Dakar Etapa 3: Joaquim Rodrigues vence nas motos, Sainz coleciona 40ª vitória em especiais

O piloto português Joaquim Rodrigues levou a sua Hero ao primeiro lugar da 3ª etapa do Dakar 2022 dedicando-a a Paulo Gonçalves.

Dia feliz para as cores portuguesas com Joaquim Rodrigues a oferecer à Hero a sua primeira vitória em troços do Dakar. O português também se estreou a ganhar e dedicou uma saborosa, mas emotiva vitória, ao seu cunhado, Paulo Gonçalves. A vitória de Joaquim Rodrigues foi emocionante pela carga que é segurar o nome de Paulo Gonçalves, morto no Dakar em 2020, mas também por aquilo que foi a etapa, plena de… curiosidades.

David Sanders, depois de perder a liderança ontem, lançou-se para os 255 km de especial determinado a recuperar o tempo perdido. Apesar disso, as alterações na cabeça da corrida foram-se sucedendo e com a notícia do regresso de Danilo Petrucci, o homem do MotoGP, à corrida depois de ontem ter chegado de helicóptero ao acampamento. Mas ao abrigo das novas regras, regressou hoje. Kevin Benavides passou pelo comando, Skyler Howes também, enquanto o jovem (20 anos) Mason Klein mantinha a liderança no Rally2.

Traído pelo estômago!

Entretanto, David Sanders assenhorou-se da liderança, mas sobre intensa pressão de Rodrigues e Howes. O português foi o primeiro a chegar à linha de meta, ganhando a etapa depois de Sanders confessar no final que perdeu bastante tempo na parte final. E porquê? Demasiado confiante na sua vantagem, o australiano estava com fome e decidiu parar alguns minutos para… comer!

Contas feitas, Joaquim Rodrigues levou a Hero à vitória da Etapa 3 deste Dakar 2022, na frente de Toby Price (KTM) e Mason Klein (KTM). Skyler Howes (Husqvarna) e Daniel Sanders (GasGas), fecharam o Top 5.

A edição de 2022 ainda vai a meio mas já está marcada na história como a primeira que vê um nome Português vencer a categoria numa das etapas, Joaquim Rodrigues.

Com um nono lugar na tirada e aproveitando que Sam Sunderland (GasGas) foi apenas 17º, Adrien van Beveren (Yamaha) subiu ao segundo lugar da geral a apenas 4 segundos do britânico da GasGas. O pódio é completado por Mathias Walkner (KTM) a 1m30s. Joaquim Rodrigues subiu ao 17º lugar (a 37m43s). António Maio (Yamaha) é 29º a 1h13m20s, Rui Gonçalves (Sherco), apesar de todos os problemas que já conheceu, é 42º a 2h09m28s. Alexandre Azinhais (KTM) segue no 72º lugar a 4h06m26s, enquanto Mário Patrão é o 78º (continua a subir na classificação) a 4h23m13s. Está no 17º lugar da categoria Originals by Motul. Arcélio Couto (Honda) está no 85º lugar a 4h57m34s e Pedro Bianchi Prata (Honda) é 90º a 5h33m37s.

Sainz ganha 40ª etapa no Dakar

O piloto espanhol continua em grande forma e, como não poderia deixar de ser, Carlos Sainz foi o primeiro a dar uma vitória ao Audi RS Q e-tron no ano de estreia do carro e da regulamentação T1 Ultimate, reservada a modelos com motorizações alternativas. Uma etapa que encaixava que nem uma luva nas características de pilotagem do duas vezes campeão do Mundo de Ralis, que revoltado depois de ter perdido as possibilidades de ganhar o Dakar devido a um erro da organização, explicou de forma clara que o futuro até pode ser interessante com a tecnologia híbrida.

E para provar que o conceito é competitivo, reunidas algumas condições, Stephane Peterhansel foi o terceiro mais rápido (a 1m41s) e Mattias Ekstrom foi o quinto (1 2m59s). Um excelente resultado de conjunto que encorajou os responsáveis da Audi Sport, provando que o conceito pode ser vencedor. Precisa, apenas, de mais desenvolvimento depois deste Dakar 2022.

Problemas para Loeb

O azarado do dia voltou a ser Sebastien Loeb. O francês continua a sofrer com os furos no BRX Hunter. Mais dois na tirada de hoje atrasaram-no um quarto de hora face aos lideres da prova. Porém, o maior problema foi a transmissão do carro da Prodrive que avariou após duas mãos cheias de quilómetros de especial.

