Colinas do Douro: um sonho vinhateiro

A Adega Colinas do Douro, exibe aquele piso de terra que molhada se torna em barro onde o Toyota Land Cruiser foi uma benção.

O olhar perde-se nos campos que abraçam quatro quintas que se espraiam pelo Parque Natural do Douro Internacional. Para uns terras infernais, para outros abençoadas por mão divina. As Colinas do Douro são uma e a outra. São ancestrais caminhos que recuam décadas no tempo, que levam à entrada das Colinas do Douro, sempre naquele piso de terra que com a chuva se torna em barro escorregadio. Afortunados, tivemos o sol e um Toyota Land Cruiser como companhia.

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Com efeito, as “Colinas do Douro” estão localizadas no extremo sudoeste da Região Demarcada do Douro, dentro da freguesia de Figueira de Castelo Rodrigo, e são compostas por quatro propriedades. Estando na transição geológica entre o granito e o xisto que separa o Planalto Beirão e os primeiros vales da Bacia Hidrográfica do Douro, encontramos solos onde ambas texturas se cruzam e interligam. Com toda a certeza, condições ímpares para produzir vinhos com um perfil singular, aliadas à altitude e exposição a Norte.

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Colinas do Douro: lama, pedra e o 4×4 certo, o Toyota Land Cruiser

Raros são, também, automóveis como o novo Toyota Land Cruiser. Uma máquina que está no seu melhor nos caminhos enlameados e com muita pedra das Colinas do Douro. Nascido em 1951, este todo-terreno da Toyota está cada vez mais sozinho nesta classe, ousando ainda um estilo de linhas direitas e com verdadeira personalidade.

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Por outro lado, o interior lembra modelos do passado, com muitos botões que controlam as funções encerradas nos ecrãs gigantes. Toda a tecnologia de ponta está presente, com aquele gostinho retro evidente na consola central.

Movidos pelo quatro cilindros turbodiesel com 2.8 litros e 204cv (em breve chegará a hibridização a este motor), partimos à descoberta das Colinas do Douro. A conversa, ainda a bordo, girou em redor da crise “que se sente no comércio de vinho” dizia-nos Rita Cordeiro, responsável pela logística.

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“Os hábitos de consumo estão a mudar”

“Os hábitos de consumo estão a mudar e a baixar, pelo que temos de nos adaptar com vinhos de outras categorias de preços.” E, com uma área de 476 hectares, há também espaço para diversificar. Além da vinha, que neste momento, ocupa mais de 100 hectares, encontramos nestas terras fronteiriças muitas amendoeiras e um amplo olival onde já fazem alguma produção de azeite para consumo interno, mas que já sonha ser algo mais. Vários projetos que acabam por estar a caminho de uma transformação poderosa do conjunto formado pela Quinta da Extrema, Quinta da Pedra Cavada, Quinta da Barquinha e Quinta do Seixo Amarelo.

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Sobre isso, falámos com Kelson Giovetti, um homem apaixonado pelo Douro e que comanda os destinos das Colinas do Douro. “Comprámos este terreno em 2007 e começar a plantar vinha. Aos 6 hectares acrescentámos cerca de 100 hectares, dos quais mais de metade em alto e cinco hectares são de agricultura biológica.” Os projetos para as Colinas do Douro não pararam desde então e está a ser já ser construída uma adega, da autoria de Eduardo Souto Moura.

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Xisto e Granito dão gosto especial aos vinhos

Tendo como castas autóctones a Touriga Nacional e Franca, Tinto Cão, Tinta Roriz, Rabigato e Viosinho, Jorge Rosa Santos e Rui Lopes, enólogos, destacam que a “existência de dois solos, a altitude das vinhas, 680m na parte mais alta, conferem aos vinhos uma frescura incomum na região.” E o portfólio de vinhos é “muito elástico”, pois há condições para fazer vinhos de entrada de gama até vinhos de topo, “tanto nos brancos, como nos tintos.”

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Este ano, a vindima, “com muito sacrifício” voltou a ser generosa com cerca de 800 toneladas de uvas, como contam Duarte Sequeira, Coordenador de Vitivinicultura e Nuno Moreda, responsável da parte agrícola. Qualquer coisa como “um milhão e meio de garrafas.”

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Enologia cuidada oferece vinhos de excelência

Por conseguinte, 80% da produção é absorvida pelo mercado nacional, sendo o restante para exportação (um número que vai aumentar quando a adega estiver pronta). Vera Rendeiro, responsável de vendas explica que têm “verificado uma quebra de consumo, particularmente nos vinhos de rotação, no mercado da grande distribuição.” Para contrariar esta situação os enólogos têm liberdade para definir o que melhor se enquadra nas necessidades do mercado, representando o que de melhor se faz na região. “Com efeito, Não corremos atrás de tendências.”

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A preocupação ambiental está bem presente por aqui, com a preservação da biodiversidade na linha da frente. Além das vinhas biológicas, trabalham com a Universidade do Minho na questão da biodiversidade, preservação de espécies, restaurando vários habitats naturais. Por outro lado, há na calha um projeto de enoturismo para as Colinas do Douro, “até porque temos na imensidão da quinta, espaços espetaculares para isso”.

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Colinas do Douro: vinhas únicas, vinhos singulares

Uma pausa numa das zonas mais altas da Colinas do Douro permitiu provar os vinhos da Quinta da Extrema. Néctares de excelência, marcadamente elegantes, frescos, minerais e com longevidade. Já os ensaios são vinhos únicos que mudam todos os anos e, por isso, sempre uma experiência nova para o palato. Perfeitos para garrafeiras diversificadas e únicas.

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Apesar de aquecida a pele pelo sol e a alma pelo vinho, chegou a hora de levar o Toyota Land Cruiser para estrada. Com direção com assistência elétrica e suspensão traseira com braços de guiamento, o comportamento está melhor em estrada e fora dela. Com soluções de tração que passam pelo bloqueio de diferenciais e desativação das barras estabilizadoras, dificilmente algum obstáculo o faz parar.