O modelo de produção chinês desenvolve novos modelos a uma cadência de dois a três anos. E não são poucos os seguidores que, presumem, ser esse o caminho. A Toyota quer fazer diferente e toma o caminho inverso com ciclos de vida mais longos com bases tecnológicas mais duráveis e atualizáveis via internet. Por outro lado, a Toyota quer que os seus modelos sejam evoluídos tecnologicamente via atualizações sem fios. Uma estratégia que deverá assegurar o desenvolvimento de modelos mais fiáveis e, sobretudo, completos na hora do lançamento.

Como disse uma vez Akio Toyoda, “vamos parar de fazer automóveis aborrecidos e vamos continuar a fazer as coisas de forma diferente.” E a verdade é que a Toyota sempre fez tudo diferente do habitual. Aposto nos híbridos quando todos nem sequer sabiam do que se falava, acabou com os diesel quando estavam em pleno crescimento. Democratizou os híbridos e um dos últimos “players” a abraçar a mobilidade elétrica. Sempre contra a maré.

Toyota quer fazer diferente do que é a tendência
Com toda a certeza que remar contra a maré é uma especialidade de Akio Toyoda que continua no comando do gigante japonês. Dessa maneira, a Toyota quer alargar os ciclos de vida e de desenvolvimento dos seus modelos. Com efeito, a casa japonesa anunciou que vai aumentar o ciclo de 5 a 6 anos para 9 anos!
De acordo com a Toyota, esta medida visa desenvolver serenamente a eletrificação e conseguir melhorar os veículos através de atualizações via internet. Os chassis e a mecânica serão mantidos ou alvos de melhorias de detalhe.

Capacidade de vender carros… veteranos
A marca japonesa tem uma admirável capacidade de reter os seus clientes e de oferecer automóveis já com alguns anos de mercado e continuarem a ser comprados. Exemplos? O Toyota RAV4 e o Toyota Corolla! Pequenos retoques e atualizações não alteraram substancialmente modelos que estão no mercado há vários anos.
Por outro lado, este alongamento dos prazos de desenvolvimento vai permitir que a Toyota evite lançar carros não acabados, mantendo a excelente performance no que toca à venda de carros em fim de ciclo.

Evidentemente que a Toyota tem outro objetivo. O volume de vendas elevadíssimo da Toyota leva a que as encomendas afunilem gerando prazos de entrega longos que, algumas vezes acabam em desistência. Exemplo disso? O Toyota Land Cruiser tem uma lista de espera de anos e, muitas vezes, os primeiros clientes recebem o carro já existindo uma evolução do mesmo. Nessa medida, o valor residual também aumenta, embora isso não seja um problema para a Toyota. Só para exemplificar, um Toyota Land Cruiser usado e com milhares de quilómetros percorridos, muitas vezes 20.000€ não chega para o fazer mudar de mãos!






