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Edição de 01-04-2013
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Arquivo: Edição de 12-01-2009
|   | SECÇÃO: Rotas da Região | |||||||||||||||||||||
| S. João da Pesqueira A sedução de uma aventura começa não só por um pensamento solitário mas, também, por aquilo que se deseja partilhado. Ou, então, uma partilha que se traduz num regresso a uma aventura de descoberta de pedaços de vida por entre uma terra de gentes, de tradições e de costumes seculares. O concelho de S. João da Pesqueira encerra um conjunto de desejos que importa sublinhar. Do nascer do sol ao anunciar de mais uma noite, os tons da paisagem confundem-se com uma provocação aos sentidos que esperam de cada descoberta um presente feito sabor. A tranquilidade, a nostalgia dos tons do final do Outono, transportam-nos para outras paisagens que só o nosso imaginário sabe tecer. Os horizontes da memória ficam espelhados por entre a imensidão os olivais e dos amendoais que na Primavera enchem de alvor o recorte da paisagem pontilhada de pequenos povos que são o testemunho da vida do concelho.Por entre os socalcos do Douro, estamos de regresso por um dia entre o Outono e o Inverno que faz inveja ao melhor dos sonhos. O primeiro foral dado a S. João da Pesqueira por Fernando “O Magno”, entre 1055 e 1065, é apenas o reflexo de toda uma História construída com a cumplicidade das gentes do concelho. Integrada numa região produtora de vinho por excelência, hoje Património Mundial da UNESCO, S. João da Pesqueira oferece aos visitantes um conjunto de testemunhos históricos que importa destacar. Mais de metade da área do concelho situa-se dentro dos limites da Região Demarcada do Douro. O concelho integra a Rota dos Vinhos da Europa (GR14) e aparece-nos como um dos mais belos itinerários que importa conhecer. O topónimo deste concelho duriense deriva da importante actividade pesqueira efectuada no rio Douro e de que são testemunhos inúmeros documentos. O povoamento da região remonta à civilização castreja tendo evoluindo ao longo dos séculos nunca deixando de se sublinhar a importância estratégica da localidade. Antes de sair para o percurso, sugerimos uma vista pelos principais locais que marcaram a história da sede do concelho. Um passeio a pé transmite-nos aquilo que de mais genuíno a terra pode oferecer por entre o património arquitectónico, civil e religioso de diferentes épocas e estilos. A Igreja Paroquial de S. Bartolomeu exibe uma talha dourada da época barroca podendo estar edificada no local de mesquita mourisca tendo, depois como base de construção um templo de origem românica. O edifício dos Paços do Concelho espelha uma arquitectura apalaçada. No átrio, destacam-se os painéis de azulejos que narram a “história” da cultura da vinha e do vinho numa perfeita sintonia com o enquadramento da região. A “Casa do Cabo” representa um dos mais brilhantes exemplares da arquitectura civil do concelho integrada na época setecentista. No interior exibem-se dois altos relevo incrustados nas paredes com a assinatura de Eduardo Tavares. Saindo em direcção da Barragem da Valeira pode visitar o Convento de S. Francisco, um mosteiro Franciscano. É da tradição local que se diz que o Marquês de Pombal passou parte da sua juventude na Pesqueira tendo frequentado as aulas conventuais neste convento. Também nesta direcção vai encontrar o Palácio de Sidrô. O actual palácio é uma construção da segunda metade do século XIX. O Rei D. Manuel II gostava de passar por esta quinta na época das vindimas. Emblemáticos são alguns locais do concelho. São Salvador do Mundo é destino de romaria e peregrinação, sobretudo de mulheres. As raparigas que querem casar com um homem de jeito, diz a tradição, têm de dar nós às giestas que vão encontrando na berma do caminho que dá para a capela. Neste local pode desfrutar de um dos miradouros mais emblemáticos de toda a região do Douro. No fundo do “abismo” corre o rio, agora amansado pela Barragem da Valeira e liberto do famoso cachão que, até aos finais do século XVIII, constituiu um obstáculo intransponível à navegação. Também a Praça da República constitui um dos pontos de interesse de visita, agora recuperada como uma perfeita jóia arquitectónica. A partir dos séculos XVIII e XIX vinha e as quintas levaram à fixação de comerciantes e produtores portugueses e ingleses. Resultado desta ocupação e da tradição nobre são as casas solarengas. Aqui existe um edifício mandado edificar por D. Maria I na data de 1794 que ostenta o brasão real. Neste edifício já funcionou como Paços do Concelho e Cadeia; actualmente suporta no seu interior o Posto de Turismo e o Museu Eduardo Tavares. Depois de efectuar o percurso, não perca a oportunidade de visitar a igreja de Sta. Marinha de Trevões e o seu Museu Etnográfico. A antiguidade da devoção a esta santa, remontam às inquirições de D. Dinis. O Museu Etnográfico é um projecto desenvolvido pela Associação Sociocultural de Trevões. Este Museu tem como primordial missão a divulgação e exposição de utensílios representativos do quotidiano agrícola que caracteriza a vida sócio-cultural e económica desta aldeia. Em relação ao percurso, realizável todo o ano e com qualquer tipo de veículo todo o terreno, apenas requer algumas cautelas tendo em conta que circulamos por uma zona muito povoada sendo, por isso, fácil de encontramos muitas pessoas que percorrem estes caminhos. Se viajar numa época do ano mais húmida, é bom que tenha em atenção o facto de estarmos a pisar terreno xistoso e particularmente escorregadio. O trajecto faz a ligação entre S. João da Pesqueira e Sarzedinho, uma aldeia “submersa” por entre o vinhedo. Esta é uma verdadeira viagem ao coração do Douro sempre por entre vinhedos. Junto à rotunda da Câmara Municipal, na direcção da Régua, coloque os quilómetros a zero e siga as indicações. Alguns dos troços são estreitos e abruptos, por isso mesmo, conduza com toda a prudência. Espelho da cultura de um povo é o artesanato. O concelho da Pesqueira tem viva alguma da arte secular que passou de geração em geração e que perpetua o saber das gentes: a arte da tecelagem de cobertores de lã, trabalhos em madeira relacionados com utensílios dos lavores da região e ainda alguns exemplos de trabalhos de cestaria e de latoaria. É claro que não nos podemos esquecer de um património que continua a ser genuíno sempre por onde passamos. Falamos da gastronomia... O cabrito assado no forno de lenha, as alheiras, o cozido à portuguesa, a bola de carne e de azeite, a chouriça são um bom exemplo. Da doçaria tradicional destaca-se o bolo de Páscoa os biscoitos de Ervedosa, a bola de amêndoa, o arroz-doce, as cavacas e o bolo negro de Soutelo do Douro. Se a tudo isto juntarmos a boa pinga do Douro, então, estamos presentes a um dos mais ricos presentes que poderemos oferecer um dia destes. Onde Comer • Restaurante “Cantiflas” (Espinho) – 254 484 474 • Restaurante “O Forno da Devesa” – 254 484 414 • Restaurante “O Casarão” – 254 477 247 Onde Dormir • Hotel Pesqdouro – 254 488 203 • Casa dos Cardenhos – 936 828 663 • Casa do Adro – 933 010 530 | |||||||||||||||||||||
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