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Edição de 01-04-2013

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Arquivo: Edição de 01-04-2003

 

SECÇÃO: Rotas da Região

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De Castelo Rodrigo... às encostas da Marofa

Do alto da memória, ficam os horizontes de uma planura repousante onde a tranquilidade dos dias sucede aos testemunhos da história. Em cada canto deste concelho fica a certeza de uma afirmação íntima desenhada no passado do rosto das gentes. Aqui vamos nós à descoberta da Vila Branca ou, para muitos, Terra da Cegonha... Um nome curioso que deriva do facto da existência de um ninho de cegonha no alto da cúpula da igreja e que, reza a tradição, vai perdurar enquanto a vila existir...
É com a recordação do olhar da “Joana”, a cegonha que foi ex-libris de Figueira, que o percurso tem início junto à fonte luminosa. Esperam-nos algumas horas de descoberta de uma parte do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Para percurso, desta vez, escolhemos um local a partir do qual pode desfrutar de belos momentos na prática do todo-o-terreno. O palco privilegiado é, sem dúvida, a Serra da Marofa. Um nome curioso perdido no amor de um filho do fidalgo das Cinco Vilas e a filha de um judeu rico que se chamava Ofa. Cada vez que o jovem amante decidia ir ver a sua amada exclamava: “Vou amar Ofa!”. Para além da paisagem soberba dominando uma vasta região, de Trás-os-Montes à Beira passando pelos horizontes da vizinha Espanha, a primeira parte do percurso faz-se através dos meandros da Serra da Marofa. O caminho leva-nos por alguns recantos da serra numa vegetação da carvalhos, pinheiros e eucaliptos. No alto da Serra, a quase 1000 metros de altitude, está uma capela erguida a meio do século passado, em 1947. No ano seguinte foi aberto um caminho a pé até ao alto onde na altura se construiu o cruzeiro. Em 1956 foi inaugurada a estátua do Cristo Rei como símbolo de fé. No decorrer do percurso, vai passar por zonas “mais trabalhosas”, duas em particular, (nota 11 e 17) onde é necessário alguma cautela. Aconselhamos algum cuidado com o piso pedregoso e, em época de chuvas, o enlameado de alguns troços.


A ocupação humana no concelho remonta a períodos muito recuados. Prova disso são os diversos vestígios encontrados que datam do Paleolítico e do Neolítico. Mais recente no tempo são os testemunhos da civilização castreja e da romanização espelhados nas dezassete estações arqueológicas do concelho. Naquela a que se intitulou “Figueira de S.Vicente”, a localidade desenvolveu-se a partir do séc. XVIII que coincidiu com a perda de função defensiva de Castelo Rodrigo. As gentes foram levadas a fixarem-se no sopé do monte junto de terras férteis onde o cultivo e comércio da vinha deu novo fôlego. A vivência de Figueira de Castelo de Rodrigo passa pela história de Castelo Rodrigo. A sua fundação pode-se procurar no tempo dos Túrdulos, 500 A.C. tendo sido território de romanos e muçulmanos durante a ocupação ibérica. Segundo estudos, o nome de “Castelo Rodrigo” pode-se dever a um tal de conde Rodrigo Giron, um repovoador que data mesmo antes da nacionalidade.


Depois da voltinha pelos trilhos acidentados da serra, já junto do cruzamento para Figueira de Castelo Rodrigo (última nota do road book), siga em frente para visitar a aldeia de Castelo Rodrigo. À medida que nos aproximamos do contorno das muralhas, podemos sentir a história de um concelho que viveu sempre na margem da vontade entre os senhores de Portugal e de Castela. Do ponto de vista da realidade histórica, sabe-se que D.Afonso IX, rei de Leão, em 1189 oferecia à catedral de Ciudad Rodrigo as terras de Castelo Rodrigo. Na altura, fixaram-se os limites do concelho em terras de riba Côa tendo-lhe concedido foral em 1209. Só em 1297, pelo tratado de Alcanizes, todo o território de Riba Côa passou para a Coroa Portuguesa. Reinava, então D. Dinis. Do testemunho dos tempos, passam as referências judaicas e todo um conjunto de episódios únicos que referenciam o carácter efémero da localidade. Na célebre crise da sucessão de D. Fernando (1383-85) o alcaide da vila tomou partido de D. Beatriz fechando o Castelo a Mestre de Aviz. Logo que se tornou rei, D. João I, impôs castigo ao concelho expresso nas armas reais do escudo da vila que passaram a figurar nele invertidas. Já em 1476, a vila passou para o condado de Marialva. Em 1508, D. Manuel renova-lhe o foral.


Tristemente ligado à história da vila está ligado o nome de Cristóvão de Moura. Durante o domínio filipino, Castelo Rodrigo era a sede de um condado concedido a este fidalgo partidário de Castela. Durante a Guerra da Restauração, quando se soube da vitória do 1º. de Dezembro de 1640, o povo em júbilo, capitaneado por Manuel Rodrigues e um tal de “Antoninho, deitaram fogo ao palácio de Cristóvão de Moura destruindo-o por completo. A vingança dos Espanhóis caiu sobre Escarigo que a queimaram e saquearam. Na muralha localiza-se a “Porta da Traição” por onde terão fugido os habitantes do local quando se deu a revolta dos populares em 1640. Célebre foi também a batalha de


Castelo Rodrigo de 1644. Chamada a “Salgadela”, a batalha foi travada nas terras situadas entre o convento de Santa Maria de Aguiar e Mata de Lobos. O exército português desbaratou a hoste castelhana e deste feito, perpetuando a vitória, colocou-se uma cruz inscrita “a Cruz da Salgadela”. Daqui nasceu a lenda de Sta. Maria de Aguiar que conta esteve ao lado dos portugueses para lhes dar alento e aparando, num açafate, as balas disparadas pelos inimigos...

Da história, chegam-nos vestígios exemplares de um passado feito pela bravura das gentes. A sugestão fica para um belo passeio a pé por entre as muralhas à descoberta de testemunhos vivos em cada pedra, em cada linha da história, em cada rua, em cada lenda e em cada face dos poucos habitantes da aldeia. Mesmo assim, vai-lhe sobrar tempo para sair à descoberta das diferentes freguesias do concelho que encerram um memorial único que só consegue ser descrito pela descoberta pessoal. Pode começar, descendo ao Convento de Sta. Maria de Aguiar. Alguns historiadores adiantam a sua fundação ao tempo de D. Afonso Henriques. É certo que este nunca a foi um mosteiro importante apesar de pertencer à filiação cisterciense de S. João de Tarouca. Depois de muitas vicissitudes, mesmo após a sua venda no século XIX, o edifício acabou por ser recuperado aos poucos, com a natural valorização do espaço histórico que, um dia, serviu de testemunho à assinatura do Tratado de Tordesilhas.


Claro que, por meio ficam as naturais referências a uma gastronomia típica da região. O fumeiro e o queijo, o mel, a sopa de feijão, o cabrito estufado ou assado, a alheira, o chouriço, o pé de porco, as migas de peixe, o leite creme, o pão de ló, as papas de milho e, como não poderia deixar de ser, uma boa pinga verdadeira embaixadora de um concelho rebatido entre as beiras e as arribas do Douro.



Onde comer
Estalagem Falcão Mendonça – 271 319 200
Residencial Transmontano – 271 319 020
Cantinho dos Avós - 271 312643

Onde dormir
Estalagem Falcão Mendonça – 271 319 200
Residencial Transmontano – 271 319 020
Hospedaria do Convento – 271 311 819



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