Extreme E – Arctic X Prix Gronelândia: corridas fantásticas com automóveis 100% elétricos

O Extreme E deslocou-se à Gronelândia para alertar para o degelo no Ártico, numa prova marcada por várias desistências.

O Extreme E é uma competição criada por Alejandro Agag, o homem que lançou a Fórmula E, que leva uma comitiva de engenheiros, mecânicos, pilotos, jornalistas e logística de uma competição até pontos remotos do planeta. O objetivo do Extreme E é sensibilizar as pessoas para as alterações do clima e por isso a competição é realizada com veículos 100% elétricos, toda a comitiva (exceção feita aos pilotos e alguns elementos das equipas) viajam de barco – o St Helena – as baterias são recarregadas com energia reciclável e a competição tem um concelho científico que deixa algum trabalho ou projeto no local contando com a ajuda dos pilotos e equipas.

Os carros são os “buggy” Odyssey com chassis tubular, dois motores elétricos com potência combinada de 550 CV, tração integral (um motor no eixo dianteiro e outro no eixo traseiro) e pneus especificamente desenvolvidos pela Continental.

As equipas são formadas por um piloto masculino e outro feminino e cada manga seja de treinos livres, qualificação, semi finais e final, tem duas voltas, uma para cada piloto.

O formato da Extreme E

O formato das corridas é simples, com duas qualificações feitas por todas as equipas. Cada uma das qualificações têm pontuação que, contas feitas às duas qualificações, geram uma classificação que dá pontos para o campeonato.

No dia seguinte, desenrolam-se duas semi finais com três carros de onde saem os quatro finalistas, aos qual se junta o vencedor da “Crazy Race!” espécie de corrida de consolação. A final tem cinco carros que disputam a vitória.

O Extreme E já visitou o deserto da Arábia Saudita na zona de Allula, alertando para o avanço dos desertos e para a desertificação de algumas zonas. Depois foi até ao Lago Rosa, no Senegal, palco para muitos finais do Paris Dakar e onde Jutta Kleindschmidt se transformou, em 2001, na primeira e única mulher a ganhar a maratona inventada por Thierry Sabine.

Arctic X Prix

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Finalmente, a caravana do Extreme E deslocou-se à Gronelândia no último fim de semana, para o Arctic X Prix, realizado nas fraldas do Glaciar Russell.

Quanto às equipas, temos nove formações com nomes grandes do desporto automóvel. Lewis Hamilton criou a X44 e escolheu como pilotos Sebastien Loeb (9 vezes Campeão do Mundo de Ralis) e Cristina Gutierrez (segunda mulher a vencer uma etapa do Dakar).

Nico Rosberg aproveitou a estrutura do pai Keke Rosberg para criar a Rosberg Xtreme Racing tendo contratado Johan Kristofersson (campeão do Mundo de Rallycross) e Moly Taylor, piloto australiana campeã de ralis no seu país.

Jenson Button lançou a JBXE que teve o campeão do Mundo de F1 como piloto na primeira prova. Não correu bem e por isso contratou Kevin Hansen para colocar ao lado de Mikaela Ahlin Kotulinsky.

Chip Ganassi, com o apoio da GM e da Hummer, agora uma marca 100% elétrica, inscreve um carro para Kyle Le Duc (multicampeão norte americano de todo o terreno) e Sara Price, piloto norte americana com amplo palmarés no todo o terreno.

Vinda dos Estados Unidos, a equipa Andretti United Extreme E é a junção de esforços de Michael Andretti e Zak Brown, contando com Timmy Hansen, campeão do Mundo de Ralycross e a veloz Cathy Munnings, com experiência em monolugares.

Jean Eric Vergne e Adrien Newey criaram a equipa Veloce que tem como pilotos Stephane Sarrazin, vencedor de Le Mans e piloto de ralis e Jamie Chadwick, piloto campeã da Fórmula W. Que foi substituída na Groenlândia por Emma Chadwick, piloto vinda da Nova Zelândia com palmarés no ralicross e no todo o terreno.

