Quando olha para o contador de euros da bomba de gasolina/gasóleo dá-lhe vontade de chorar? A nós também! Os combustíveis estão caríssimos e com aumentos galopantes atestar o depósito de gasóleo custa mais 20 euros que em janeiro… Com efeito, 100 euros não chegam para um depósito de 50 litros de gasóleo. O que podemos fazer? Siga estas dicas do Escape Livre…
A piada faz-se por si mesma… “querido leva-me a um local caro! Querida, vamos a uma bomba de gasolina!” Um meme fácil enquanto limpamos as lágrimas depois de largar 100 euros para atestar de gasóleo o depósito… E como da classe política, certamente muito preocupada com leis de tudo e mais alguma coisa, não podemos esperar muito a não ser palavras redondas que nos tomam por parvos, teremos de ser nós a fazer alguma coisa para evitar ter de arrumar o carro de vez.

Conselhos não são milagreiros!
Em primeiro lugar tenho de lhe dizer que não vai conseguir atestar o carro com 50 euros… são boas as dicas que tenho para lhe dar, mas não são orações milagreiras. Em segundo lugar, terá de fazer uma reconfiguração ao seu cérebro: não há mais picardias com quem não tem dificuldades em atestar o carro; não vale a pena tentar adiantar-se às previsões de viagem do Waze; os limites de velocidade são, nesta altura, os nossos melhores amigos.
A forma como conduz, tem muito impacto no consumo, mas há mais coisas a fazer para forçar a agulha do indicador do nível do combustível a correr mais devagar para o vermelho, pois os combustíveis estão caríssimos.

Combustíveis estão caríssimos: verifique o seu carro
Primeira dica: verifique a pressão dos pneus. Pressão a mais torna-os balões que se desgastam e gastam mais combustível. Pressão a menos estraga as paredes laterais e causa mais atrito. Portanto, seguir a recomendação do fabricante é essencial para manter o carro a rolar, particularmente, os modelos mais recentes, pensados para rolarem até mais longe.
Segunda dica: tire lá toda a tralha que anda dentro do carro! Sabia que o peso é um dos fatores que mais penaliza o consumo? Grama aqui, grama ali e no final é como a galinha… tem o papo, perdão, o carro cheio de coisas inúteis que só o fazem gastar combustível. Já agora, se é adepto das bagageiras de tejadilho – muito úteis nas férias – por que raio é que anda com ela sem estar de férias? Dá trabalho, eu sei, mas vamos lá a tirar a bagageira do tejadilho. E sim, também as barras que criam mais arrasto. Já tirou o banquinho de praia, a prancha do filho e o remove insetos da mala? Muito bem!
Terceira dica: se vive num local com alguma poeira ou nas imediações de uma obra, verifique o filtro de ar e aproveite para fazer uma revisão às velas e troque o óleo. Um filtro sujo, velas desgastadas e um óleo que não é o recomendado e aumente o atrito interno do motor, são tudo fatores para aumentar o consumo.

Mude a sua condução
Com o fim de poupar combustível, é essencial que mude a sua condução. Imitar as façanhas do Vin Diesel no “Velocidade Furiosa” não ajudam na missão de poupar combustível. Portanto, adira aos limites de velocidade, faz bem à carteira de duas formas… Porque os combustíveis estão caríssimos e as multas… também!
Evite acelerações bruscas e se quiser impressionar alguém… compre umas flores e não faça arranques dignos da Fórmula 1, nem travagens que estraguem o trabalho da cabeleireira. Se acelerar gradualmente, como nas motos, reduz o esforço do motor e gasta menos. Por outro lado, dê uso ao “cruise control” sempre que possível. Variações constantes de velocidade aumentam o consumo. Já agora, siga as indicações do carro para a mudança correta. Evite andar perto do regime máximo.

Altere alguns “vícios”
Com o fim de poupar mais alguns decilitros de combustível faça isto: entre no carro, coloque o cinto de segurança, ligue o carro e escolha a estação de rádio ou a música que quer ouvir. Verifique se está tudo regulado à sua maneira e só nessa altura ligue o motor e arranque imediatamente. Uma mudança de hábito que pode, após uma semana, poupar bastante combustível.
Se vai fazer um trajeto curto, desligue o ar condicionado. A ventilação “normal” chega para o deixar quente ou refrescado consoante a estação do ano. Sabia que o consumo a baixa velocidade aumenta, substancialmente, com o ar condicionado ligado? Em autoestrada, use o ar condicionado e mantenha as janelas fechadas. Uma janela aberta é um para quedas aberto e faz gastar mais.
Se o seu trajeto pendular casa-trabalho é curto, não ateste o depósito. Aumenta o peso sem necessidade. Não deixando chegar à reserva, meio depósito é suficiente. Tente evitar os engarrafamentos e deixe o sistema “start-stop” trabalhar. Mesmo que seja irritante.

Atenção, concentração e antecipação… é uma função de poupança
Antecipar é talvez a técnica mais importante de todas. Olhar longe, perceber o trânsito à frente e agir cedo permite desacelerar sem travar tanto e manter mais embalo, o que poupa combustível. Quanto mais cedo for capaz de prever semáforos, rotundas, curvas e trânsito lento, menos energia desperdiça em travagens e recuperações de velocidade.

Sabe porque é que deve manter o impulso?
Só para exemplificar: já tentou empurrar um carro parado? Tem de fazer muita força, mas assim que ele começa a rolar, tudo fica mais leve! O motor tem a missão de colocar o carro em andamento, portante ponha-o em movimento, mantenha o movimento e, depois, tire o pé do acelerador o mais depressa possível. Sabia que o seu carro, em desaceleração, não consome combustível? Portanto, quanto mais ele rolar, melhor!
Outro exemplo prático da condução defensiva e económica: se vê um semáforo vermelho ao longe, tire o pé do acelerador cedo e deixe o carro rolar em vez de acelerar até ao último segundo e travar a fundo. Esse simples gesto reduz consumo e desgaste dos travões. Aproveite o travão motor para evitar gastar desnecessariamente.

Como agir na cidade?
A cidade é o ambiente menos favorável ao consumo baixo porque há mais arranques, paragens, semáforos e trânsito lento. Por isso, a melhor técnica urbana é conduzir ainda mais suavemente do que em estrada aberta: distância de segurança, aceleração leve, travagem antecipada e ritmo estável. A “pressa” na cidade normalmente só cria mais consumo e pouco ganho real de tempo.

Como agir na autoestrada?
Na autoestrada, a receita económica é simples: velocidade moderada e constante, sem ultrapassagens desnecessárias nem acelerações inúteis. Se o percurso for plano, o cruise control pode ajudar a manter um ritmo estável; em zonas com muitas subidas e descidas, pode ser melhor controlar manualmente para evitar respostas desnecessárias do acelerador.
Os combustíveis estão caríssimos e por isso…
Se quiser resumir tudo ao essencial, estes são os hábitos que mais fazem diferença:
- Conduzir com suavidade.
- Olhar longe e antecipar.
- Acelerar pouco e progressivamente.
- Travar o mínimo possível.
- Usar a mudança mais alta que for compatível com o motor.
- Respeitar os limites de velocidade.
- Manter pneus e manutenção em ordem.
- Eliminar peso e resistência desnecessários.



