União Europeia rejeitou reduzir os limites de CO2 até 2035

A União Europeia rejeitou reduzir os limites de CO2 previstos até 2035, trocando isso por uma redução de 100% das emissões de CO2 em 2035.

A União Europeia rejeitou reduzir os limites de CO2 previstos até 2035. Trocou isso por uma redução de 100% das emissões de CO2 em 2035, ou seja, banindo os motores de combustão interna. Porém, esta decisão da comissão do ambiente do Parlamento Europeu não deixou satisfeitos os grupos de defesa do ambiente. Estes grupos exigiam limites mais draconianos para as emissões ao longo do tempo antecipando o desaparecimento dos motores de combustão interna.

O Comité do Ambiente do Parlamento Europeu ratificou na quarta-feira as novas regras de CO2 para ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros. A proposta seguiu para o Parlamento Europeu para discussão e eventual aprovação por parte dos membros da União Europeia. Mas a União Europeia rejeitou outras alterações.

União Europeia rejeitou

União Europeia quer ser neutra em emissões em 2050

Nesse sentido, a proposta diz que haverá uma redução de emissões de 20% entre 2021 e 2025. E, depois, 55% menos em 2030, com 2035 a assistir à imposição de uma redução de 100% das emissões. Na prática, este limite bane os motores de combustão interna dos mercados em 2035.

Curiosamente, os grupos ambientais queriam mais cortes. Porém, os 20% de redução de emissões até 2025 abraçam um aumento de 5% face á proposta inicial feita em Julho de 2021. Esta foi feita no âmbito do plano da Comissão Europeia “Fit for 55”, e reclama um corte de 55% nas emissões de CO2 em 2030 face aos valores dos anos 90.

Em outras palavras, a União Europeia rejeitou outras propostas, mas quer ser o primeiro continente mundial a ser neutro em termos de emissões em 2050. Enfim, aquilo que é conhecido como o “European Green Deal”.

Ambientalistas queriam mais

O grupo “Transport & Environment” queria que houvesse um objetivo mais draconiano em 2027 e um corte ainda mais radical das emissões em 2030. O argumento deste grupo é simples. Quanto menor for o limite de emissões, maior é a aceleração das vendas de veículos elétricos e reduzir os custos de utilização. Mas a União Europeia rejeitou.

“O crescimento dos veículos elétricos vacilará nos próximos 10 anos, a menos que os legisladores intervenham e coloquem um objetivo intermédio em 2017 e um objetivo mais ambicioso em 2030. Sem ele, a Europa pode não vender automóveis com emissões zero suficientes para cumprir os objetivos da União Europeia para 2030.” Palavras de Alex Keynes, gestor de veículos limpos da “Transport & Environment”. Palavras que pouco efeito surtiram.

Porém, desde logo, os limites mais draconianos em termos de emissões encontraram resistência de alguns países membros, nomeadamente, os do bloco de leste. Que sempre lembraram a falta de infraestruturas de carregamento e o preço elevado dos veículos.

Porém, na altura da votação, a derrota da proposta de uma maior redução dos limites de emissões foi estreita – 46 votos contra, 40 a favor e duas abstenções. Assim sendo, a proposta da União Europeia vai ser adotada em junho e servirá de base para as negociações com os diversos Governos da união para a definição final da lei.

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Inflação trava crescimento dos modelos zero emissões

Neste ínterim, olhemos para o ano de 2021, onde os veículos elétricos representaram 9,1% das vendas europeias. Um crescimento fantástico face aos 1,9% de 2019.

Agora, façamos contas: para que as novas diretrizes da União Europeia sejam cumpridas, as vendas de veículos elétricos teriam de representar mais de 50% das vendas europeias em 2030.

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Em outras palavras, impossível que isso suceda, ainda por cima devido à inflação que grassa pelo Velho Continente… e não só! Vários responsáveis pela indústria automóvel, com Carlos Tavares, CEO da Stellantis, à cabeça, deixaram claro várias coisas. O aumento estratosférico dos fatores de produção (gás e eletricidade) e dos preços das matérias-primas, nomeadamente, as de terras raras, vai ameaçar todo e qualquer objetivo de redução de emissões.

Por outro lado, há muitas necessidades em termos de infraestruturas de carregamento, com profunda assimetria entre os países mais ricos e os mais pobres do Velho Continente.

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Simultaneamente, a ACEA (Associação dos Construtores Europeus de Automóveis) já disse que a redução de 20% dos limites de emissões em 2025 coloca muita pressão sobre os construtores.

“A mudança sugerida para a próxima meta de 2025 simplesmente não deixa tempo de adaptação devido aos tempos necessários para o desenvolvimento dos novos veículos e respeitar os ciclos de produção. Faltam menos de três anos até 2025 e precisamos de uma decisão até final deste ano.” Palavras de um porta-voz da ACEA.