Proibição de motores térmicos em 2035? Não, obrigado!

Afinal os planos para proibir a venda de automóveis novos com motores de combustão interna em 2035 foram atirados pela janela. Ou seja, proibição de motores térmicos em 2035? Não, obrigado!

Afinal os planos para proibir a venda de automóveis novos com motores de combustão interna em 2035 foram atirados pela janela. Ou seja, proibição de motores térmicos em 2035? Não, obrigado! Naturalmente que esta notícia tem de ser encarada com cautela, pois foi o jornal alemão Bild quem a deu citando um legislador da União Europeia. No seu lugar vão surgir mais regras, como é costume na UE, para alcançar reduções significativas de CO2. Mais uma vez, segundo declarações de Manfred Weber (na imagem abaixo), presidente do maior partido do Parlamento Europeu ao jornal Bild.

MANFRED WEBER PPE PRESIDENTE EU 2025

Segundo este governante, citado naquele jornal alemão, “para novos registos a partir de 2035, uma redução de 90% das emissões de CO2 terá de ser obrigatória para a frota de modelos dos fabricantes, ao invés de 100%.” Por outro lado, “também não haverá meta de 100% a partir de 2040, pelo que a proibição da tecnologia dos motores de combustão está fora de questão. Todos os motores fabricados na Alemanha podem, portanto, continuar a ser produzidos e vendidos.” Palavras de Manfred Weber, presidente do PPE, a maior força política do Parlamento Europeu.

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Proibição dos motores térmicos? Não…

A pitada de sal com que devemos encarar estas declarações deve-se ao facto de nada ter sido, ainda, oficializado. Taçlvez dia 16 de dezembro sejam revelados todos os detalhes.

Porém, sabia-se que depois de ter aliviado a pressão da norma Euro7 no que toca aos limites de emissões de CO2, a União Europeia seguisse o guião e acabasse com o decreto de abolir os motores de combustão interna.

Para os políticos, representados por Manfred Weber, este é um sinal importante enviado “a toda a indústria automóvel preservando, assim, dezenas de milhares de empregos industriais.”

Com toda a certeza que os mais recentes desenvolvimentos da patética política europeia deram contributo para esta situação. Em primeiro lugar, as vendas de veículos elétricos continuam muito abaixo do necessário para que os construtores consigam ganhar dinheiro com eles. Em segundo lugar, o fim dos automóveis com motores de combustão interna iria trazer uma fatura social pesadíssima. Finalmente, os pequenos automóveis acessíveis não servem o propósito de quem compra um automóvel.

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O que está em cima da mesa?

Dessa maneira, a União Europeia vai anunciar um pacote de ajuda à indústria automóvel, cada vez mais atingida pela concorrência chinesa. Com efeito, vão ser permitidos os motores de combustão interna com sistema híbrido Plug In ou modelos 100% elétricos com extensor de autonomia graças a motores térmicos para lá de 2035.

Naturalmente que as novas regras terão de ser aprovadas no Parlamento Europeu, mas com o apoio do PPE, acredita-se que tudo será pacífico.

Dessa forma, os combustíveis sintéticos, os bio-combustíveis e até o hidrogénio (a Toyota continua a trabalhar num motor de combustão interna alimentado a hidrogénio) voltam para cima da mesa. E estas decisões podem acelerar o seu desenvolvimento e produção em massa para reduzir o preço. Por outro lado, a Comissão Europeia também vai adiar os planos de tornar mais rigoroso os cálculos das emissões dos PHEV.

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Porquê razão está isto a acontecer?

Como diz Carlos Tavares, os políticos enviaram a indústria automóvel para uma tecnologia sem estudos e sem avaliações credíveis. E o resultado está á vista! Recuos e incapacidade de prever o que está adiante.

Assim sendo, depois de terem gastado milhares de milhões de euros a desenvolver carros elétricos, o insucesso é total. A Mercedes-Benz recuou nas suas intenções e acabou com a marca EQ que passa a sinalizar modelos com tecnologia elétrica ou híbrida. A Volkswagen vai fazer o mesmo com a marca ID que passa, também, a ser referência para as motorizações. A Porsche continua a perpetuar os modelos com motor de combustão interna, paralelamente aos elétricos que, claro, teve de lançar por já estarem prontos e ser mais caro abandonar que os colocar à venda. A Volvo deixou de lado a ideia de ser 100% elétrica a breve prazo e o mesmo sucede com quase todos os construtores.

Por outro lado, ficou evidente que o custo social com a empedernida posição de banir os motores de combustão interna, seria gigantesco e abriria as portas, ainda mais, aos chineses. Finalmente, o efeito Havana seria trágico. E que efeito é este? De perpetuar os modelos a gasóleo e gasolina “ad eternum” como sucede em Cuba.

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“Não colocar os ovos todos no mesmo cesto”…

Não é de estranhar que a média de quilometragem dos modelos atuais ande nos 300 mil quilómetros. Porque ninguém quer prescindir dos motores diesel e a gasolina e a maioria não têm dinheiro para um carro elétrico. Ou então, onde vive, ter um carro elétrico é tão útil como levar gelo para o Círculo Polar Ártico. É por isso que Akio Toyoda será, porventura, um dos mais extraordinários executivos da indústria automóvel quando decidiu apostar nos híbridos e rejeitou a corrida aos elétricos dizendo que “não é bom ter os ovos todos no mesmo cesto”…

Evidentemente que os elétricos fazem parte da solução do futuro para lidar com as alterações climáticas. Mas só usados com inteligência. Por exemplo, dentro das cidades, na distribuição. Dessa forma, são veículos preciosos que vão reduzir a pressão poluente onde ela existe… nas grandes cidades.