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Edição de 01-04-2013

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Arquivo: Edição de 01-01-2005

 

SECÇÃO: Rotas da Região

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Por Gouveia
À descoberta da Natureza

Depois dos dias soalheiros de Outono, eis que se avizinha o Inverno… Pelas últimas cores da estação, percorremos trilhos vivos em plena Natureza que nos mostram a grandiosidade das terras em redor de Gouveia. A paisagem enche-nos o olho, o pensamento esgueira-se ao sabor do vento no alto da Santinha. Lá no fundo, na encosta, espreita um concelho onde a história não se confronta com falta de referências e se combina com o saber das gentes e na simplicidade dos gestos. A terra de muitas cores e de saber escrito fica mesmo aqui ao lado.
Desta vez vamos explorar o outro lado do concelho de Gouveia. Entramos por uma Natureza única pejada de recantos capazes de oferecerem ao viajante momentos únicos. À beira do Inverno, sublinhamos o facto de que, grande parte desta descoberta, tenha que ser realizada num veículo todo-o-terreno dotado de redutoras. Contudo, vamos sugerir alguns percursos alternativos para que um moderno SUV também possa desfrutar das belezas naturais que encontramos. Por outro lado, fica o conselho para não realizar este itinerário sozinho devido não só às características do terreno como também à natureza do clima, sempre imprevisível a quase 1600 m de altitude. Acima de tudo, que prevaleça o bom senso e o tacto de cada um para poder desfrutar deste palco magnífico. Antes de sair para o percurso, recomendamos vivamente uma visita tranquila à cidade jardim e àquilo que ela tem de melhor para oferecer: a hospitalidade das gentes e um rico património cultural, artístico e histórico. As ruelas estreitas escondem testemunhos passados, como algumas janelas manuelinas, e espelham a imagem de uma cidade com futuro onde o município não se cansa de apostar através da dinamização de um conjunto de actividades que, só por si, trazem uma mais valia de notoriedade. Em guisa de memória dos tempos, a fundação da cidade é atribuída aos Túrdulos (580 a.c.) sendo, na altura denominada por Gouvé. Já no séc. VIII, Gouveia é ocupada pelos Mouros sendo reconquistada por Fernando Magno em 1038. D. Sancho concede-lhe foral em 1186, confirmado por D. Afonso II em 1217, recebendo o foral Manuelino em 1510.
Passo a passo descubra uma cidade de tradição histórica e cultural com uma visita ao antigo Colégio Jesuíta, que alberga os Paços do Concelho, uma vista à Igreja Matriz do séc. XVIII de onde se destacam os mosaicos, verdadeira obra de arte, passando pelo Museu de Arte Sacra onde estão expostas talhas douradas e painéis de azulejo setecentistas para além do espólio do cardeal Mendes Belo. Preservando a memória de tempos longínquos, pode-se visitar o jardim do Museu de Arqueologia, onde estão à vista pedras da era romana e medieval, assim como o Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta. Aqui se apreciam pinturas prémodernistas de início do século, do mestre nascido em Gouveia, assim como de pintores como Júlio Pomar, Vieira da Silva e Resende. Para descanso, nada melhor do que aproveitar a frescura do jardim municipal, junto ao miradouro do largo do Senhor do Calvário, e uma leitura pelas obras de Virgílio Ferreira.
A primeira parte do percurso, é plana. O caminho leva-nos em direcção ao Curral do Negro para, depois, chegar a Folgosinho. Com algum cuidado, este é um caminho que os SUV poderão realizar. Já nesta localidade, nascida entre dois locais prováveis de castros antigos, desfrute da beleza granítica da paisagem e do rosto das gentes da Beira Serra. Aqui, é inevitável descobrir a frescura das fontes espalhadas pelas ruelas onde o pitoresco se confunde com a verdade dos factos espelhada em quadras populares alusivas à boa água:

“Mata a sede n`água pura
Que estes meus lábios te dão!
Da fonte toda a frescura nasce
No meu coração!”

“Ó fonte de água cantante:
O que diz o teu cantar?
O amor quando constante
Nem à morte há-de findar…”

Daqui, comece a subida até ao alto da Santinha. Lembre-se que está em pleno Parque Natural da Serra da Estrela que encerra um conjunto de belezas que importa preservar, da flora à fauna que ainda é possível vislumbrar: urze, giestas, pseudotsugas, o voo da águia-de-asaredonda, o coelho bravo, o gavião e a codorniz. Todo o cuidado é pouco! Conduza com prudência porque, por vezes, o caminho pode tornar-se complicado… Já no alto, em dias de bom sol, a paisagem é deslumbrante. De Espanha ao Marão… do mar à terra, o espírito pode saborear raros momentos de tranquilidade!
Depois de chegar à EN 232, siga à direita até ao cruzamento para Seia. Pouco depois, inicie uma descida espectacular com vistas sobre os vales do Mondego e Dão. Este troço também poderá ser realizado por veículos TT sem redutoras. Em Paços da Serra termina o trajecto. Mesmo assim, depois desta descoberta de uma porção do concelho de Gouveia, sugerimos-lhes que procure alguma informação sobre outras descobertas da Natureza em redor da Cidade, agora também de aventura. São percursos delineados em plena Natureza do concelho e que o levará a locais remotos sempre com relíquias patrimoniais, naturais e históricas do concelho.
A descoberta do artesanato também pode ser um ponto de partida para novas descobertas. A tecelagem manual, os casacos de pastor, os chinelos, as mantas de trapos, as botas cardadas, a olaria e tanoaria são disso bons exemplos. Mas também não nos vamos embora sem antes provarmos a boa gastronomia serrana: cabrito assado, alambicada de borrego, feijocas à pastor, sopa de moiros e de bacalhau, enchidos, caldo de castanha, arroz de carqueja… tudo isto bem regado por uma boa colheita do Dão, está bem de ver! A coroar tudo isto, o queijo da serra, o requeijão, o arroz doce feito com leite de ovelha ou o doce de castanha.
A si de descobrir o resto…


ONDE COMER
Restaurante Lá em Casa – 238 491 983
Restaurante O Albertino – (Folgosinho) – 238 745 266
Restaurante O Júlio – 238 498 016

ONDE DORMIR
Hotel de Gouveia – 238 491 010
Residencial Monteneve – 238 490 370
Casas da Mata da Cerca – 238 492 315


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