As boas histórias começam com “Era uma vez” e a vida de Rui Reboredo Madeira começa exatamente assim… Era uma vez um jovem que um acidente o levou a ser hoje uma das referências do setor vitivinícola em Portugal e guardião da tradição familiar. Acreditamos que estava escrito, talvez na pedra que dá o nome à Quinta da Pedra Escrita, o destino de Rui Madeira que voltamos a visitar desta feita ao volante de um imponente Range Rover Autobiography.

Conhecemos Rui Reboredo Madeira quando visitamos a Adega Beyra e ficamos rendidos à personagem que criou uma imagem de resiliência e empreendedorismo, formando-se após uma curva mais perigosa da vida que o atirou para os braços da vinha e do vinho.
Enólogo por prazer, Rui Madeira é um empreendedor por paixão que guarda com orgulho e raça os valores da terra e da família. Após uma agradabilíssima conversa que pode ler na edição abril-julho 2024 da Escape Livre Magazine (disponível em www.escapelivre.com), ficou a promessa de voltar a conversar, agora sobre um projeto mais pessoal e que o enche de orgulho: a Quinta da Pedra Escrita!

Quinta da Pedra Escrita, uma quinta de vinho do Porto
“Isto era uma quinta de vinho do Porto e pertenceu à família da minha mãe. Ninguém a queria pois tinha pouco benefício. Quando a adquiri e cá cheguei… não havia nada!” Estava dado o mote para mais uma bela conversa que girou em redor de outra coisa… automóveis! “Como você sabe sou um apaixonado pelo automóvel e há um carro que sempre me deixou louco. Sabe qual é?” Descobrimos que Rui Reboredo Madeira é um apaixonado pelos Range Rover. Por isso mesmo, decidimos visitar a Quinta da Pedra Escrita ao volante de um imponente Range Rover P560e Autobiography.

Range Rover é um SUV de luxo imponente
Com assinatura de Gerry McGovern, um dos mais talentosos designers automóveis do mundo, o Range Rover tem um estilo minimalista que se enquadra de forma perfeita na Quinta da Pedra Escrita. Por outro lado, utiliza um motor com tecnologia híbrida Plug In que assegura, por um lado, a performance adequada a um SUV deste segmento.

Por outro lado, a sustentabilidade que a espuma dos dias exige a cada um de nós. Os 460 cv e os 660 Nm de binário impressionam, mas poder fazer mais de uma centena de quilómetros em modo 100% elétrico “deixam-nos boquiabertos” como referiu Rui Madeira.

E quando acaba a carga da bateria, o motor de seis cilindros a gasolina com 3 litros de cilindrada revela-se eficiente com consumos bem abaixo dos 10 litros por cada centena de quilómetros. Foi, assim, em cumprimento do respeito pelo meio ambiente e em conforto absoluto que fomos até à Quinta da Pedra Escrita.

Muito mais que uma simples quinta
Rui Roboredo Madeira abriu-nos um horizonte onde a vinha manda, mas há mais para conhecer. “Eu necessitava de ter alguma coisa que adicionasse valor ao meu projeto e em 2007 adquiri a quinta que estava devoluta. Tive de replantar tudo e hoje os 35 hectares da quinta incluem 22 hectares de vinha.” Um trabalho que acaba por ser premiado.

“É verdade, mas não foi fácil. Os solos são pouco profundos, secos e áridos com predominância do granito. Logo são arenosos, pobres em nutrientes e sem capacidade de reter água. E já que falamos em sustentabilidade, aqui não temos rega. Pois não há água, apenas a dos furos e por isso é a bendição da chuva que rega as nossas videiras. Apesar de tudo isto e da altitude já conseguimos prémios em Portugal e no estrangeiro onde já recebemos com o Quinta da Pedra Escrita a distinção de melhor tinto de Portugal.”

Mas Rui Reboredo Madeira além de ser uma pessoa encantadora é um acérrimo defensor das tradições. E de vinhos com alma e vida. “Gosto dos vinhos daqui porque a altitude e o granito permitem fazer vinhos com extrema complexidade, acidez e longa duração. É esta tradição que quero de volta a um mundo de vinhos cada vez mais estereotipados. Claro que o mercado exige isso, mas acredito que há espaço para estes vinhos.”

Como referimos acima, a Quinta da Pedra Escrita não se limita à vinha. E Rui Madeira explica porquê. “Sabe que há quintas e herdades com extensões enormes de vinha e, depois, ficam preocupadíssimas com os animais como o Javali. Ora esta zona aqui do Douro possui muito Javali que se entretém a comer as uvas e a estragar a vinha. Aqui não temos problemas dessas, sabe porquê? Porque plantámos pequenos bosques com água. Ali se alimentam, bebem e dormem sem descer à vinha!” Inteligente!

