Com o foco da indústria a mover-se, cada vez mais, da obsessão elétrica para uma divisão dos ovos por vários cestos, a Bentley decidiu honrar o seu passado desportivo. Dessa maneira, nasceu o Bentley Continental GT Supersports, a versão mais radical do coupé da casa britânica. Com efeito, o novo modelo será produzido em somente 500 unidades equipadas com um V8 biturbo e peso aligeirado. Sem ajuda da hibridização, debita 666 cv!
Não fique preocupado nem questione a sua sanidade mental, pois não está a ler uma notícia do ano 2000. Com toda a certeza que este é um automóvel de 2025, mesmo que seja um superdesportvo sem ajuda da hibridização, com tração traseira e limitada a 500 unidades.

Recordamos que esta é a segunda vez que a Bentley faz um Supersport. Passaram dezasseis anos sobre essa ocasião. O Continental GT despe o motor W12 e abandona as baterias e os motores elétricos, para regressar às origens.

Bentley Continental GT Supersports com V8 sem ajuda elétrica
Não será um regresso absoluto ao passado porque o motor V8 tem dois turbos para que os 4.0 litros possam debitar 666 cv. E pergunta o caro leitor, então este não deveria ser o mais potente dos Continental GT?! Por acaso é o menos potente, pois a versão base tem 680 cv e o Continental GT Speed tem 782 cv. Mas… o segredo está noutro lado…

Por outro lado, o Supersport não fica a dever nada aos seus irmãos em termos de performances: 0-100 km/h em 3,7 segundos e velocidade máxima de 308 km/h.

Já lá vamos ao segredo para tudo isto. Entretanto tenho de lhe dizer que o motor recebeu dois turbos novos, um sistema de lubrificação totalmente novo e, ainda, um escape em titânio feito pela Akrapovic. A potência chega às rodas traseiras através de uma caixa automática ZF com 8 velocidades.

Honrar a mecânica na véspera da eletrificação
De acordo com a marca de Crewe, o segredo do Bentley Continental GT Supersport reside no peso! Em primeiro lugar, o modelo passou por uma dieta rigorosa que escovou 500 kgs ao peso de um Continental GT híbrido. Este último peso 2.459 kg. Em segundo lugar, a ausência de hibridização tornou tudo mais simples e… leve. Finamente, a redefinição aerodinâmica ajudou nas performances.

Como é que a Bentley conseguiu baixar das duas toneladas? Tejadilho em carbono, isolamento aligeirado, supressão dos bancos traseiros, discos em carbono-cerâmica e jantes de alumínio de 22 polegadas, forjadas, desenvolvidas em colaboração com a Manthey Racing.

Por outro lado, a direção e a suspensão pneumática, bem como o diferencial autoblocante, receberam afinações diferentes para permitir um comportamento de topo e capacidade para encaixar 1,3 G em curva. O apoio aerodinâmico conseguido com pequenas aletas de carbono à frente e um difusor associado a uma asa traseira, permite 300 kg de força descendente. Excelente!

Uma afirmação da Bentley
A brutalidade das especificações do Bentley Continentais GT Supersport funciona como uma declaração da marca liderada, desde 2024, por um ex-Porsche, Frank-Steffen Walliser. O Bentley mais focado no condutor de sempre parte da ideia do seu responsável máximo em manter uma ligação aos motores de combustão antes da passagem para a mobilidade elétrica.

Mas também é a assunção de que a mobilidade elétrica nos segmentos de topo está em recuo acentuado. Não espanta que, tal como a Porsche, a Bentley tenha recuado nos planos iniciais para a mobilidade elétrica. Fica evidente que a marca de Crewe sabe fazer carros de luxo confortáveis e de elevado desempenho, mas também automóveis que nasceu para oferecer emoções.






