A ditadura dos SUV permanece, mas todos os construtores lembram o ditado “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”. E, dessa maneira, todos vão começando a preparar-se para a próxima tendência. Uns tentam automóveis com aspeto todo-o-terreno. Sem grandes resultados, diga-se. Desse modo, são os franceses que lideram a vontade de fazer regressar os monovolumes. O Citroen Elo recupera uma ideia com 25 anos chamada Citroen Osmose e um automóvel que chocou meio mundo, o Fiat Múltipla.
Os franceses “inventaram” o monovolume, mesmo que haja controvérsia sobre isso. As raízes deste tipo de modelo chegam aos anos 50 do século passado. Quando a Fiat lançou o 600 Multipla e a VW o Transporter, conhecido como “Pão de Forma”.


E o primeiro monovolume foi mesmo um Chrysler. Apesar disso, a Renault foi a primeira marca europeia a pegar no conceito lançado pela Matra com desenho de Giorgetto Giugiaro.

Porém, os SUV acabaram por se impor e muitos viúvos e viúvas dos monovolumes apostaram nos SUV por moda. No momento em que aquele tipo de veículo domina em toda a linha, sente-se um saturar do mercado e todos já pensam no que sucederá depois dos SUV.

Estão os SUV a perder fôlego?
Com efeito essa tem sido uma das questões que a Stellantis tem colocado. E tendo no seu seio marcas francesas, um diretor de estilo de enorme qualidade e mecânicas elétricas, era inevitável o regresso à ideia dos monovolumes.

Gilles Vidal, o responsável do estilo do grupo Stellantis, não se cansa de elogiar o conceito monovolume. Por outro lado, a questão dos crossover não veio provocar rachas na represa dos SUV que os mantém acima de todos os outros estilos de carroçaria.

Só para ilustrar, temos modelos como o Peugeot 408 que é uma berlina assente em rodas de grandes dimensões e com generosa altura ao solo, tal como o Citroen C5X. No entanto, apesar da beleza de linhas do primeiro, tanto um como o outro estão muito longe de serem um sucesso. Aliás, o Citroen até já desapareceu do catálogo da casa francesa em favor, lá está, de um SUV, o C5 Aircross.
Mas para conseguir a quadratura do círculo – oferece uma posição de condução dominante, amplo espaço interior com forte modularidade e capacidade para ir fora de estrada – a solução, parece, são os monovolumes.

Citroen Elo: o regresso dos monovolumes?
Com toda a certeza que este Citroen Elo é um protótipo inteligente e que deve ser levado a sério. Em primeiro lugar porque a forma segue a função e recupera uma ideia que todos lembramos com o Fiat Multipla. O Citroen Elo quer meter o Rossio na Rua da Betesga através de duas filas de três bancos. Tal como o Fiat dos anos 90 do século passado.

Em segundo lugar, surge com as dimensões de um utilitário. Finamente, porque tem ideias que podem ser usadas num veículo de produção em série. Como?

Ideias impossíveis e outras razoáveis
Com o fim de proporcionar uma excelente acessibilidade, o Citroen Elo tem quatro portas… deslizantes. Duas que abrem na direção da frente e duas que abrem na direção da traseira. Pronto, as duas da frente vão ter de desaparecer no carro de produção, pois o mecanismo seria uma dor de cabeça.

Por outro lado, no interior, existe uma fila de três bancos individuais atrás e uma fila com dois bancos laterais e um banco central para o condutor. Assim à lá McLaren F1! A bagageira oferece uma capacidade interessante.

Um familiar mais pequeno que um Renault Clio
Contas feitas, o Citroen Elo tem 4,10 metros de comprimento, ou seja, é mais pequeno que o novo Renault Clio, só para ficarmos entre franceses. Porém, a Citroen tem uma versão ainda mais curta com 3,5 metros!

Só para exemplificar, Gilles Vidal era responsável pelo estilo da Citroen em 2000 e projetou o Osmose, um monovolume urbano com 5 lugares e apenas 3,35 metros de comprimento. Um quarto de século depois e como responsável pelo estilo das marcas europeias da Stellantis, o designer francês regressa o tema com o Elo.

O Citroen Elo é para ser levado a sério
O Citroen Elo é, apenas, uma declaração de intenções. Porém, não é um protótipo que foi feito porque Gilles Vidal teve uma ideia brilhante. Os custos são cada vez mais controlados e fazer protótipos sem objetivos não fazem parte dos programas dos construtores.

Dessa maneira, temos de olhar para o Citroen Elo como uma ideia para o futuro, mesmo que os monovolumes exijam algumas mudanças no que toca à industrialização e, sobretudo, à arrumação dos componentes devido ao menor espaço por baixo do capô. Mas nada que seja intransponível e que não justifique o esforço.

Enfim, este protótipo é para ser levado a sério. Até o estilo, com ideias muito interessantes e sem muitos dos exageros dos protótipos que não têm ligação com a produção em série. Por isso não se espantem se dentro de pouco tempo, o Citroen Elo surja em marcas como a Fiat ou a Opel.