Lebre é símbolo da Quinta da Pedra Escrita
Por outro lado, o símbolo da Quinta da Pedra Escrita é… uma lebre! “Ah, a história é muito engraçada. Só fiz o primeiro vinho aqui na quinta em 2011, pois as vinhas eram novas. Mas um ano antes conheci o David Eley um artista cuja única coisa que faz na vida é pintar quadros de regiões demarcadas. Esteve em Portugal quase três anos a pintar a região do Douro. Num almoço conhecemo-nos ele quis visitar a Quinta da Pedra Escrita desejando saber qual seria o símbolo mais apropriado. Um enólogo assistente de Freixo de Numão estava aqui e perguntei-lhe o que havia por aqui no outono. Diz-me ele, lebres.”
Mas, porquê Lebres? “Porque o Douro é muito inclinado e elas não podem correr. Então andam por aqui que é mais plano. E no verão é uma verdadeira invasão delas que dormem nos valados à sombra para evitar o calor.”
Seria lógico abrigarem-se nos bosques da quinta, mas isso não sucede porque “estão lá os Corços e, depois, os Javalis.” E assim de uma forma muito simples se estabeleceu na Quinta da Pedra Escrita um ecossistema perfeito que faz coabitar várias espécies e preservar a vinha. E foi também assim que a Lebre apareceu como ilustração da quinta e nos rótulos dos vinhos aqui produzidos.

Diversidade dentro do “core business” do vinho
Rui Reboredo Madeira é um conversador nato e a visão que tem do empreendedorismo é fundamental para Portugal ainda explorar as suas riquezas rurais. “Quando me falam de sustentabilidade, eu dou o exemplo da Quinta da Pedra Escrita. Usamos águas de furos para o edificado, pois temos aqui uma zona de habitação onde temos cozinha e esta área para os clientes provarem os nossos produtos. Toda a vinha e os bosques são regados com a chuva, o mesmo acontecendo ao amendoal que aqui temos em 3,52 hectares da quinta. Ambas as culturas estão intercaladas com os bosques de carrascos zimbros que sempre aqui estiveram. É assim que eu entendo a agricultura e é nisso que eu invisto.”

Os vinhos Quinta da Pedra Escrita têm como destaque os brancos que fermentam em barrica 20% do tempo o que lhe confere longevidade. “E teimo nisso, pois não gosto de fazer vinhos voláteis no tempo, quero vinhos que tenham capacidade para durar, que sejam vinhos frescos. Fiz um Grande Reserva tinto em 2017 que foi um vinho contra os cânones da moda. Esteve em estágio e em garrafa, ácido e muito fresco. É contra a corrente, mas é o que gosto e aqui na Quinta da Pedra Escrita faço os vinhos que gosto, aqueles que vão ficar na história.”
A conversa desenrolou-se como pano carmesim, bonita, vibrante e, sobretudo pedagógica. Sente-se no falar que Rui Reboredo Madeira dá muita importância ao património familiar e a esta Quinta da Pedra Escrita. “Espero que possa continuar a acrescentar alguma coisa a este espaço e gostaria muito que os meus filhos conseguissem conservar a quinta e dar-lhe a utilização que ela merece. Quero juntar a família, o vinho e a história, pois sem memória não somos nada.”

Projeto turístico está pensado para a Quinta da Pedra Escrita
Perante uma paisagem deslumbrante e um espaço tão acolhedor, um projeto turístico serviria como uma luva à Quinta da Pedra Escrita. “É verdade e tenho esse projeto que até está aprovado, mas veio a pandemia e ficou tudo parado. Depois o Covid forçou-nos a grande esforço financeiro do qual ainda estamos a recuperar. Mas há aqui uma enorme dificuldade. A mão de obra para a agricultura é cada vez maior aqui na zona do Douro porque em outras regiões está tudo mecanizado e nessas zonas começa, por incrível que pareça, a haver falta de emprego na agricultura. Porém, mão de obra especializada para o turismo não existe, particularmente para o nosso caso que entendemos o nosso projeto turístico, tal como os nossos vinhos: de topo!”

O Range Rover, belissimamente incorporado na paisagem da quinta, esperava por nós depois de termos sido presenteados com um almoço caseiro “um Bacalhau com Grão despretensioso, mas feito como nunca provaram”. Uma delícia que provou como a Quinta da Pedra Escrita pode ser muito mais que vinha e vinho. Cruzamos a entrada da quinta pela última vez com nostalgia.

Da paisagem, da conversa fantástica que tivemos, uma vez mais, com Rui Reboredo Madeira e pelo facto de estarmos mais perto de devolver o Range Rover P560e Autobiography à MCOUTINHO que, gentilmente, nos cedeu esta unidade para nos deslocarmos à Quinta da Pedra Escrita. O caminho de volta serviu para meditar naquilo que Portugal tem para oferecer fora das grandes cidades e onde homens como Rui Reboredo Madeira são essenciais para manter vivas as tradições. Bem haja!



