Actividades

Evento

II Raid Adega Castelo Rodrigo
16, 17 e 18 de Abril
Tipo de Evento: Passeio Todo-o-Terreno Turístico
Localidade: Figueira de Castelo Rodrigo

No fim-de-semana de 16 a 18, teve lugar o II Raid da Adega Castelo Rodrigo, um passeio todo o terreno aberto a todos os veículos 4 x4. Pelo 2º ano consecutivo, o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo foi visitado pelos amantes da modalidade. Com este II Raid cumpriu-se mais uma vez o objectivo de promover os melhores vinhos da Adega de Figueira de Castelo Rodrigo e, simultaneamente, proporcionar a descoberta de um concelho, entre o Côa e o Douro, rico em paisagens e monumentos. Os corta-fogos da Serra da Marofa integraram novos percursos e visitas.



ASSIM SE DESCOBRIU FIGUEIRA DE CASTELO RODRIGO…

Com o vento fresco a soprar no rosto, a aventura nocturna em Castelo Rodrigo saldou-se por uma descoberta do património da aldeia histórica. Depois de um rico jantar bem regado com a pinga de Figueira, nada melhor do que ajudar a digestão com um belo passeio nocturno em Castelo Rodrigo. De recanto em recanto, por entre as sombras do casario, os participantes saíram à descoberta dos tesouros. Mesmo com um mapa na mão, as dificuldades aumentaram quando o norte se perdia na escuridão da noite! Ao longe, as luzes da paisagem confundiam memórias passadas à beira das lendas do concelho. E a Marofa estava mesmo ali ao lado…

Mesmo assim, com alguma ajuda de “GPS de ocasião” o rumo lá foi seguido até porque toda agente conseguiu arrecadar um sentimento de ajuda mútua. Ouviam-se perguntas aqui e ali: “O que é uma seteira?” “Olha, ainda agora ali vi uma…!” “Sabes para que lado fica o Norte? E, já agora o Sul?!”… Onde estão os cachorros? E as cadelas...? Ainda agora ladrou um…” Epá, este pelourinho parece a torre de pisa! Mas olha que é da máquina!...”

Pelo serão dentro, tudo valia para se buscar a resposta certa às perguntas propostas. Cada qual respondia da melhor maneira possível. Por entre as perguntas de conhecimento iam-se respondendo algumas de observação. Até uma luz de mineiro, das modernas, dava jeito… Essa da pomba é que ficou à frente do algeroz!... Pois é, se calhar a dita fugiu com o alarido…

Com as fotografias nocturnas tiradas por alguns iluminados quase se conseguiu comprovar o não aprumo do histórico pelourinho… Mas lá se entendeu porquê depois de uma sábia explicação científica de um raro fenómeno de ilusão óptica da iluminação nocturna… É que ninguém queria ficar por lá atado com cordas…

Depois de muito subir e descer calçadas íngremes, nem a frescura da velha cisterna deu para refrescar os ânimos. É que descobrir a origem dos arcos das portas era tarefa árdua… Do arco abatido ao gótico passando pelo quebrado, tudo veio à ideia!

No final, a reconfortar a alma dos aventureiros, estavam um chocolate e um cházinho quentes oferecidos pela Junta de Freguesia de Castelo Rodrigo. Por entre as conversas, foram saboreados bolos típicos da terra a fazer lembrar outros tempos de amenos serões lá da aldeia. As recordações de cada participante avivaram as conversas sobre uma aventura diferente de descoberta do património e da história. Restava agora uma bela noite de descanso em redor de uma vontade única de sair à descoberta de mais uma pérola do distrito da Guarda.

Depressa o relógio passou pelas horas da noite…
Aos poucos, os 4x4 foram chegando ao recinto da Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo. A fresca matinal não atrasou os mais clássicos… Com um ritual único de acordar certa estirpe de motores, toda a gente chegou para a partida.

