O “bullying” dos combustíveis em Portugal. Até quando?

O preço dos combustíveis continua a aumentar, tendo já atingido os 2€ / litro em algumas bombas. Para o governo parece estar tudo bem…

Portugal é um país de brandos costumes, indignamo-nos como hienas famintas nas redes sociais e vergamos a coluna perante o medo de arriscar. Por isso não tem espantado aquela velha máxima “vocês segurem-me que eu me vou a eles” com páginas nas redes sociais que apelam desbragadamente, e sem esconder a mão que atira a pedra, a estar um dia sem abastecer de gasolina ou gasóleo.

Obviamente que todos aceitaram, assinaram abaixo assinado para que o Governo reduzisse os impostos, enfim, insurgiram-se! Muito e com palavras mais ou menos bonitas, frases mais ou menos construídas e todos unidos para ajoelhar os patifes do Governo.

Depois, cada um voltou á sua vidinha cinzenta e transparente, uns tinham um gelado ao lume e não podiam ir, outros evocaram o trabalho urgente para acabar, alguns culparam violentamente o patrão que não o deixou ser participativo e muitos simplesmente encolheram os ombros e pagaram 100€ para encher o depósito.

Diesel

Calma…

Quer isto dizer que estou aqui a incentivar a insurreição popular? Obviamente… não!

A política faz-me erisipela e tento manter-me a quilómetros de políticos e cenas políticas – até evito passar perto da Assembleia da República – mas não me repugna os que adoram estar nos bancos do poder e da política. Vem tudo isto a propósito do verdadeiro “bullying” que quem gere, vende e comercializa os combustíveis anda a fazer.

O Governo quer dar uma imagem de defensor férreo de toda e qualquer ideia, conceito ou ação contra as alterações climáticas. Alguns ministros arrotam postas de pescada sobre aquilo que não dominam e lideres políticos que se puseram a milhas conseguiram o fenómeno de castigar os híbridos.

As associações de comercialização e distribuição de produtos petrolíferos lançam para a fogueira mediática figuras esfíngicas que conseguem dizer que não estão a ganhar mais dinheiro á conta do aumento dos combustíveis sem se rirem.

O preço dos combustíveis é um exercício complexo que a mim me deixa a imagem de uma cadela cheia de leite, à espera dos cachorrinhos que se acotovelam por um lugar no festim.

Obviamente que a maior parcela é de impostos e dá vontade de rir ouvir o Ministro do Ambiente, outro esfíngico político, dizer sem rir ou mexer um músculo facial que, “o Governo não financiará o consumo de combustíveis fósseis!”

Palavras repetidas “ad nauseum” pelo Ministro da Economia e pelo próprio Primeiro Ministro.

A minha proposta? Tudo aquilo que mexe alimentado por combustíveis fósseis fica parado uma semana e tudo aquilo que produz energia a partir de poluentes também para uma semana. O que vai acontecer?

Nada! Primeiro porque não sou apoiante deste tipo de ações e, depois, todos vão ter motivos sólidos e perfeitamente aceitáveis, para ficar no seu mundo.

Os senhores ministros preocupados com o sinal que dão ao povo vão perceber que não sabem o que dizem, são mentirosos. E Portugal é um país que não pode suportar mais o peso dos custos com os combustíveis.

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Todos nós, ainda com os três alqueires bem medidos, queremos reduzir as emissões. Todos nós de mente desperta queremos fazer alguma coisa para enfrentar as alterações climáticas.

Mas o que o Governo e as empresas de distribuição – sim, não coloquem o rabinho de fora pois a vossa margem alargou mais de 30% e sempre que o preço do crude baixa, a repercussão é sempre inferior ao impacto das subidas do preço – estão a fazer é “bullying”! E quem paga somos nós!

O Governo sabe, perfeitamente, que os combustíveis são uma forma fácil – como o comércio automóvel que funciona como funcionário de cobranças da Autoridade Tributária – de arrecadar receita. E sabe também que os combustíveis afetam o setor da distribuição e que a inflação vai crescer porque as empresas vão fazer repercutir esses custos nos serviços e produtos.

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O Governo sabe tudo isso, mas não recua para não fazer má figura lá fora… e para deixar de ser visto como o país da confusão e também que temos contas certas, quando elas não podem estar mais erradas. No final quem se prejudica é sempre o mesmo… o mexilhão, perdão, o povo.

Enfim, estamos a ser vítimas de “bullying”. De um assalto autorizado que tem extensão nos IUC e no ISV que, em 2022, sem surpresa, aumentam como sucede todos os anos.

A civilização está à beira de um abismo de imensas trevas e a velocidade com que se move é, hoje, muito superior ao passado. Portugal está no mesmo barco, mas o abismo mostra-se ainda mais parecido com um buraco negro cósmico.

Provavelmente, estamos a precisar de ligar o travão de emergência e meditar sobre tudo o que está a acontecer. Porque se assim não for e a humanidade não der um ou dois passos atrás, já(!) serão as pandemias e a voraz ganância de uma minoria a fazer-nos ajoelhar e recuar, ficando com um fardo que poderá ser impossível de carregar.

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