronomia mundial e responsável pela Osteria Francescana, o restaurante combina tradição e inovação, reinterpretando clássicos da região com criatividade.

A estrela Michelin conquistada recentemente confirma aquilo que sentimos à mesa: excelência em cada detalhe.

A tarde levou-nos até Modena, ao Museu Enzo Ferrari, onde conhecemos melhor a história de Enzo Ferrari — um homem cuja visão continua a inspirar gerações. Da primeira oficina da marca ao escritório de Enzo, tudo evoca esta lenda quando estamos frente a frente a um Ferrari 250 GTO.

De regresso a Bolonha, ainda houve tempo para um último passeio e um jantar de despedida, onde se reviveram os melhores momentos desta viagem.

E depois da Spedizione Auto Sportiva?
Na manhã seguinte, o regresso a Portugal trouxe consigo memórias difíceis de traduzir em palavras. Esta viagem do Clube Escape Livre foi uma celebração da paixão automóvel, da cultura italiana e da partilha de experiências únicas entre apaixonados. E agora, fica a pergunta: para onde nos levará a próxima aventura?















































