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Rotas da Região |
Edição de 01-04-2013
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Arquivo: Edição de 01-10-2003
|   | SECÇÃO: Rotas da Região | ||||||||||||||||||
| Trancoso “...chegámos a uma vilória antiga, metida dentro de muralhas. Esta descrição de há algum tempo não peca por descabida. A cumplicidade das palavras expressa o recorte de um concelho beirão num planalto que a rudeza das intempéries ajudou a moldar. A história das gentes divide-se por um passado glorioso por entre batalhas de reconquista e a vontade de construir uma lenda de tenacidade. O recorte das muralhas do castelo de Trancoso assume-se como o guardião de uma era que continua a perpetuar a memória dos tempos. Que fantástico povinho! Só vendo-os de pedra e cal, se acredita neles. - Não será Trancoso...? (...) O nome é assim patusco. Olhe contaram-me que era de lá o vosso Nostradamus e um padre raro, único, um padre em que pelos vistos encarnou o génio da espécie.” Aquilino Ribeiro Por sinal, a primeira sugestão que lhe proporcionamos é a de uma visita a pé por entre as ruas da vila. O ainda verde da paisagem contrasta com a rusticidade do granito das ruas estreitas que acolhem os visitantes de uma maneira especial. O medievalismo singelo é um convite perfeito à descoberta da história desta terra que depressa se deixa desvendar ao olhar do visitante. Lado a lado coabitam testemunhos vivos de um passado intercalado por uma História com muitas páginas… Se recuarmos um pouco no tempo, podemos ver que as origens de Trancoso se perdem no passado longínquo. A génese dos povos que habitaram esta terra esconde-se na poeira das incertezas. A toponímia das actuais freguesias pode, até, testemunhar um passado de povos tão longínquos como os germânicos ou os romanos. Já a tarefa da Reconquista Cristã foi árdua. Trancoso foi recuperada aos sarracenos entre 1053 e 1055 por Fernando I de Leão mas logo depois foi cercada pelos Mouros, em 1140, em desagravo do desastre de Ourique. O castelo ficou reduzido a ruínas… D. Afonso Henriques acabou por representar um papel fundamental na recuperação do território e em comemoração da vitória mandou erguer o Mosteiro de S. João de Tarouca. O monarca deu o primeiro foral à vila tendo-a doada aos Templários. Mas foi a partir do séc. XII e XIV que Trancoso desabrochou. A Batalha de São Marcos, travada durante a crise de 1383-85, representou um papel fundamental no desfecho da questão. Nela, reza a tradição, os portugueses puseram os Espanhóis “a pão e laranjas”… Ainda hoje, no dia comemorativo da batalha, nos finais de Maio, a câmara distribui pão e laranjas às crianças junto do planalto de S.Marcos onde a batalha se travou. Os limites territoriais do velho povo alargaram-se para além da antiga cidadela. As rotas comerciais fizeram de Trancoso um importante centro de comércio. Aquando do casamento de D. Dinis com Sta. Isabel, o monarca ofereceu-lhe a vila como dote e instituiu a famosa Feira Franca que ainda hoje se constitui como uma referência. A crescente importância de Trancoso ficou bem vincada na geografia histórica dos territórios que englobava e no seu progressivismo medieval englobando os concelhos de Pinhel, Guarda e Celorico da Beira. Foi D. Manuel que assinou o foral novo em 1510. Já durante a 3ª. Invasão Francesa, Trancoso teve um papel fundamental ao ponto do general Beresford ter aí instalado o seu quartel. Para trás ficam séculos de devoção de um povo que soube resistir aos ventos de uma história movimentada de diferentes culturas, incluindo a judaica, que fizeram do concelho um exemplo de vida comunitária. No roteiro que lhe sugerimos, apenas fica uma pequena amostra daquilo que poderá descobrir num concelho que se constitui uma verdadeira relíquia monumental. Na vila ficam as propostas de descoberta do castelo, das muralhas, das igrejas de Santa Maria de Guimarães com algumas sepulturas antropomórficas, de S. Pedro, da Misericórdia, da Sra. da Fresta, da Casa dos Arcos, do Pelourinho, da Fonte Nova, do Convento dos Frades Franciscanos, das Capelas do Sr. da Calçada, de S. Bartolomeu e da Santa Eufémia, o Palácio Ducal e o quartel-general de Beresford. E para além dos exemplos vivos da história, Trancoso encerra um conjunto de personalidades que fizeram dela um testemunho de outros tempos. São personagens lendárias como Gonçalo Annes (Bandarra), o jesuíta João de Lucena e o prior Costa que teve 299 filhos, (214 do sexo feminino e 85 do sexo masculino), tendo concebido em 53 mulheres… Bandarra é uma referência incontornável de uma personagem quinhentista que perdeu a fortuna e que, para seu sustento se transformou em sapateiro. A leitura da Bíblia e dos seus livros escatológicos fizeram dele um verdadeiro intérprete dos maus acontecimentos do seu tempo. Este “profeta” chegou a inquietar o Santo Ofício tendo sido ainda chamado “à pedra”. Os seus incontestados pensamentos escritos em forma de verso, que se aplicavam a interpretações desconcertantes, fizeram dele um homem famoso em tempos tão diferentes como os das perseguições aos Judeus, nas lutas da Reforma e Contra Reforma, na crise dinástica de D. Sebastião, na catástrofe de Alcácer Quibir. As Trovas de Bandarra, quase sempre na clandestinidade, envolveram-se num misticismo que atravessou os tempos e ainda hoje dão que pensar… Depois de lhe termos sugerido uma visita à vila, dirija-se até à porta principal do castelo de Trancoso. É aqui que tem início o road-book. Todas as épocas do ano são propícias à realização deste itinerário. A natureza frondosa dos castanheiros nas suas diferentes épocas de desenvolvimento granjeia os visitantes com uma paisagem esplêndida de tonalidades coloridas. Na descida para Freches, pode admirar a soberba paisagem sobre o vale do rio Mondego num cenário a perder de vista. Depois de Freches, e a seguir à capela de Sto. António de onde se avista uma vasta paisagem, tenha em atenção a existência de alguns regos mais ou menos profundos que poderão requerer alguma atenção. No final do percurso, já na vila, pondere a ideia da descoberta das restantes freguesias do concelho que oferecem ao visitante um acolhimento único e um conjunto de relíquias monumentais que espelham bem o percurso histórico do concelho. Nos “trilhos” da gastronomia, o prazer do bom garfo não se escapa em cada receita. Do cardápio da grande maioria dos restaurantes pode-se salientar o Cabrito assado no forno à serrana, o bacalhau à S. Marcos, o ensopado de míscaros e enguias à S. Bartolomeu. O queijo da serra, o queijo de cabra e requeijão completam uma ementa fabulosa onde não pode faltar o paladar dos excelentes vinhos. O bolo de chocolate, a bola de ovos (o folar) e as tradicionais “Sardinhas Doces de Trancoso” completam a ementa. Trancoso assume-se como um verdadeiro recanto na paisagem da beira e que encerra um grande número de tesouros monumentais e humanos dentro de um baú de emoções…A não perder! ONDE COMER Restaurante Área Benta – 271 817 180 Restaurante Brazão – 271 811 767 Restaurante São Marcos – 271 811 326 ONDE DORMIR Residencial D. Dinis – 271 811 525 | ||||||||||||||||||
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