A primeira parte do percurso decorreu pela planície de Figueira vale da ribeira de Aguiar abaixo. Ao lado da velha ponte de pedra, fazia-se a travessia da ribeira que, de vez em quando, obriga a molhar os pés… Desta vez não foi caso disso! Lá ao fundo, o recorte das falésias durienses marcaram o rumo dos participantes. Pela encosta abaixo, o desfruto foi único… Por entre a flora natural desta paisagem, lá estava o Douro a serpentear o vale profundo. Mesmo a calhar, lá estava o Sr. António com uma “farturinha” e uma bebida… Em plena natureza, este momento de descanso já se tornou obrigatório. A pausa da aventura troca-se em conversas cruzadas sobre o percurso e a paisagem antes de se fazer o resto do caminho.

Em Escalhão, a visita ao museu e à Igreja fez reviver o passado de ricas tradições do concelho de Figueira. Para trás ficam os testemunhos de outros tempos, de outras gentes com outras vidas. São memórias que não se apagam da memória das pessoas e que se perpetuam em cada dia com a vontade de cada cidadão do concelho.

Mas lá ao fundo, a paisagem começa, de novo a transformar-se. No fundo do vale, corre o rio Águeda por entre arribas que testemunham antigas rotas do contrabando. No Santuário de Sto. André das Arribas, o sabor de um iogurte Yoplait retemperou a vontade de descobrir pequenos pormenores deste recanto. No horizonte, as asas abertas das aves de rapina espelham o espectáculo da natureza em estado puro.

Depois do almoço retemperador, a segunda parte do trajecto levou os participantes para a descoberta de mais uma face do concelho. Com uma ligeira incursão na Serra da Marofa, a rota traçada saía em direcção a Algodres. Pelo caminho, a passagem por diversas casa solarengas e por trilhos que servem as gentes em direcção aos pequenos terrenos agrícolas ainda bem cuidados com os “mimos” lá para casa. Depois da descoberta da história de Algodres, a jornada terminou no desafio ELF. Uma pista de obstáculos serviu para se desfrutarem das máquinas e do prazer de enfrentar dificuldades que, para muitos, constituíram um verdadeiro cabo das tormentas. Mesmo assim, “fraquezas” à parte, lá se foram enfrentando os obstáculos, um a um com um público sempre muito exigente…

A última etapa, quiçá a mais típica na abordagem, levou os participantes até à Serra da Marofa. O dia amanheceu farrusco… A chuva miudinha deu para assentar o pó por entre os meandros da serra e de uma vegetação variada. Apesar do nevoeiro lá no alto, um cafezinho quente deu perfeitamente para aconchegar o espírito de cada um pronto para enfrentar as dificuldades que se adivinhavam. E não foram tão poucas como isso!...

Por entre desculpas do cascalho e da pedra lá se foram calcorreando os corta-fogos um atrás do outro. Com mais ou menos aprumo, mesmo com alternativas, o trajecto acabou por satisfazer todos mesmo antes de se chegar ao famoso “carrossel”.

As descidas e as subidas impressionaram toda a gente… “Isto é para ser feito em redutoras? … Hum!... Acho que nem assim lá vou…” Olhe que é de segundinha!...” Se for preciso, dê fogo à peça!...” Não, não… eu cá prefiro ir à volta! E eu a pé que subo mais rápido!” “Nem pense nisso… Olhe que lá no meio nem nos temos de pé!...”

Exclamações únicas de emoção num fim-de-semana diferente e bem passado entre a Natureza, a História e a Cultura do concelho de figueira de Castelo Rodrigo onde nem a veia poética dos participantes faltou.


Duas quadras à maneira
Pediu o Escape Livre p’ra escrever
À zona de Castelo Rodrigo há quem queira
Voltar ali p’ra melhor a conhecer.
– Rui Miguel Castro, Nº 10 –


Celtas, Ibérios e Romanos
Aqui deixaram vestígios… eu vi!
Mas foi na Adega local
Que o melhor do seu saber… eu bebi!
– Armandino Lopes, Nº 32 –

 
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