Carlos Sainz, o bicampeão mundial de Ralis com a Toyota criou a equipa Acciona Sainz e tem a seu lado a mulher com dezenas de participações e vitórias entre as senhoras no Dakar, Laia Sanz.

CUPRA marca presença

A CUPRA é a única marca europeia a inscrever-se oficialmente, com a equipa ABT Sportsline, na Extreme E. Tem como piloto o experiente Mathias Ekstrom que começou a temporada com Claudia Hurtgen a seu lado. Mas um capotanço e um desentendimento com Kyle Le Duc na primeira prova, a que se juntou uma mais baixa por doença, empurrou Jutta Kleinschmidt para o banco do Odyssey, deixando o lugar de piloto de reserva.

Finalmente, a equipa Xite com o apoio da Hispano Suiza, formação que conta com OIliver Bennett, piloto de ralicross, e Christine GZ (Giampaolo Zonca), piloto espanhola com ascendência italiana com experiência em todo o terreno.

A competição tem vindo a ser dominada pela equipa Rosberg Xtreme Racing (RXR) com Johan Kristofferson e Molly Taylor, que ganharam o Desert X Prix da Arábia Saudita e o Ocean X Prix do Senegal.

Prova desafiante

No Arctic X Prix, as coisas foram muito diferentes, com um percurso muito exigente onde pontificava uma zona de pedras que se revelou decisiva. Nas qualificações, a X44 liderou com uma exibição de mão cheia na Q1, vergado pela rapidez de Kristofferson na Q2. Mas a vitória foi para a X44 pois o piloto sueco viu o Odyssey parar três vezes e Molly Taylor capotou espetacularmente. Aterrou sobre as rodas e arrancou rumo ao final. Felizmente, para eles, conseguiram um lugar nas semifinais.

As semifinais foram espetaculares com lutas porta com porta e algum drama, mas para a final seguiram a X44, a Andretti United, a JBXE, a RXR e a Acciona. Pelo caminho ficou a Veloce quando Sarrazin tentou uma manobra desesperada, passou pelas pedras mais perigosas e passando pelos adversários, “morreu” na praia com um furo e uma suspensão partida. Também a XITE ficou de fora quando o carro ficou parado no meio da pista com Oliver Bennett ao volante. Quanto à equipa de Chip Ganassi voltou a ser beijada pelo azar, quando Sara Price viu a suspensão do Odyssey partiu. Finalmente, Mathias Ekstrom não evitou dois furos que não puderam ser substituídos e na ”Crazy Race” Jutta Kleinschimidt e o seu colega de equipa não chegaram à final devido a um semi eixo partido.

Na final, Sebastien Loeb fez a primeira volta a um ritmo fabuloso e chegou ao “switch” onde é feita a troca de pilotos (com uma velocidade máxima de 30 km/h controlada eletronicamente e um tempo mínimo de paragem de 45 segundos) com quase mais de 18 segundos de vantagem. Porém, um furo acabou com as esperanças da X44 de vencer a final e aproveitar os problemas no carro da Rosberg Xtreme Racing com Johan Kristofferson ao volante e que assim terminou no último lugar.

Mas antes desse problema, Molly Taylor andou muito bem e o piloto sueco da RXR deu verdadeiro recital de pilotagem lado a lado com Timmy Hansen no carro da Andretti United Extreme E. Os dois suecos digladiaram-se até que o carro de Kristofersson parou, saindo a vitória a Catie Munnings e a Timmy Hansen, a primeira da temporada, na frente do carro da JBXE e do Acciona de Carlos Sainz e Laia Sanz.

Contas do Extreme E

Contas feitas ao campeonato, Johan Kristofersson e Molly Taylor (RXR) estão na frente, agora com 9 pontos de avanço sobre Sebastien Loeb e Cristina Gutierrez (X44). No terceiro lugar estão Catie Munnings e Timmy Hansen (Andretti United Extreme E) a 17 pontos dos líderes. A próxima prova será o Island E Prix, a disputar-se nos dias 23 e 24 de outubro na Sardenha.

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