Em Linhares da Beira, Aldeia Histórica de Portugal, tudo é pedra. Do castelo às casas, até ao manto das ruas. Mas o frio do granito transforma-se num abraço caloroso no restaurante Cova da Loba. Fomos descobri-lo a bordo do Peugeot 2008, o SUV utilitário que tem dominado o mercado nacional no segmento.
Vive nos bosques das redondezas uma loba, em tempos humana, de seu nome D. Lôpa. Diz-se que Santo António fez expulsar de casa dela uma criada, tendo descoberto que era o demo disfarçado, angariando almas em Linhares da Beira.

O espirituoso santo, transformou D. Lôpa numa loba, por afinidade ao nome, concedendo-lhe vida longa, com a condição de prestar o secreto serviço de trazer à sua terra os melhores frutos dos bosques das serras, e assim compensar os conterrâneos da inconsciente cumplicidade de outrora com Satanás. Ali os deposita todas as noites e é a hospitaleira obrigação das gentes da terra partilhá-los com quem os visita.

Cova da Loba: da Guarda a Linhares são dois passos
A curta viagem da Guarda até Linhares é quase perfeita. Tem troços de autoestrada, nacional e até uma antiga estrada de montanha. Desafios mais do que suficientes para puxarmos pela garra do novo Peugeot 2008. Esta segunda geração do 2008 é um animal bastante diferente da primeira. Com uma nova plataforma, novas motorizações e muito mais tecnologia, apresenta argumentos que nivelam por cima, num segmento cada vez mais concorrido.

Conduzimos a versão 1.2 Puretech Active a gasolina. Apesar de ser a menos equipada, a sensação de qualidade é muito superior ao modelo anterior. Por fora, os dentes-de-leão à frente, as garras nas luzes traseiras e um corpo musculado, mas elegante, conferem-lhe personalidade e presença. Por dentro, a posição de condução mais alta, o conforto e maior espaço, de pernas e bagageira, dão-lhe alma renovada.

Na estrada, só ouvimos o ronronar do três cilindros quando há necessidade, mas sobretudo vontade, de puxar pelos 130cv e 230Nm de binário. O que durante a nossa viagem, foi quase sempre! A direção ganha peso de forma natural com a velocidade ou em curva. As passagens de caixa são, surpreendentemente, rápidas e, apesar do centro de gravidade mais elevado, mantém sempre a sua graça, tornando cada curva e contracurva da subida para Linhares um verdadeiro gosto de conduzir.

Um restaurante diferente
Lá em cima, esperava-nos Paulo Mimoso, um filho da terra. Foi, aliás, na antiga casa onde vivia com a família que abriu, com a mulher Elisabete, o Cova da Loba. E se “Loba” tem origem na famosa lenda, é o lugar que o batiza de “Cova”, por se situar numa cave, onde mantém uma rusticidade que contrasta com a decoração moderna e uma cozinha aberta.

Ninguém adivinharia um restaurante assim nesta aldeia. Partindo de uma cozinha de base tradicional, “azeite, cebola e alho”, evolui com criações originais onde predominam sabores frescos e sazonais da região. Cada época do ano tem um encanto muito próprio aqui.

Esta ligação umbilical, não só à casa, mas à cozinha tradicional portuguesa, sente-se no carinho com que cada prato é pensado. Um desafio iniciado com o apoio do Chef Valdir Lubave e que, hoje, conta com inovações de vários Chefs, que acabaram por se tornar “amigos da casa”.

A Serra da Estrela é uma fonte inesgotável de saberes e sabores
Da sopa de perdiz com boletus e shitake ao gaspacho de cerejas, do lombinho de novilho com creme de Queijo da Serra ao polvo com migas de broa e chícharos, até às sobremesas de receitas familiares, como arroz-doce ou leite creme queimado na hora, não lhe vão faltar razões para querer voltar. Uma e outra vez.

Tarefa ainda mais difícil é escolher o vinho. Apesar de trabalhar apenas com vinhos nacionais de produtores individuais, exceção feita à vizinha Cooperativa Agrícola Beira Serra, conta com mais de 300 referências diferentes na sua invejável garrafeira. É que “se há casamento perfeito, é o do bom vinho com a boa comida”.

Saímos daqui com duas certezas. A primeira, é que o Peugeot 2008 é um excelente automóvel. A segunda, é que a originalidade do Cova da Loba vai muito além dos pratos tradicionais que reinventa. Vale a pena a visita!