O nove vezes campeão do Mundo de Ralis encontrou forma de levar o BRX Hunter até final com apenas duas rodas motrizes, perdendo 33m04s. Ainda assim manteve o segundo lugar da geral.

Com uma etapa cautelosa e sem grandes rasgos, Nasser Al-Attiyah foi apenas 8º na tirada, alargando a vantagem para Loeb e para o argentino Lucio Alvarez que levou a sua Toyota Hilux ao 9º lugar da etapa. O francês está a 37m40s, o piloto da Overdrive Toyota está a 42m06s.

Giniel de Villiers penalizado por falta de auxílio

Penalizado com 5 minutos, ontem, por ter atropelado um piloto de moto e não ter cuidado de saber se o piloto estava bem ou não, Giniel de Villiers foi sétimo na etapa e está no 4º lugar a 45m22s. Mais um Dakar para esquecer para o sul africano.

Henk Lategan (Toyota Hilux GR DKR) saiu de prova o ano passado com um violento acidente, este ano perdeu uma roda da Hilux logo nos primeiros quilómetros de prova e caiu na classificação. Hoje conseguiu meter-se entre os Audi, foi segundo na etapa e subiu ao 38º lugar da geral a 3h26m06s.

Na especial de hoje, Benediktas Vanagas tornou Filipe Palmeiro no melhor português deste Dakar 2022 no 18º lugar, seguido de Vaidotas Zala e Paulo Fiúza no 21º lugar. Miguel Barbosa foi o 47º na etapa a 43m41s. Na classificação geral, Zala e Fiúza estão no 13º lugar no MINI JCW a 1h32m12s, enquanto Vanagas e Palmeiro estão no 15º posto com a Toyota Hilux a 1h37m35s. Miguel Barbosa e Pedro Velosa seguem no 44º posto a 4h30m40s.

Kamaz domina camiões, portugueses em bom plano nos SSV e LW Proto

A vitória nesta especial do Dakar 2022 não escapou à Kamaz com Sotnikov a ganhar pela segunda vez em 2022. Karginov ficou no segundo lugar a pouco mais de um minuto, mas a Iveco conseguiu quebrar a superioridade russa com o terceiro lugar de Van Kasteren na frente de Shibalov.

Na geral, um (Sotnikov), dois (Nikolaev), três (Karginov) para a Kamaz, seguidos do Praga de Ales Loprais (a 47m08s) e do Iveco de Janus van Kastern, cada vez mais perto do checo (1m33s) apesar de uma penalização de 15 minutos.

Nos Quad, Pablo Copetti (Yamaha) venceu a etapa e assumiu o comando, beneficiando, igualmente, do abandono de Laysvidas Kancius, o anterior líder da classificação dos Quad. Alexandre Giroud (Yamaha) e Aleksandr Maksimov (Yamaha) fecham o pódio.

Após os problemas mecânicos que o apoquentaram na etapa de ontem e o atiraram para fora da luta pela vitória, Seth Quintero voltou ao ritmo habitual e ganhou a etapa entre os LW Proto, na frente de Lopez Contardo e de Sebastien Eriksson. Na geral, Contardo é líder na frente de Eriksson e de Pavel Lebedev.

Mário e Rui Franco são os melhores com as cores portuguesas e já treparam até ao 7º lugar da geral a 2h27m de atraso para o líder, já com 17 minutos de penalização.

Finalmente, nos SSV, festival dos irmãos Marek e Michal Goczal: fizeram a dobradinha na etapa, Michal aproximou-se do pódio na classificação geral e Marek está no 7º lugar do Dakar 2022.

Austin Jones (Can Am) é o líder da categoria seguido de Rodrigo Luppi de Oliveira (Can-Am) e de Gerard Farres Guell (Can Am). Destaques para Molly Taylor, piloto australiana que venceu na companhia de Johan Kristtoffersson o Extreme E, que segue no oitavo lugar da geral.

Luís Portela de Morais e David Megre são os melhores portugueses no 14º lugar a 2h13m45s, Rui Oliveira e Fausto Mota são 21ºs a 2h57m36s.

O dia de amanhã reserva para pilotos e máquina uma etapa com 465 km contra o cronómetro (mais 242 km de ligação) ligando Al Qaisumah à capital Riade. Será uma das mais diras tiradas da edição 2022 do Dakar com quase 200 km de pistas rápidas, porém traiçoeiras, uma zona de dunas complicada e um final em piso rochoso que será um festim para os pneus já bem desgastados após muitos quilómetros percorridos. Para ajudar “à festa” todos terão de atravessar alguns “wadi” ou leitos de rio secos que escondem, sempre, surpresas.

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