Cinco cilindros da Audi faz 50 anos em 2026

Tal como a BMW ficou vincada pelo bloco seis cilindros em linha, a Audi marcou a diferença com um motor de cinco cilindros.

Meio século para um motor é algo que merece ser assinalado. O cinco cilindros da Audi faz 50 anos em 2026 e contribuiu para a fama da casa de Ingolstadt. Com efeito, tal como a BMW ficou vincada pelo bloco seis cilindros em linha, a Audi marcou a diferença com um motor diferente que se ilustrou no Mundial de Ralis com o Quattro. O som inconfundível e a fiabilidade marcaram uma geração. A celebração dos 50 anos acaba ensombrada pelo facto da Audi não desejar adaptar o bloco às novas regras Euro7.

Com efeito, a Audi não parece disposta a investir – como acabou de fazer com o V6 TDI – para adaptar o 2.5 TFSI às normas Euro7. Curiosamente, o bloco de cinco cilindros da Audi tinha desaparecido do catálogo em 1997, após vinte anos de utilização ininterrupta. Regressou em 2009 para cumprir as Bodas de Ouro e, provavelmente, desaparecer.

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Controvérsia com a idade do cinco cilindros da Audi

Ao passo que a marca de Ingolstadt começava a estabelecer-se como marca de topo alemã, o motor de cinco cilindros da Audi foi muito importante no passo seguinte. O inusitado bloco surgiu em 1976 no Audi 100, o automóvel antes do A6. Mas há polémica sobre este aniversário.

Com efeito, o ano de 1976 foi de apresentação ao público e à imprensa. É que foi em março de 1977 que o cinco cilindros da Audi apareceu debaixo do capô do 100 SE em modelos entregues as clientes. De acordo com alguns “puristas” o motor da Audi só fará 50 anos em 2027.

Questões à parte, desde que a Audi assumiu que será 2026 o ano de tão importante aniversário, interessa recordar um motor que tanto fez pela marca germânica. Por outro lado, é melhor celebrar já em 2026, pois, em 2027 pode já não haver bloco de cinco cilindros Audi!

Audi 100 GL 5D (C2), model year 1978

Como tudo começou?

Conhecido internamento como Type 43, tinha como objetivo elevar as capacidades em termos de desempenho do Audi 100. Na ideia do grupo de engenheiros que liderou o projeto, os motores de quatro cilindros não eram suficientes em termos de potencia e performances.

Com o fim de oferecer potência superior, o primeiro bloco tinha 2.2 litros e utilizava carburadores sem turbo e debitava 136 cv. Só a partir de 1988 passou a usar injeção, sendo declinado nas versões a gasolina e a gasóleo. Apesar disso, o motor ainda tinha algumas dificuldades e por isso, em 1989, foi-lhe aplicado um turbo com a potência a subir para os 170 cv. No final da década de 80 o bloco diesel 2.5 litros TDI tinha injeção direta e turbo (raro na época) e debitava 120 cv.

Audi quattro (B2), model year 1980 (Geneva Motor Show)

Os anos de glória com o Audi Quattro

Porém, foi quando a Audi decidiu entrar no Mundial de Ralis com um carro inovador que tinha tração integral. O Quattro com o motor de cinco cilindros da Audi derrotou a concorrência. O som característico e a espetacularidade do “tanque” alemão marcaram os adeptos dos ralis e não só. A derradeira versão, Sport Quattro S1, era verdadeiramente espetacular graças à definição aerodinâmica e à brutalidade do cinco cilindros Audi.

Quando acabou o tirocínio no Mundial de Ralis com o fim dos Grupo B – devido aos acidentes ocorridos ao longo de 1986 que mataram espectadores e Henri Toivonen e Sergio Cresto – o bloco da Audi ilustrou-se na Rampa de Pikes Peak e no campeonato Trans-Am.

Audi RS 3 Sportback, model year 2015

Desaparecimento… regresso e… morte anunciada

Com toda a certeza que o cinco cilindros da Audi marcou uma era e foi utilizado em vários modelos de topo da casa alemã. Foi ele que foi montado debaixo do capô da primeira RS2 com 315 cv.

Audi Avant RS 2 (B4), model year 1994

Surgiu, nas versões TDI, em vários modelos com 2.5 litros de capacidade, como referimos, tendo durado até 1997 no A6. O motor a gasolina, com 2.2 litros com 20 válvulas, apareceu no S6 e também desapareceu em 1997. Depois, desapareceu do catálogo nesse ano.

Audi TT RS Coupé, model year 2016

Com efeito, foi preciso esperar mais de dez anos para ver o cinco cilindros regressar para equipar o Audi TT RS em 2009. Modernizado, com injeção direta e turbo, a potência chegou aos 340 cv. O RS3 também herdou este motor, ao passo que o Q3 RS recebeu uma versão “descafeinada” com 310 cv. Converteu-se ao alumínio para o bloco e a mais recente variante do cinco cilindros da Audi debita 400 cv. Mas sem recurso à hibridização… O que o torna um alvo fácil para voltar a entrar na lista dos dinossauros mecânicos de que todos iremos ter saudades.

Depois da Audi ter revitalizado o V6 TDI e da Stellantis ter feito regressar o Hemi V8, pode acontecer um milagre que permita a continuidade de um dos melhores motores que a Audi fez.