Em Escalhão há um restaurante que conquistou críticos, locais e viajantes pela boca e, de boca em boca, tem lugar entre os melhores do país. Mas há muito mais desta história para contar. E fomos descobrir o Restaurante O Lagar sentado num automóvel 100% elétrico, carregado de tecnologia, o Mercedes EQE. Um verdadeiro tapete voador que viaja no mais absoluto silêncio…
Para fazer a viagem de Lisboa a Escalhão, escolhemos o Mercedes EQE. Pela frente, 400km de viagem, maioritariamente em autoestrada – perfeito para pôr à prova a bateria de 90,6kWh que anuncia uma autonomia máxima até 650km WLTP. Mas, com uma viagem maioritariamente em autoestrada e com ar condicionado ligado, como se irá comportar?

Por fora, o EQE é fiel herdeiro do EQS, mas com linhas mais curtas. A forma, que lhe confere uma aerodinâmica impressionante, é a principal responsável pela eficiência do modelo. No interior, nova cópia do seu “irmão” mais velho. Além da versão, opcional, com Hyperscreen, o EQE vem equipado de série com um ecrã central de 12,8”. E, também, um painel de instrumentos digital com 12,3”. A posição de condução é excelente e, a bordo, conforto e silêncio são palavras de ordem. Muito graças à suspensão pneumática Airmatic que “come” todas as irregularidades do piso.

Silêncio… conforto… eis o Mercedes-Benz EQE!
Em estrada, os ruídos exteriores ficam, precisamente, no exterior do habitáculo. Seja qual for o modo de condução escolhido – Eco, Comfort ou Sport (modo onde podemos escutar no interior a réplica do som de um potente motor a combustão quando pisamos o acelerador com garra).

A versão 350+ conta com um motor elétrico no eixo traseiro com 292cv e um binário máximo de 565Nm. Os 100km/h chegam após 6,4 s, mas a potência é entregue de uma forma progressiva, privilegiando, sempre, o conforto. E, com um consumo médio de 18,3kWh, chegámos a Escalhão ainda com 100km de autonomia! Excelente estradista 100% elétrico. Agora, é tempo de ir almoçar e ficar a conhecer a história do Lagar do Douro Superior.

A origem do Restaurante O Lagar é centenária
Comecemos então pelo avô de Cristina Gomes, “Tina”. Para quem a tem junto ao coração, mestre na cozinha e proprietária do Restaurante O Lagar com o seu marido, Pedro. Ainda os carros a motor não abundavam no país o seu avô muda-se para Escalhão para ser motorista de um Capitão que aqui habitava.

A paixão pelos motores fez dele o primeiro a criar a carreira que ligava Escalhão à Guarda. E aqui ergueu a sua casa, o lugar (e não lagar!) onde esta história começa.
A Segunda Guerra trouxe o racionamento e a fome, mas para quem tinha um terreno e força na sachola havia no campo uma resposta óbvia. E a pequena casa começou a crescer. Foram-se construindo os currais, a despensa e a casa das alfaias de que hoje restam as paredes.

Paixão serôdia pela cozinha
Já Cristina sempre mostrou uma paixão imensa pela arte de bem cozinhar, talvez por inspiração das mãos fadadas de sua mãe. Que, ainda hoje, se diz ter um jeito tremendo à volta das panelas.
Paixão tão grande que chegou a pedir aos pais para estudar este ofício. Mas, como sabemos, de boas famílias naqueles tempos não nasciam cozinheiros. Longe estavam ainda os dias onde se chamariam “chefs” e seriam romanceados como hoje são.

Os anos passam, a tentação não esmorece, mas é já com o seu marido, que num acaso do destino, começou a primeira aventura quando, contra todas as expectativas, ganham o concurso para exploração de um restaurante em Freixo de Espada à Cinta.
Um passo que lhes deu as bases para vir a criar algo só deles, que fosse de alma, carne e osso produto do seu coração. O Restaurante O Lagar.

Fiel guardiã de um vasto legado gastronómico
De malas às costas voltam a Escalhão e começam, em 1997, a reconstrução da antiga casa de família. Foi aqui, e não num antigo lagar como muito se apregoa, que viria a nascer o Lagar do Douro Superior. Apesar de já muito saber, havia tempo para se ocupar enquanto as obras decorriam.
E, de sebenta em punho, Cristina começa um trabalho que assegurou a passagem de um legado cultural gastronómico riquíssimo, digno de um livro que mais tarde ou mais cedo haverá de sair (esperamos nós, para o bem da nossa cozinha).

Nos lares de idosos, foi falando com quem, de memória, sabia recitar as receitas que tornam esta zona tão rica. A 26 de setembro de 1998, com este rico espólio em mão, abria o restaurante. Sem medo, desde o primeiro dia que se assume como um sítio onde a cozinha tradicional tem autor. E a fama não se fez esperar. Tanto, que volta e meia os pratos de Cristina “encontravam” lugar na mesa de outros restaurantes ali à volta!

Certa noite, dois homens chegam ao restaurante e, para surpresa de todos pedem a carta de ponta a ponta: 4 pratos de carne, 4 de peixe, entradas e sobremesas. Desconfiada, Tina repara que tal era a ousadia de quem vinha copiar que até um bloco de notas tinham à mesa! Mas, para surpresa, no fim um deles apresenta-se como crítico de cozinha, o primeiro aqui a parar, e que a partir da sua primeira publicação tornou a fama ainda maior.

Sabores com séculos de tradição no Restaurante O Lagar
Houve, no entanto, reparo: a carta de vinhos, inexistente. Um problema que se haveria de resolver de tal forma que hoje é um dos pontos fortes da casa. E é até esta relação crescente com os vinhos e o mundo da enologia que um dia lhes vem bater à porta pela mão do enólogo António Braga: havia nas borras um potencial por explorar.

Pois bem, da oportunidade e do engenho nasceu a vitela assada a baixa temperatura em borras de vinho, na carta com nome Carne à António Braga, em devida homenagem, a Cabidela de Borras, sem pinga de sangue, a Perdiz em Borras de Vinho Branco e até, em tempos, um gelado feito com borras de Vinho do Porto.

E, para breve, poderá até comprar o vinho produzido por este casal, “Elisa”, que o tem vindo a aprimorar desde 2012 e que nós já provámos, aprovámos e, sem surpresa, está ao nível da cozinha que nos conquistou.

Do resto da carta, destacamos as Torradinhas de Azeite Virgem nas entradas a acompanhar a Tábua do Lagar, a Lagarada de Bacalhau e o Arroz de Costelinhas.

E não se esqueça de provar o Doce da Casa! Por isso, está na hora de partir até Escalhão para saborear uma cozinha de autor recheada de alma, dedicação e a história que acabou de conhecer.

Já nós, com as baterias do condutor e do EQE recarregadas, é tempo para fazer a viagem de regresso e continuar a “papar” quilómetros com este estradista de luxo 100% elétrico.



