Stellantis anunciou prejuízo colossal: 22,3 mil milhões de euros em 2025

A Stellantis anunciou prejuízo colossal devido às mudanças que Antonio FIlosa implementou e que inverteram muito do que fez Carlos Tavares.

O número é gigante e reflete a mudança de rumo que Antonio Filosa, o novo CEO da Stellantis preconiza como salvação para o grupo. A Stellantis anunciou prejuízo colossal, um dos piores resultados do grupo. Mostra como a mobilidade elétrica foi feita de forma perfeitamente desastrada. Para a Stellantis, esta inversão de estratégia faz regressar a “liberdade de escolha” e terá repercussões para lá do exercício de 2025. Fica por saber qual será o plano estratégico de Antonio Filosa para a Stellantis. Mas isso fica para o dia 21 de maio…

Com efeito, Antonio Filosa ainda não apresentou o plano estratégico para a Stellantis, mas já se percebeu que haverá uma mudança de rumo. Mudança, essa, aliás, plasmada nos resultados apresentados pelo grupo esta quinta-feira dia 26 de fevereiro e que segue a via oposta à desenhada por Carlos Tavares.

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Stelantis anunciou prejuízo colossal

Só para exemplificar, a Stellantis vendeu mais que em 2024 – 5,48 milhões de unidades em 2025, mais 1% que em 2024 – mas ganhou muito menos dinheiro em cada automóvel e comercial vendido. E isso foi particularmente sentido no primeiro trimestre com os preços a serem revistos em baixa de forma significativa.

Porém, o número que realmente importa é este: 22,3 mil milhões de perdas reais, causadas por 25,4 mil milhões de euros em encargos excecionais. O que quer isto dizer? Que não se trata de dinheiro perdido na atividade corrente, mas sim as depreciações ligadas à mudança de rumo.

No entanto, a situação seria igualmente gravosa, pois mesmo sendo de dimensão menor, haveria perda de dinheiro, pois, a margem de lucro operacional estaria nos -0,5% o que daria um saldo de exploração (diferente entre vendas e custos) negativa de 842 milhões de euros. Em outras palavras, a Stellantis anunciou prejuízo colossal e dificilmente iria ganhar dinheiro em 2025.

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Sinais de melhoria no segundo semestre

De acordo com o relatório das contas da Stellantis, nem tudo foi mau em 2025. Especialmente o segundo semestre mostrou sinais de alguma recuperação. Nesses seis meses, a Stellantis vendeu mais 11% que em igual período de 2024 com 2,8 milhões de unidades comercializadas.

Por outro lado, nos EUA as vendas progrediram 39% e o volume de negócios global do grupo cresceu 10%. Apesar de tudo isto, a tesouraria da divisão automóvel foi negativa em 2025 (menos 4,5 mil milhões de euros), mas melhorou no segundo semestre com menos 1,5 mil milhões de euros. Contas feitas, a Stellantis tem no banco 46 mil milhões de euros da sua atividade industrial. Um valor que torna as perdas suportáveis pelo grupo.

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Os problemas da mobilidade elétrica

Segundo Antonio Filosa, a Stellantis sobrestimou o ritmo da transição energética. Com efeito, o grupo investiu de forma massiva nos veículos elétricos e na sua industrialização. Como o ritmo dessa transição é muito mais lento, o retorno dos investimentos prolonga-se e sem tesouraria tudo se torna complicado. As fábricas ficam sem produção suficiente e os projetos de fabricação própria foram revistos ou terminados, forçando a uma alteração de estratégia de produto.

Tudo isto mais a reorganização da rede e da cadeia de abastecimento para a produção de veículos elétricos e, ainda, o regresso às motorizações convencionais, justificam o rombo nas contas da Stellantis.

Só que isto não representa o abandono da via elétrica por parte da Stellantis. Com toda a certeza é um reagrupar e mudar a trajetória que não estava a se rentável. Por outro lado, quer dizer que a Stellantis fica, agora, mais longe de ser um grupo 100% elétrico, passando a ser um grupo de “liberdade total” com oferta completa e multienergias.